Bolsa ajusta BDRs para facilitar o acesso de investidores brasileiros
A B3, a bolsa do Brasil, iniciou o ajuste da paridade de 101 Brazilian Depositary Receipts (BDRs) de empresas internacionais. O objetivo é ampliar o acesso dos investidores pessoas físicas a ativos globais negociados no mercado brasileiro. Com a mudança, a expectativa é de que o preço unitário desses recibos se torne mais acessível, aproximando parte deles da faixa entre R$ 50 e R$ 100 por unidade.
A implementação será realizada em quatro etapas: a Tranche 1, com vigência em 27 de julho; a Tranche 2, em 10 de agosto; a Tranche 3, em 17 de agosto; e a Tranche 4, em 24 de agosto.
A lista contempla empresas de diferentes setores da economia global, como tecnologia, indústria, saúde, comunicação, serviços financeiros, energia, utilidades, alimentos e consumo. Entre elas estão SAP SE (SAPP34), referência global em software corporativo; GE Aerospace (GEOO34), ligada ao setor aeroespacial; KLA Corp (K1LA34), do segmento de semicondutores; Trane Technologies (I1RP34); McKesson (M1CK34); Analog Devices (A1DI34); T-Mobile US (T1MU34); Philip Morris International (PHMO34); Parker-Hannifin (P1HC34); e The Progressive Corp (P1GR34).
Os BDRs são certificados negociados no Brasil que representam ativos emitidos no exterior, como ações de companhias estrangeiras. Na prática, permitem ao investidor acessar empresas globais diretamente pela B3, em reais e por meio de uma corretora ou plataforma de investimentos, sem a necessidade de abrir uma conta fora do País.
A paridade é a relação entre o BDR negociado no Brasil e o ativo original no exterior. Em termos simples, indica quantos BDRs correspondem a uma ação da companhia estrangeira. Quando essa relação é ajustada para uma quantidade maior de BDRs por ação, o valor econômico total da posição permanece equivalente, mas cada recibo passa a representar uma fração menor do ativo original. Com isso, o preço unitário do BDR tende a diminuir, tornando o investimento mais acessível ao público de varejo.
Nas datas previstas para cada tranche, a mudança será operacionalizada por meio de um desdobramento para os investidores que já possuem esses BDRs em carteira. Isso significa que a posição será ajustada para refletir a nova paridade, preservando a equivalência econômica da aplicação.
“Nosso objetivo é tornar o acesso a empresas globais cada vez mais simples e compatível com a realidade do investidor brasileiro. Ao ajustar a paridade de BDRs com preços unitários mais elevados, ampliamos a possibilidade de diversificação internacional dentro do ambiente regulado, transparente e em reais da B3”, afirma o gerente do Banco B3, Ricardo Campanhã.
Na prática, a forma de negociação não muda. O investidor continuará podendo comprar e vender BDRs por meio de uma corretora, da mesma maneira que negocia ações, ETFs ou fundos imobiliários. Basta buscar o ativo pelo código ou nome de negociação na plataforma, avaliar se o produto é adequado ao seu perfil e enviar a ordem de compra ou venda.
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