Trump diz negociar com Irã, mas ameaça ‘ação militar muito forte’ se conversas falharem

Presidente dos Estados Unidos afirma que negociações estão 'muito profundas', mas impõe condição para evitar retaliação
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Trump diz negociar com Irã, mas ameaça ‘ação militar muito forte’ se conversas falharem
Foto: REUTERS/ Jonathan Ernst

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (27), que Washington está em “negociações muito profundas” com o Irã, mas que, caso as conversas fracassem, retomará “uma ação militar muito forte”.

As declarações foram dadas em entrevista ao site americano Axios. “Estamos em negociações muito profundas com o Irã. Se elas não derem certo, voltaremos a uma ação militar muito forte”, disse Trump.

O republicano afirmou que decidiu suspender os ataques contra o território iraniano na sexta-feira, 25, após países que atuam como mediadores do conflito e outras nações do Oriente Médio pedirem que ele desse uma nova chance às negociações. “Todas as pessoas que lidam com o Irã me pediram: “‘Não atire'”, afirmou.

Essa foi a primeira pausa nos ataques desde a retomada das hostilidades, no início de julho. Ao explicar por que aceitou o pedido, Trump disse que não tinha “nada a ganhar, nada a perder”. Questionado sobre quanto tempo estaria disposto a dedicar às conversas, ele respondeu: “Não muito tempo”. “Ou acontece rápido ou não acontece nada.”

Mais cedo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, negou que Teerã tenha iniciado negociações com Washington para encerrar o conflito.

“Os mediadores podem nos transmitir mensagens da parte americana sobre os acontecimentos mais recentes na região. Mas, no momento não estamos envolvidos em nenhuma negociação com os EUA”, disse Baqaei.

Segundo o Axios, as negociações em andamento estão concentradas em um novo acordo, que permitiria a reabertura do Estreito de Ormuz, e na retomada de conversas sobre um tratado nuclear abrangente. O site afirmou que as discussões são conduzidas principalmente entre Irã e Omã, mas que Catar, Paquistão, Egito e os enviados de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, participam ativamente.

Fontes regionais disseram ao Axios que as negociações entre Omã e Irã avançaram, mas nenhum acordo foi alcançado até o momento. O Ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al-Busaidi, conversou nesta segunda-feira por telefone com seus homólogos do Irã, Catar, Arábia Saudita, Kuwait e Egito.

Em comunicado, al-Busaidi afirmou que as discussões “se concentraram em maneiras de melhorar as perspectivas de alcançar acordos práticos, justos e sustentáveis para a navegação marítima através do Estreito de Ormuz”.

Uma fonte regional disse ao site que uma das ideias discutidas é autorizar que Irã, Omã e outros países da região cobrem “taxas de serviço razoáveis” por segurança marítima, proteção ambiental e outros serviços.

Segundo o Axios, a fonte afirmou que o sistema poderia funcionar de forma semelhante ao do Estreito de Malaca, onde Malásia, Indonésia e Singapura cobram das embarcações por serviços específicos, em vez de uma taxa fixa de trânsito. Outra possibilidade seria direcionar as taxas para um fundo conjunto administrado com a participação da Organização Marítima Internacional (OMI).

Conteúdo distribuído por Agência Estadão

Geovanna Hora
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