Republicanos desiste de Cleitinho para disputa ao governo de Minas

Legenda afirma que senador não assumiu formalmente a candidatura e diz que indefinição inviabilizou projeto eleitoral
Atualizado em 29 de julho de 2026 • 14:07
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Republicanos desiste de Cleitinho para disputa ao governo de Minas
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O Republicanos encerrou a tentativa de lançar o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) como candidato ao governo de Minas nas eleições de 2026. Em nota divulgada nesta quarta-feira (29), a legenda afirmou que a candidatura “nunca foi formalmente assumida” pelo parlamentar e atribuiu o desfecho à falta de uma decisão definitiva até a convenção estadual do partido, realizada no último sábado (25). No entanto, o irmão do senador e ex-prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Republicanos) informou ao Diário do Comércio que Cleitinho será, sim, candidato ao Executivo estadual.

Na terça-feira (28), o senador já havia publicado um vídeo, feito por Inteligência Artificial, no Instagram em que conversava com o irmão e o pai, já falecidos, sinalizando que disputaria o cargo de governador. Isso ocorreu após a divulgação da pesquisa Genial/Quaest, também nessa terça-feira, em Cleitinho lidera as simulações de primeiro e de segundo turno para o governo de Minas.

No comunicado, assinado pelas executivas estadual e nacional do Republicanos, o partido afirma que trabalhou durante meses para viabilizar a candidatura do senador, “mantendo negociações internas, oferecendo as condições políticas para a disputa e articulando o apoio de legendas aliadas”. Segundo a sigla, decisões estratégicas chegaram a ser adiadas enquanto aguardava uma definição de Cleitinho.

Apesar disso, o Republicanos afirma que o senador não oficializou o interesse em disputar o Palácio Tiradentes. Para a legenda, uma candidatura depende de uma “manifestação inequívoca” do próprio interessado, o que, segundo a nota, não ocorreu ao longo das tratativas.

A nota também cita a ausência de Cleitinho na convenção estadual como um marco político que acelerou a reorganização do partido e dos aliados. De acordo com o Republicanos, diante da falta de confirmação da candidatura, as legendas aliadas precisaram redefinir suas estratégias para a eleição estadual.

O presidente estadual do Republicanos, deputado Euclydes Pettersen, afirma no comunicado que a legenda sempre tratou a possibilidade da candidatura “com entusiasmo, respeito e seriedade”, mas ressalta que esse movimento não foi correspondido pelo senador até a realização da convenção.

Ao justificar o encerramento das articulações, o partido afirma que tem a responsabilidade de conduzir seu projeto político com previsibilidade e respeito aos candidatos proporcionais, aos filiados, aos aliados e ao eleitorado mineiro.

Procurado pela reportagem, o senador Cleitinho ainda não se manifestou.

Leia a íntegra da nota do partido

“O Republicanos de Minas Gerais, por meio do seu presidente, deputado Euclydes Pettersen, afirma que sempre tratou com entusiasmo, respeito e seriedade a possibilidade de o senador Cleitinho Azevedo disputar o Governo pela legenda. Este entusiasmo, porém, não foi correspondido até o dia da Convenção Estadual, ocorrida dia 25 de julho.

Durante meses, o partido manteve diálogo aberto, ofereceu as condições políticas necessárias, atraiu partidos aliados e aguardou uma definição clara do senador. Em razão dessa expectativa, diversas decisões estratégicas foram postergadas, justamente para preservar a viabilidade de sua eventual candidatura.

Entretanto, uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la. Tal decisão nunca aconteceu. Esse compromisso jamais pode ser substituído por sinais contraditórios, sucessivos recuos ou indefinições que acabam comprometendo a construção de um projeto coletivo.

A ausência do senador na Convenção Estadual do Republicanos – apesar das justificativas pessoais – representou um fato político objetivo, que produziu consequências inevitáveis. Diante da falta de confirmação de sua candidatura, partidos aliados precisaram tomar decisões e reorganizar seus caminhos, como é natural em qualquer processo eleitoral.

O partido trabalhou duro para que essa candidatura pudesse acontecer. O que faltou foi a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo.

O Republicanos respeita a trajetória e o mandato do senador Cleitinho Azevedo, mas também tem o dever de conduzir seu projeto político com responsabilidade, previsibilidade e respeito aos candidatos a deputados federais e estaduais, seus filiados, aliados e à população mineira.

Os fatos falam por si. O partido esteve pronto. A candidatura, porém, nunca foi formalmente assumida por quem deveria liderá-la”.

*Matéria em atualização

Sobre o autor

Ana Luisa Sales

Repórter do Diário do Comércio desde 2025, graduada em jornalismo pela UFMG, pós-graduanda em ESG e sustentabilidade corporativa pela FGV.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas