Como identificar uma deepfake? Veja sinais de alerta nas eleições de 2026
As chamadas deepfakes devem estar entre os principais desafios do ambiente digital nas eleições de 2026. Com a evolução da inteligência artificial, vídeos, áudios e imagens manipulados se tornaram cada vez mais realistas, aumentando o risco de desinformação e dificultando a identificação de conteúdos falsos pelos eleitores.
Uma pesquisa da Mobile Time/Opinion Box revela que 70,2% dos internautas brasileiros já acreditaram em vídeos que posteriormente se mostraram falsos. Apenas 18,7% afirmam conseguir identificar uma deepfake imediatamente, enquanto a maioria reconhece sinais de manipulação apenas em algumas situações.
O cenário se torna ainda mais preocupante diante do crescimento da desinformação. Segundo o Panorama da Desinformação no Brasil, do Observatório Lupa, houve aumento de 308% na circulação desse tipo de conteúdo entre 2024 e 2025. Quase metade apresenta viés ideológico, o que amplia o impacto sobre o debate público durante as eleições.
Como identificar uma deepfake nas eleições
O termo deepfake resulta da combinação das expressões em inglês deep learning (aprendizado profundo) e fake (falso). Trata-se de uma técnica de inteligência artificial usada para criar ou alterar vídeos, fotos e áudios, simulando o rosto ou a voz de uma pessoa real com alta precisão.
Para identificar conteúdos suspeitos, é preciso estar atento aos seguintes pontos:
- Desconfie de conteúdos que provoquem indignação, medo ou choque imediato.
- Verifique quem publicou a informação e se o perfil é oficial.
- Confirme se o conteúdo foi divulgado por veículos jornalísticos confiáveis;
- Observe movimentos artificiais da boca, expressões faciais, iluminação e sincronização do áudio.
- Evite compartilhar vídeos antes de confirmar sua autenticidade.
- Diversifique suas fontes de informação para reduzir os efeitos das bolhas digitais.
Segundo a especialista em marketing e inteligência artificial Camila Renaux, o maior desafio já não é apenas identificar notícias falsas, mas reconhecer conteúdos produzidos por IA capazes de simular com precisão a fala e os gestos de figuras públicas.
“Nas eleições de 2026, o desafio não será apenas identificar notícias falsas, mas reconhecer conteúdos que parecem absolutamente reais e que foram produzidos por inteligência artificial. Antes, era possível perceber erros mais evidentes. Agora, o material é convincente o suficiente para enganar mesmo usuários atentos”, afirma.
Outro fator que amplia a disseminação da desinformação é a chamada bolha algorítmica. As redes sociais tendem a exibir conteúdos alinhados aos interesses de cada usuário, o que pode reduzir o contato com opiniões diferentes e aumentar a exposição a informações distorcidas.
Por isso, especialistas recomendam acompanhar diferentes veículos de comunicação, consultar fontes oficiais e evitar interagir com conteúdos enganosos, já que curtidas, comentários e compartilhamentos podem contribuir para ampliar seu alcance nas plataformas.
A legislação eleitoral também acompanha o avanço tecnológico. Nas eleições deste ano, conteúdos produzidos ou significativamente alterados por inteligência artificial deverão ser identificados de forma clara, conforme as normas da Justiça Eleitoral. A medida busca aumentar a transparência e oferecer mais segurança aos eleitores diante do crescente uso de IA na comunicação política.
Colaborador
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