Economia

Setor produtivo de Minas apoia corte da Selic, mas cobra responsabilidade fiscal

Setor produtivo e lojistas comemoram a redução da taxa de juros, mas alertam para desafios da economia e a necessidade de equilíbrio fiscal
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Setor produtivo de Minas apoia corte da Selic, mas cobra responsabilidade fiscal
Foto: Marcos Santos / USP Imagens

As entidades que representam o setor produtivo em Minas Gerais comemoraram, mais uma vez, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de cortar a taxa básica de juros. Por outro lado, lembram que o atual patamar da Selic continua a impor desafios à atividade econômica e cobram maior compromisso com o equilíbrio fiscal.

“O Brasil convive hoje com um quadro preocupante de expansão dos gastos públicos, crescimento da dívida e sucessivos sinais de enfraquecimento do compromisso com o equilíbrio das contas governamentais. Essa combinação alimenta a percepção de risco e impede que a queda dos juros ocorra na intensidade necessária para estimular investimentos, produção e geração de empregos”, afirma, em nota, o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Cledorvino Belini.

Ele lembra que uma redução de apenas 0,25 ponto percentual não altera de forma relevante a realidade enfrentada pelo setor produtivo. “O crédito continua caro, os investimentos seguem represados e a competitividade brasileira permanece comprometida”, conclui.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), em nota, aponta também que uma política monetária menos restritiva precisa ser acompanhada por maior coordenação com a política fiscal.

“Para a Fiemg, a continuidade de um ciclo sustentável de queda dos juros depende do fortalecimento dos fundamentos macroeconômicos e do compromisso com a responsabilidade fiscal”, afirma.

A entidade defende uma estratégia econômica capaz de conciliar controle da inflação, equilíbrio das contas públicas e estímulo à produção.

“Esse ambiente é fundamental para ampliar os investimentos, aumentar a produtividade e fortalecer a competitividade da indústria brasileira, criando condições para um crescimento econômico mais robusto e duradouro.”

Lojistas

Na avaliação da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), a decisão representa um passo importante para o comércio, ainda que o ambiente siga exigindo cautela.

“A taxa Selic ainda está em um patamar muito elevado, mas a sinalização de que o Banco Central mantém o movimento de queda é fundamental para restaurar a confiança do consumidor e do empresário”, analisa o presidente da entidade, Marcelo de Souza e Silva.

Segundo o dirigente, os efeitos mais imediatos da redução dos juros tendem a ser percebidos nas vendas a prazo e nas condições de crédito ao consumidor.

“A redução dos juros tende a ampliar a confiança dos consumidores para parcelar compras de maior valor, como eletrodomésticos, móveis e eletrônicos, segmentos que estão sob pressão desde o fim de 2024, quando o Banco Central iniciou o ciclo de aperto monetário”, disse.

“Apesar do nível alto de endividamento, a perspectiva de juros menores ajuda na recomposição do orçamento e reduz a inadimplência ao longo do tempo”, completa.

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