Dá Sorte prevê triplicar faturamento e chegar a 10 mil pontos em Minas Gerais
A Dá Sorte Loteria, grupo concessionário do governo de Minas Gerais para a operação de loterias no Estado desde 2023, prevê triplicar o faturamento nos próximos três anos, passando dos atuais R$ 2 milhões mensais para cerca de R$ 6 milhões. A expansão será acompanhada pelo aumento dos pontos de atendimento, novos produtos, investimentos em tecnologia, ampliação da estrutura operacional e fomento ao jogo responsável.
De acordo com o CEO da empresa, Roberto Souto, que visitou o Diário do Comércio na terça-feira (22), os US$ 25 milhões anunciados anteriormente para a implantação da operação já foram investidos. Segundo ele, os recursos foram destinados à preparação de sistemas, pessoas e produtos, além de pesquisas com consumidores mineiros, que envolveram 25 grupos de discussão e 1,5 mil entrevistas quantitativas.
Com a expansão atual, a empresa pretende passar dos atuais 1,8 mil para 6 mil pontos de venda até o fim deste ano e chegar a 10 mil unidades em três anos. A estratégia também inclui novos produtos e mais investimentos em tecnologia. “Os US$ 25 milhões já foram investidos. A gente concluiu especificamente nesse início de ano”, afirmou Souto.
Para os próximos anos, a empresa prevê novos aportes, mas ainda não divulga o valor, pois o plano de negócios está em fase de finalização. A programação inclui além dos investimentos em tecnologia e novos produtos, atendimento ao consumidor e experiência do cliente.

Atualmente com mais de 200 funcionários em Minas Gerais, a Dá Sorte também iniciou uma operação em São Paulo. A estrutura mineira concentra áreas como jurídico, marketing, finanças, vendas e operações e funciona como uma espécie de polo de desenvolvimento para a companhia. A expectativa é chegar a aproximadamente 400 funcionários, considerando Minas Gerais e São Paulo nos próximos três anos.
A expansão da rede de pontos de venda ocorre, a princípio, exclusivamente em Minas Gerais. Além dos pontos físicos, a empresa trabalha com uma estrutura de multicanais, que inclui distribuidores, WhatsApp e pontos instalados em supermercados. Os pontos de venda recebem comissão, que varia de 9% a 11%.
A companhia também aposta na tecnologia para ampliar a operação física. Um dos sistemas desenvolvidos permite que o próprio celular do ponto de venda funcione como terminal para validar bilhetes, substituindo as tradicionais maquininhas.
Novos produtos
Atualmente, a Dá Sorte trabalha com dois produtos principais: a Raspadinha e o Trem das 11, loteria convencional com sorteio semanal. A empresa possui quatro tipos de raspadinha e prepara o lançamento de outros cinco modelos ainda em novembro deste ano, conforme informou o CEO da empresa.
O Trem das 11 também passa por mudanças. A empresa lançou uma cartela pré-impressa com QR Code, permitindo que o consumidor participe do sorteio a partir do bilhete adquirido no ponto de venda.
Segundo a empresa, o percentual mínimo destinado a prêmios é de 60% da arrecadação, com média entre 62% e 73%, dependendo do produto. As raspadinhas têm prêmios que chegam a R$ 250 mil, enquanto o Trem das 11 distribui R$ 100 mil por semana.
Jogo responsável
A expansão ocorre paralelamente ao reforço das políticas de jogo responsável. A Dá Sorte acaba de conquistar a Certificação Internacional de Jogo Responsável Nível 3 da World Lottery Association (WLA), patamar que, segundo a empresa, torna a companhia a primeira empresa privada do Brasil a alcançar essa certificação.
De acordo com a head jurídica de compliance da Dá Sorte, Anna Florença, o programa reúne dez frentes de atuação, incluindo pesquisa, tratamento, relacionamento com stakeholders e desenvolvimento de produtos. Antes de chegar ao mercado, os jogos passam por testes relacionados ao potencial de comportamento compulsivo. A empresa também mantém grupos internos de trabalho e treinamento dos pontos de venda.
O CEO da empresa defende que a loteria deve ser tratada como uma forma de entretenimento. “A gente não quer salvar a vida das pessoas, a gente quer entregar diversão com responsabilidade. É essa forma que a gente se posiciona”, afirmou.
A operação física da Dá Sorte tem concessão de 20 anos. Do total arrecadado, 21% são destinados ao Estado de Minas Gerais, com aplicação obrigatória em projetos de seguridade social, conforme explica Ana Florença. “A gente passa 21% para o Estado e esses 21% necessariamente tem que ser investidos em projeto de seguridade social”, esclarece.
O grupo é formado por duas multinacionais do setor de loterias, uma americana Brightstar e a inglesa/italiana Scientific Games, que, segundo Ana Florença, respondem juntas por mais de 80% do mercado mundial de loterias. A operação mineira foi a primeira concessão obtida pelo grupo no Brasil.
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