Irã afirma que não há negociações em andamento com EUA após Trump cancelar ataques
O Irã afirmou na segunda-feira que não havia negociações em andamento com os Estados Unidos nem planos para quaisquer reuniões, contrariando o presidente dos EUA, Donald Trump, que havia citado negociações que, segundo ele, ocorreriam na tarde desta segunda como justificativa para cancelar ataques.
No fim de semana, Trump repetiu um padrão ao longo dos últimos cinco meses: anunciar planos de “ataques em grande escala” contra o Irã, e depois cancelá-los no último minuto.
“Eu preferiria fazer um acordo? Não estou querendo matar pessoas”, disse Trump a bordo do Air Force One no domingo.
“O que estamos fazendo agora é conversar com eles, na forma de uma negociação. Ela começa amanhã à tarde”, afirmou ele, sem identificar o local nem os participantes dessas conversas.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, rejeitou a afirmação, dizendo que não estavam ocorrendo negociações com os Estados Unidos e que nenhuma reunião estava agendada. O Irã não tinha planos de receber delegações estrangeiras nem de enviar negociadores ao exterior nos próximos dias, disse ele.
Baghaei acrescentou que todos os negociadores iranianos estavam atualmente no país, com exceção do ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, que estava em uma peregrinação religiosa no Iraque. As únicas conversas em andamento, disse ele, eram discussões com Omã sobre a gestão do Estreito de Ormuz.
Uma fonte iraniana de alto escalão também declarou à Reuters que não havia negociações planejadas e que Araqchi estaria indisponível pelo menos até o final da semana.
Padrão recorrente
Os acontecimentos desta segunda-feira parecem se encaixar em um padrão que vem se repetindo desde que Trump lançou a “Operação Fúria Épica” em conjunto com Israel, há mais de cinco meses. Em várias ocasiões, Trump ameaçou com uma ação militar, apenas para, posteriormente, citar contatos diplomáticos como motivo para recuar.
O Irã, no entanto, tem rejeitado publicamente negociações com Washington desde que um memorando de entendimento de junho, que visava pôr fim ao conflito, fracassou no início de julho.
Trump ainda não alcançou os objetivos que estabeleceu no início da guerra: desmantelar o programa nuclear do Irã, restringir sua capacidade de atacar rivais regionais e criar condições para que os iranianos derrubem seus governantes clericais.
As repetidas escaladas dos EUA têm sido respondidas com reações cada vez mais intensas do Irã contra as forças norte-americanas na região, os aliados árabes de Washington no Golfo e o tráfego marítimo, terminando sempre com Trump recuando.
A disputa sobre o Estreito de Ormuz continua sendo um ponto central de discórdia. Washington afirma que o memorando de junho exigia que o Irã abrisse a via navegável estrategicamente vital, enquanto Teerã argumenta que o texto preservava explicitamente sua autoridade sobre o tráfego marítimo.
Isso deixaria Teerã com maior influência sobre o estreito do que antes da guerra, um resultado que provavelmente seria visto como um revés significativo para Trump.
Até o momento, os Estados Unidos não conseguiram obrigar o Irã a abrir mão de seu controle sobre a via navegável, o que elevou os preços globais do petróleo e impulsionou os preços da gasolina — um tema politicamente sensível — nos EUA.
Conteúdo distribuído por Reuters
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