Inovação em Pauta

HackTown: quando uma cidade se transforma em um laboratório de inovação

Evento em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, reuniu diversos atores, como empresas, startups e instituições de ensino
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00

O que acontece quando uma cidade inteira decide se transformar em um laboratório de inovação? A resposta pode ser encontrada em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, que entre os dias 3 e 7 de setembro realizou a 10ª edição do HackTown.

Mais do que um festival, o HackTown se consolidou como uma plataforma de conexão entre empresas, startups, universidades, investidores, poder público, empreendedores, artistas e sociedade. Em 2026, foram mais de 700 atividades e cerca de 15 mil participantes, segundo dados divulgados pelo evento e pelo Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel).

Mas talvez o principal resultado não esteja nos números. Está no modelo. Durante cinco dias, escolas, universidades, praças, restaurantes, bares, galpões e outros espaços da cidade se transformaram em ambientes de troca de conhecimento e geração de negócios. A inovação deixou de estar restrita aos laboratórios e passou a fazer parte da própria experiência urbana.

Essa é uma das grandes lições de Santa Rita do Sapucaí para Minas Gerais e para o Brasil: um ecossistema inovador não nasce de um evento, mas de uma cultura construída ao longo do tempo.

A trajetória do Vale da Eletrônica mostra que políticas públicas, instituições de ensino, empresas, empreendedores e lideranças locais podem criar um ambiente capaz de gerar conhecimento, negócios e desenvolvimento econômico. O HackTown funciona como uma espécie de catalisador dessa rede.

E há outro aspecto especialmente relevante. A edição de 2026 ampliou o debate para temas como inteligência artificial, saúde, diversidade, economia circular e terceiro setor. O festival mostrou que inovação não pode ser confundida com tecnologia. Tecnologia é ferramenta. Inovação acontece quando conhecimento e criatividade conseguem produzir valor econômico e, principalmente, impacto positivo na sociedade.

Para Minas Gerais, essa experiência traz uma provocação importante: quantas outras cidades poderiam construir seus próprios ecossistemas de inovação a partir das suas vocações, ativos e talentos locais?

Não precisamos transformar todas as cidades em uma nova Santa Rita do Sapucaí. Precisamos aprender com Santa Rita a criar ambientes em que empresas, universidades, governos e sociedade tenham motivos para se encontrar, experimentar, errar, aprender e construir juntos.

O maior legado do HackTown 2026 talvez seja justamente esse: mostrar que inovação não precisa acontecer em grandes centros. Ela pode nascer em uma cidade pequena, ocupar suas ruas e transformar sua identidade.

Quando isso acontece, a cidade deixa de ser apenas o lugar onde a inovação acontece. Ela passa a ser parte da própria inovação.

Conteúdos publicados no espaço Opinião não refletem necessariamente o pensamento e linha editorial do DIÁRIO DO COMÉRCIO, sendo de total responsabilidade dos/das autores/as as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

Sobre o autor

Janayna Bhering

Engenheira, mestre em Ciência e Tecnologia, doutoranda em inovação, com mais de 20 anos de experiência na concepção, estruturação e execução de projetos inovadores em diferentes setores da economia. Especialista em fomento e captação de recursos

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas