Editorial

Fora do Mapa da Fome

País confirma avanços na segurança alimentar, mas bons resultados dependem de continuidade
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Fora do Mapa da Fome
Foto: Reprodução Adobe Stock

O relatório SOFI 2026, divulgado pela FAO na terça-feira (21), confirma o que já vinha se desenhando em edições anteriores do documento: o Brasil permanece fora do Mapa da Fome, com a proporção de subnutrição abaixo de 2,5% da população. Mais do que isso, o País aparece com a dieta saudável mais barata da América Latina e do Caribe, resultado que combina estabilidade macroeconômica, política de renda e estrutura de abastecimento.

Não é um dado trivial. Em um cenário mundial no qual 7,8% da população ainda enfrenta a fome, mesmo com queda em relação aos anos anteriores, o Brasil consolida uma trajetória construída desde o Sisan, que articula proteção social, crédito agrícola e compras públicas de alimentos.

Este jornal entende que o número merece leitura cuidadosa, não apenas celebração protocolar. O custo médio da dieta saudável no Brasil, US$ 4,89 por pessoa ao dia, está abaixo da média sul-americana e da média regional, resultado de uma cadeia produtiva eficiente e de uma inflação de alimentos relativamente contida, com o IPCA de Alimentos fechando 2025 em 2,95%.

A combinação de crescimento do PIB, desemprego em queda para 5,6% e renda domiciliar per capita em recuperação sustenta esse resultado. Mas sustentação não é garantia. Indicadores agregados escondem desigualdades regionais que a imprensa econômica tem obrigação de investigar, sobretudo em Minas Gerais, onde a agropecuária e a indústria de alimentos têm peso estrutural.

A saída do Mapa da Fome é fruto de decisões concretas e de continuidade orçamentária em instrumentos como o Sisan, que precisam ser preservados independentemente do ciclo político. O tema central da edição 2026 do SOFI, aliás, é justamente o alto custo de uma dieta saudável no mundo: um alerta de que a posição confortável do Brasil hoje não é permanente.

Cabe à imprensa tratar esse indicador como o que ele é: um retrato de política pública em funcionamento, sujeito a reversão se a atenção arrefecer. Segurança alimentar e desempenho macroeconômico caminham juntos, mas não se confundem, e o monitoramento constante desses números segue sendo tarefa deste jornal. Comemorar é legítimo. Naturalizar o resultado como definitivo seria um erro de leitura econômica que este espaço não pretende cometer.

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