Maioria dos mineiros prefere trabalho híbrido a salário 50% maior
A escassez de talentos, o aprendizado sobre os modelos de trabalho mais flexíveis durante a pandemia e um desejo legítimo de equilibrar vida profissional e pessoal têm alterado a dinâmica das contratações no Brasil e no mundo. A política salarial segue sendo importante, mas há muito tempo deixou de ser o único ou principal fator de atração e retenção de mão de obra. E, assim, a possibilidade de trabalho híbrido passa a ser um quesito fundamental na hora da escolha do trabalhador por uma vaga de emprego.
Dados do levantamento “Qual o pensamento dos profissionais mineiros quando o assunto é modelo presencial ou híbrido” realizado pelo Tax Group – consultoria e tax tech (empresa de tecnologia fiscal) – provam que a “qualidade de vida operacional” e a autonomia transformaram-se em benefícios.
Segundo o estudo, que ouviu candidatos ativos, ao submetê-los um cenário de trade-off claro (situação de escolha conflitante em que é necessário abrir mão de uma vantagem ou característica para obter ou priorizar outra) no momento da escolha da vaga — atuar no modelo híbrido (100% remoto) ou optar pelo 100% presencial com remuneração 50% maior —, o estudo revelou uma forte segmentação no cenário nacional:
- 42% dos postulantes aceitaram abrir mão do ganho financeiro em troca do modelo híbrido.
- 58% optaram pela vaga no modelo presencial que paga melhor.
Em Minas Gerais essa escolha tem proporções ainda maiores:
- 75,5% preferem o híbrido.
- 24,5% preferem o presencial com maior salário.
De acordo com o CEO do Tax Group, Luís Wulff, o resultado da pesquisa revela dois perfis bastante distintos de colaboradores quando a opção é entre o trabalho remoto e o presencial:
Perfil presencial (orientado a ganhos): Focado em ascensão rápida e resultados, este candidato está disposto a abrir mão da flexibilidade e aceitar um maior nível de exigência em troca do ganho financeiro.
Perfil híbrido (orientado à autonomia): O candidato valoriza a qualidade de vida e a autonomia, recusando prêmios financeiros para evitar os custos invisíveis da presencialidade como tempo, trânsito e energia mental.
Assim, a preferência dos mineiros pelo híbrido está ligada ao maior grau de maturidade do trabalhador mineiro em relação à média nacional. No Brasil, o perfil desses candidatos é de:
Média de idade: 25,85 anos
- Experiência média: 5,43 anos.
- A maior fatia (46,81%) concentra-se na base da pirâmide, com três anos de experiência.
- Qualificação: A graduação é o padrão de mercado (56,93%), com os candidatos apresentando uma média de 1,35 formação por pessoa.
Em Minas Gerais, o grau de senioridade do perfil é maior:
- Média de idade: 26,16 anos
- Experiência média: 6,24.
- Qualificação: média de 1,3 formação por pessoa
“A preferência pelo trabalho híbrido passa pela questão da senioridade. Os profissionais mais experientes têm habilidades e repertório que lhes permite escolher. Eles já passaram pela fase de aprendizado mais intenso, que demanda maior contato pessoal e, por isso, entre outros fatores já não precisam estar todos os dias nas empresas”, explica Wulff.

Para o especialista, o melhor cenário para empresas e profissionais é encontrar o alinhamento cultural entre si. Empresas que entendem que produzem mais no esquema presencial devem escolher colaboradores com perfil orientado por ganhos e que entendem que a curva de crescimento corporativo é mais intensa no modelo presencial.
Já as empresas mais flexíveis e que atuam bem com colaboradores no modelo de pessoa jurídica (PJ), tendem a trabalhar melhor com o perfil que valoriza a qualidade de vida e a autonomia, recusando prêmios financeiros para evitar os custos invisíveis da presencialidade como tempo, trânsito e energia mental.
“As empresas estão alinhadas ao seu padrão cultural, então aquelas mais tradicionais valorizam o presencial e as mais modernas e cuja atividade permite, tendem a ter modelos mais flexíveis, isso independentemente do setor. Então, o melhor é buscar perfis culturais que estejam alinhados. Assim, o colaborador tem as suas necessidades atendidas e a empresa ganha em produtividade”, completa o CEO do Tax Group.
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