Marken Fassi investe em experiências e transforma história em vantagem competitiva

Com quase 50 anos de história em Ubá, empresa busca novos canais de vendas e projeta superar crescimento de 30% em 2026
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Marken Fassi investe em experiências e transforma história em vantagem competitiva
Fundadora da Marken Fassi, Emília Luzia Álvares, com a filha, CEO e diretora criativa da marca, Fabiana Carvalho | Foto: Divulgação Marken Fassi

A fabricante mineira de enxovais de luxo Marken Fassi, com sede em Ubá, na Zona da Mata, segue se destacando no mercado pelos produtos diferenciados e cuidadosamente planejados. Após registrar um crescimento de 30% no último ano, a empresa pretende superar o índice em 2026. Um dos caminhos é a atuação junto ao mercado de arquitetos, que buscam marcas que possam produzir itens mais personalizados, que tenham história e alto padrão de qualidade.

Fundada há quase 50 anos por Emília Luzia Álvares, hoje com 79 anos, a marca teve início na cozinha da residência da fundadora. Diante da crise no comércio de fumo de seu marido, a hoje empresária, que na época era professora, passou a viajar para São Paulo para comprar roupas e revendê-las aos finais de semana. Para contornar a sazonalidade do vestuário, ela aprendeu corte e costura e produziu as primeiras peças de cama com recursos emprestados por sua mãe.

O negócio expandiu na região de Ubá, passando por uma estrutura de chão de cimento queimado e telha de amianto, onde permaneceu por 30 anos, até a construção da fábrica atual. A Marken Fassi atua no segmento de alto luxo, com produtos para cama e banho, que variam de 200 a mil fios. A empresa, que não possui lojas próprias, comercializa os itens em lojas multimarcas parceiras que atendem à maior parte do Brasil, incluindo estados como Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Bahia.

A CEO e diretora criativa da Marken Fassi, Fabiana Carvalho, filha da fundadora, explica que o sucesso da marca se deve ao cuidado na elaboração de cada coleção, que vai desde a escolha dos tecidos, das cores até a definição dos desenhos e bordados.

“Diferente de concorrentes que importam produtos acabados, nós adquirimos os tecidos do Paquistão e da China e realizamos todo o processo de transformação e criação na nossa fábrica. A nossa estrutura fabril é de alto padrão e conta, por exemplo, com duas máquinas suíças de bordado furado, das quais existem apenas três unidades no Brasil”, conta.

Os desenhos das estampas são desenvolvidos à mão e as cores dos tecidos e linhas seguem especificações exclusivas desenvolvidas pela marca. Todo o cuidado e exclusividade da Marken Fassi têm sido bem aceitos no mercado, principalmente, pelo consumidor de alto padrão, denominado “triple A”, que busca rastreabilidade, confecção nacional e processos artesanais.

“Esse público gosta de saber de onde o produto vem, se é um produto brasileiro, se é confeccionado à mão”, explica Fabiana Carvalho. Ela aponta ainda que o comportamento pós-pandemia consolidou a busca pelo bem-estar residencial, o que estimula o negócio. “Após a pandemia, as pessoas passaram a olhar mais para si mesmas, para dentro de casa. O novo luxo é sentir”, diz.

Como parte da estratégia de negócios e relacionamento, a Marken Fassi começou, este ano, a realizar imersões na residência histórica de Emília Luzia Álvares, em Ubá. O espaço, onde tudo começou, será aberto a cada lançamento de coleção, com o objetivo de receber os clientes e permitir uma maior imersão na história e no projeto dos lançamentos. O primeiro evento, batizado de “O Tempo Mora Aqui”, aconteceu em junho e há uma nova edição prevista para novembro deste ano.

A Marken Fassi também está passando por mudanças e estruturando estratégias específicas para atender ao mercado de arquitetos, que representa um novo canal de vendas promissor. Para isso, Fabiana Carvalho tem participado de mostras como a Casa Cor em diferentes locais como Belo Horizonte, Espírito Santo, São Paulo e Goiânia. A marca firmou parceria com uma loja em São Paulo voltada exclusivamente para o atendimento de uma carteira de 2,8 mil arquitetos.

“Vamos continuar fazendo esse trabalho com arquitetos, é um trabalho formiguinha, mas que ainda vai andar muito, é promissor”, destaca.

Sobre o autor

Michelle Valverde

Repórter do Diário do Comércio desde 2009. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva.

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