Custo da construção sobe 8,25% em Minas; mão de obra tem alta de 12,84%

Alta registrada entre janeiro e julho ficou acima da inflação oficial, pressionada por mão de obra e materiais
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Custo da construção sobe 8,25% em Minas; mão de obra tem alta de 12,84%
Custo com o material de construção aumentou 3,61% entre janeiro e julho e a mão de obra subiu 12,84% | Foto: Diário do Comércio / Leonardo Morais

O Custo Unitário Básico da Construção Civil (CUB/m²) em Minas Gerais registrou alta de 8,25% entre janeiro e julho deste ano, segundo dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG). O avanço ficou acima da inflação oficial do País, que registrou elevação de 3,5% no período.

Segundo a economista-chefe do Sinduscon-MG e da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), Ieda Vasconcelos, o ritmo de aumento do custo da construção tem sido pressionado principalmente pelos dois componentes que têm maior peso no indicador: mão de obra e materiais.

Segundo ela, esses dois principais componentes, nos primeiros sete meses do ano, sofreram um aumento maior. “O custo com o material, nesse período, aumentou 3,61%. Já a mão de obra, 12,84%”, ressalta.

A economista do Sinduscon explica que, no caso da mão de obra, o movimento está relacionado ao cenário do mercado de trabalho brasileiro, que permanece aquecido e com uma das menores taxas de desemprego da série histórica. “O País vivencia um mercado de trabalho praticamente em uma situação de pleno emprego, com a taxa de desemprego nos menores patamares de uma série histórica, girando em torno de 5,6%”, afirma.

De acordo com ela, a dificuldade de contratação afeta diferentes setores da economia, incluindo a indústria e a construção civil. “Todos os segmentos estão com dificuldade de contratação. Essas dificuldades acabam influenciando o custo”, diz.

Outro fator que contribuiu para a alta da mão de obra foi a negociação salarial da categoria. A convenção coletiva dos trabalhadores da construção, firmada no fim do ano passado, teve impacto sobre os custos registrados a partir de janeiro.

Os materiais de construção tiveram um comportamento mais moderado que a mão de obra, mas também contribuíram para o aumento do CUB. De janeiro a julho, o custo dos materiais subiu 3,61%. Em 12 meses, a alta chegou a 4,74%.

Nesse caso, na avaliação de Ieda Vasconcelos, parte da pressão veio dos efeitos dos conflitos geopolíticos iniciados no Oriente Médio no fim de fevereiro, que provocaram instabilidade nos preços do petróleo. “Esse conflito provocou uma variação muito grande nos preços do petróleo e seus derivados. Sendo assim, nós tivemos um impacto no diesel e isso encarece o preço do frete”, explica.

O aumento dos custos de transporte acaba atingindo materiais básicos utilizados nas obras, como areia, brita, tijolos e concreto. “Isso faz com que as empresas tenham que absorver a volatilidade dos preços de transporte e de insumos”, afirma a economista.

Segundo ela, o setor da construção tem uma particularidade que amplia o impacto dessas oscilações. Como as obras não costumam manter grandes estoques de determinados produtos, as empresas ficam mais expostas às variações de preços. “Você não estoca, por exemplo, concreto e areia”, observa.

Ritmo de alta desacelerou nos últimos meses

Apesar da forte elevação acumulada no ano, a economista ressalta que o comportamento do CUB mudou nos últimos dois meses. Em junho e julho, o custo apresentou uma variação mais moderada do que nos primeiros meses de 2026. “Nos últimos dois meses, junho e julho, nós vimos uma variação do custo um pouco mais modesta do que foi no início do ano, até maio”, afirma.

A economista atribui esse movimento, principalmente, a uma relativa acomodação dos preços dos materiais após o período de maior instabilidade no mercado de petróleo.

A mão de obra, por sua vez, já havia registrado uma alta expressiva no começo do ano, em razão do reajuste definido na convenção coletiva, o que reduziu a pressão adicional desse componente nos meses seguintes. “Ela já havia tido uma variação maior no início do ano. Então, ela não teve agora”, explica.

Para a economista, o comportamento observado em 2026 contrasta com o registrado no ano passado, quando houve maior estabilidade nos preços dos materiais de construção. “No ano passado, em particular, nós tivemos uma maior estabilização nos custos com os materiais. Eles acompanharam, de uma forma geral, o custo da inflação”, afirma.

Neste ano, entretanto, o aumento dos custos ganhou destaque, principalmente a partir dos impactos sobre a mão de obra e os insumos. “Esse aumento maior do que a inflação ganhou força este ano”, resume.

O resultado é um CUB avançando em ritmo significativamente superior ao da inflação oficial, pressionando os custos das empresas do setor e elevando a referência utilizada para o cálculo de empreendimentos da construção civil em Minas Gerais.

CUB não representa o preço final do imóvel

Em julho, o CUB referente ao projeto-padrão R8-N, utilizado como referência para a análise do custo da construção, ficou em R$ 2.548,75 por metro quadrado (m²) em Minas Gerais. No início de janeiro, o valor era de R$ 2.354,47/m². A diferença corresponde ao avanço acumulado de 8,25% no período.

O R8-N representa uma edificação com oito pavimentos típicos e padrão normal de acabamento. Ieda Vasconcelos, porém, ressalta que o valor não deve ser confundido com o preço de venda de um imóvel ou com o custo total de uma obra. “Esse valor é o custo básico do básico”, destaca.

O cálculo não inclui, por exemplo, conforme ela explica, o valor do terreno, elevadores, fundações, entre outros itens que podem representar uma parcela significativa do custo final de um empreendimento. Também entram no cálculo itens específicos previstos na metodologia do CUB, como materiais, mão de obra, despesas administrativas e aluguel de betoneira.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.

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