Justiça volta a interditar Cachoeira do Tabuleiro após falhas em medidas de segurança
A Justiça determinou a interdição imediata do poço principal da Cachoeira do Tabuleiro, em Conceição do Mato Dentro, na região Central de Minas, após pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A área permanecerá fechada à visitação até que o município comprove o cumprimento das medidas de segurança previstas no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre as partes.
No dia 19 de julho, o local havia sido reaberto após permanecer fechado por cerca de cinco anos devido ao desprendimento de um fragmento rochoso do paredão. Agora, menos de dez dias depois, o acesso ao poço principal voltou a ser interditado.
Entre as determinações da Justiça está o isolamento de um raio de 500 metros ao redor da queda d’água, com instalação de barreiras físicas e sinalização de proibição de acesso. Somente equipes técnicas autorizadas poderão entrar no local para atividades de monitoramento e manutenção. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 1 mil, limitada inicialmente a R$ 10 mil.
A ação foi proposta pela Promotoria de Justiça de Conceição do Mato Dentro após o Ministério Público apontar que a reabertura do atrativo turístico ocorreu sem o cumprimento de todas as exigências estabelecidas no TAC, assinado em dezembro de 2025, tivessem sido cumpridas. Segundo o órgão, embora tenham sido realizadas intervenções para retirada de blocos rochosos instáveis, permanecem pendentes as seguintes medidas consideradas essenciais para garantir a segurança dos visitantes:
- instalação de estação meteorológica e pluviométrica a montante da cachoeira para monitoramento de trombas d’água;
- implantação de um sistema permanente de monitoramento sísmico e de acompanhamento contínuo dos pontos críticos do paredão rochoso;
- adequações no plano de manejo do parque.
Na avaliação do Ministério Público, os documentos técnicos apresentados pelo município também não comprovam a segurança de toda a área da cachoeira. Conforme a Promotoria, a certificação emitida abrange apenas o trecho onde houve a remoção de blocos rochosos, sem contemplar toda a extensão do paredão, que ainda possui setores classificados como de médio e alto risco.
Ao analisar o pedido, a Justiça entendeu que a reabertura da área de visitação estava condicionada ao cumprimento integral das obrigações previstas no TAC e à apresentação de certificação técnica que atestasse a segurança do atrativo. Na decisão, o Judiciário considerou que ainda existem riscos geológicos e hidrológicos capazes de comprometer a integridade física dos visitantes.
A Cachoeira do Tabuleiro é a mais alta de Minas Gerais e a terceira maior do Brasil. O poço principal está interditado desde 2021, quando um bloco rochoso se desprendeu do paredão. Desde então, estudos técnicos e vistorias realizados por especialistas e pelo Corpo de Bombeiros indicaram a necessidade de monitoramento permanente e da adoção de outras medidas preventivas antes da retomada das visitas.
A reportagem do Diário do Comércio procurou a Prefeitura de Conceição do Mato Dentro e aguarda retorno.
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