Indústria mineira registra segunda queda seguida e cresce menos de 1% no primeiro semestre
A produção da indústria de Minas Gerais recuou 1,3% em junho de 2026 na comparação com maio, marcando a segunda queda mensal consecutiva e acumulando retração de 3% em apenas dois meses. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A queda na produtividade impactou o crescimento do setor, que acumula alta de apenas 0,6% no primeiro semestre, permanecendo praticamente estável, enquanto o resultado nacional registra avanço de 1,5% no mesmo período. A desaceleração no setor industrial no Estado foi impulsionada principalmente pelos segmentos de metalurgia e indústria extrativa.
Em relação ao mesmo mês do ano anterior, Minas Gerais apresentou queda de 2,6% na produção, enquanto, no Brasil, houve crescimento de 1,7%. O resultado do Estado se destaca como a principal influência negativa no indicador geral.
A analista da pesquisa, Alessandra Coelho, destaca que 2026 segue marcado por oscilações na produção industrial. “Em 2026, o setor registrou dois meses consecutivos de queda, em maio e junho, e apenas dois resultados favoráveis, em janeiro e abril. Ainda assim, o desempenho acumulado no ano permaneceu ligeiramente positivo”, pontua.
Considerando o resultado acumulado no ano, sete atividades apresentaram expansão da produção, com destaque para “Bebidas” (11,0%) e “Metalurgia” (7,2%). As principais retrações, em termos percentuais, foram em “Máquinas, aparelhos e materiais elétricos” (-12,3%), “Produtos Químicos” (-10,6%), “Produtos de metal” (-8,8%) e “Celulose, papel e produtos de papel” (-7,2%).
Na comparação com junho do ano passado, a especialista chama atenção para a queda de 2,6% na produção. Segundo a pesquisa, o resultado foi influenciado principalmente pela redução da produtividade nos segmentos de refino de petróleo, produtos químicos e alimentos.
O recuo acentuado registrado nos últimos dois meses pode ser reflexo, segundo o economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), João Gabriel Pio, de um mercado afetado pela alta taxa de juros, que permanece em patamar restritivo. Além disso, no ambiente doméstico, a pressão sobre os custos também tem ganhado força, com o custo unitário do trabalho avançando em ritmo superior ao da produtividade, comprimindo as margens das empresas, especialmente na indústria de transformação.
No cenário externo, os conflitos entre Estados Unidos e Irã também impactam diferentes setores da economia, especialmente o de produtos químicos, com efeitos sobre a produção de fertilizantes.
“A conjuntura externa desfavorável pesa principalmente sobre setores extremamente relevantes para o Estado, com forte participação e elevado grau de encadeamento na economia. São segmentos que geram efeitos multiplicadores importantes e, quando desaceleram, tendem a puxar a atividade econômica para baixo, assim como, em momentos de avanço, contribuem para impulsionar o crescimento”, explica.
Minas precisa ir além da extração e agregar valor à produção
Para os próximos meses, Pio salienta que o desempenho da indústria dependerá, em grande medida, do cenário externo, sobretudo da evolução do conflito entre Estados Unidos e Irã. No ambiente doméstico, embora a redução da Selic possa contribuir para a atividade econômica, os efeitos da política monetária tendem a ocorrer com defasagem.
“A expectativa, portanto, é de um crescimento moderado, impulsionado por eventuais estímulos à economia, especialmente em ano eleitoral. Para os próximos anos, porém, o desempenho da indústria dependerá principalmente da capacidade de ampliar a produtividade”, avalia o economista.
Segundo ele, Minas Gerais reúne um dos maiores potenciais estratégicos do País, mas precisa avançar na agregação de valor à produção da indústria. “Precisamos acumular conhecimento para deixarmos de ser apenas um Estado que extrai. É necessário agregar valor à produção, e isso leva ao desenvolvimento econômico e social”, finaliza.
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