Sustentabilidade ganha espaço na estratégia de empresas e estimula a inovação em Minas
Sustentabilidade é a busca pelo equilíbrio entre o suprimento das necessidades humanas e a preservação dos recursos naturais, não comprometendo as próximas gerações. Para que ela seja alcançada, a sociedade precisa discutir a forma como vem explorando e usando os recursos naturais, pensar em alternativas para preservá-los evitando, assim, que esses recursos esgotem-se na natureza. Em um território rico e diverso como Minas Gerais, o tema da sustentabilidade pode impulsionar o desenvolvimento baseado em inovações que levem à preservação da natureza e ao desenvolvimento das populações.
Muito mais do que uma preocupação legítima com o futuro das próximas gerações, a sustentabilidade se tornou um critério de negócio por ser capaz de fomentar o desenvolvimento de tecnologias e processos mais eficientes e também por dar às empresas uma camada extra de prestígio e reputação capaz de atrair parceiros dispostos a unirem suas marcas e realizarem mais negócios e consumidores dispostos não só a escolher a marca de maneira fiel, como até a pagar a mais por isso.
Assim, empresas nacionais e estrangeiras com unidades produtivas em Minas Gerais têm não só empenhado tempo e recursos em práticas sustentáveis, mas também se preocupado em servir de exemplo para toda a cadeia produtiva e em compartilhar inovações tecnológicas e experiências com o mercado.
Em Juiz de Fora, na Zona da Mata, o grupo Humanidade reúne iniciativas voltadas ao desenvolvimento urbano, à convivência, à memória e à transformação social. Sob a marca estão a Estrela Urbanidade, o Passeio Jotaefe, o Parque da Saudade e o Jotaefe Basquete, que atuam de forma independente em diferentes dimensões da vida nas cidades, de loteamentos e espaços de convivência a serviços cemiteriais e projetos esportivos gratuitos para crianças e adolescentes.
De acordo com o fundador, Rodrigo Mendonça, a Humanidade é uma chancela institucional que conecta os negócios a temas como desenvolvimento de pessoas e memória, com foco no fortalecimento do senso de comunidade e na relação das pessoas com o território.
Ele iniciou sua atuação no desenvolvimento urbano com o Estrela Sul, bairro planejado que se consolidou como uma das áreas mais valorizadas da cidade. A experiência foi a base para a fundação da Estrela Urbanidade, com foco na criação de bairros planejados de alto padrão.
O Estrela Alta, seu primeiro projeto, foi lançado em 2018. Desde então, foram mais cinco empreendimentos incorporando praças, clubes, jardins e áreas de convivência para estimular o uso coletivo, indo além de um mero conjunto de lotes imobiliários. Ao longo de oito anos, a empresa alcançou uma média de R$ 60 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV) por empreendimento.
“Temos uma topografia desafiadora. Isso nos coloca algumas questões como qual o tipo de cidade que queremos. Não tem certo ou errado, mas precisamos encaminhar soluções que permitam que todos tenham uma vida melhor. São negócios diferentes, com o mesmo propósito. O objetivo é transformar a vida das pessoas na cidade, ressignificar, levar o nome de Juiz de Fora para o Brasil e trazer o orgulho de volta”, afirma Mendonça.
Os próximos passos da Estrela Urbanidade incluem a expansão regional, com projetos em desenvolvimento em cidades como Alfenas (Sul de Minas), São João del-Rei (Campo das Vertentes) e Ubá (Zona da Mata), em Minas Gerais, e Rio das Ostras, no Rio de Janeiro.
Inovação posiciona Pouso Alegre como hub em sustentabilidade
Em Pouso Alegre (Sul de Minas), a fábrica de cápsulas da multinacional ACG – líder global em soluções para a indústria farmacêutica e nutracêutica – deu mais um passo em sua estratégia global de descarbonização ao implantar um sistema de geração de calor por bomba (heat pump), tecnologia que substitui o consumo de gás liquefeito de petróleo (GLP) por energia elétrica e reduz significativamente as emissões de gases de efeito estufa.
A iniciativa faz parte da agenda global de sustentabilidade da companhia, que prevê alcançar emissões líquidas zero (net zero) até 2050, ampliar o uso de energias renováveis e investir continuamente em soluções capazes de reduzir o impacto ambiental de suas operações, reforçando o compromisso com as pessoas, o planeta e o crescimento sustentável do negócio.

Segundo o diretor de operações da ACG Brasil, Milton Lima, em 2025, a operação de Pouso Alegre deixou de emitir 858,382 toneladas de dióxido de carbono (CO₂) graças ao consumo de energia proveniente de fontes renováveis, resultado certificado e incorporado às iniciativas ambientais da ACG.
“A ACG Pouso Alegre surgiu para atender as demandas de forma mais ágil e sustentável, sem depender da importação. É uma empresa que posicionou o Brasil como hub para a América Latina e América Central dentro da ACG Mundo. Já concluímos a terceira expansão e já estamos olhando para uma nova fase porque o mercado nos propiciou um aumento de market share ao longo desses últimos oito anos”, diz.
Ele acrescenta que a unidade de Pouso Alegre já está consolidada como hub e tem um potencial muito grande dentro do grupo. Hoje ela é enormemente representativa, altamente tecnológica, com um output extremamente voltado para atender o mercado”, afirma Lima.
Já o novo sistema heat pump, desenvolvido em parceria com a empresa finlandesa Oilon, iniciou sua operação em julho de 2026. Diferentemente dos sistemas convencionais, que aquecem a água a partir da queima de combustíveis fósseis, a tecnologia funciona como uma bomba de calor industrial, utilizando energia elétrica para abastecer os processos produtivos.
Dessa forma, é possível gerar energia térmica com muito mais eficiência e praticamente eliminar as emissões diretas decorrentes da combustão de GLP. A expectativa é que a nova solução reduza aproximadamente 1.140 toneladas de CO₂ por ano, número que poderá ser ainda maior conforme a estabilização operacional do equipamento.
“Todo esse esforço faz parte de uma política maior da companhia que preza por uma cultura de responsabilidade socioambiental que visa à perpetuação do negócio. Não existe uma boa empresa em meio a uma sociedade adoecida e a um meio ambiente degradado. A companhia dita a diretriz, e nós buscamos construir e adaptar soluções de acordo com as características e necessidades locais”, diz.
Ele acrescenta que Pouso Alegre exporta conhecimento para o grupo. “O vice-presidente de engenharia esteve aqui na semana seguinte ao início do projeto. Ele conhecia a tecnologia heat pump, mas não a tecnologia da Finlândia. Aí ele começou a perceber oportunidades em outras plantas que não produzem cápsula de gelatina. Então, a visita aqui não é simplesmente para ver como as coisas estão, para discutir projetos, mas traz a troca de insights. Essas inovações são muito interessantes e é muito importante ter autonomia e poder compartilhar, porque a sustentabilidade pede que boas práticas sejam replicadas”, pontua o diretor de operações da ACG Brasil.
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