Produção industrial de Minas cai 8,4 pontos em agosto e setor prevê retração nos próximos meses
Um cenário de pessimismo está se desenhando na indústria mineira. Segundo a sondagem da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), a atividade apresentou retração em agosto no Estado.
O índice de evolução da produção atingiu 43,3 pontos em agosto, ficando abaixo da linha dos 50 pontos, que separa crescimento de queda da atividade industrial. O resultado representa redução de 8,4 pontos em relação a julho, quando o indicador havia registrado 51,7 pontos. Na comparação com agosto de 2025, quando marcou 44,3 pontos, houve queda de 1 ponto.
O menor número de dias úteis no mês contribuiu para o desempenho ruim. A redução na produção industrial do Estado, segundo a economista da Fiemg, Daniela Muniz, não deve ser um fato apenas de agosto, mas se estender pelo restante do ano e até o segundo mês de 2027.
“As perspectivas dos empresários para os próximos seis meses seguem negativas. Os indicadores relacionados à demanda, às compras de matérias-primas e ao emprego apontaram expectativa de retração. As intenções de investimento também recuaram e permaneceram abaixo da média histórica”, disse Daniela Muniz.
Não mudou muito
A economista indica que esse pessimismo do industrial mineiro não mudou muito nos últimos meses, pois ele não consegue ver um horizonte menos nebuloso na economia do Estado e, principalmente, na brasileira. A política econômica nacional segue incomodando muito o setor, gerando incerteza e dúvidas quanto ao futuro.
“O que se tem de conjuntura realmente não tem mudado tanto. O cenário econômico permanece com muitas incertezas, embora tenhamos tido dados mais recentes que apontaram alguma melhora, pelo menos na inflação. O IPCA chegou a registrar uma deflação de 0,32% em agosto, e o resultado da inflação acumulada em doze meses recuou para 4,22%, ficando abaixo do limite superior do intervalo de tolerância da meta do Banco Central“, comenta Daniela Muniz.
“Mas, apesar dessa desaceleração da inflação, as expectativas de inflação para 2026 e 2027 permanecem acima da meta, porque ainda há muitos riscos, e o Banco Central avalia que esses riscos seguem elevados. Por isso, mesmo com a redução da Selic, ainda se considera que os riscos permanecem altos”, completa a especialista.
Variação negativa
Outros dados do segmento industrial mineiro também pioraram de acordo com o levantamento da Fiemg. O emprego industrial também recuou em agosto. O índice de evolução do número de empregados marcou 46,6 pontos, ou seja, recuou 1,9 ponto em relação a julho, quando estava em 48,5 pontos, permanecendo abaixo da linha dos 50 pontos, o que mostra redução. “Ele estava mostrando redução no mês anterior e continuou mostrando redução, só que o índice piorou um pouco”, disse Daniela Muniz.
A utilização da capacidade instalada em relação ao que é usual para o mês também diminuiu. O indicador marcou 39,3 pontos em agosto, 4,1 pontos abaixo de julho, quando estava em 43,4 pontos. Isso mostra que as empresas operaram com capacidade produtiva inferior ao padrão habitual para agosto. Na comparação com o mesmo mês de 2025, também houve queda de 1,4 ponto. Ou seja, parece que realmente houve uma desaceleração.
Os estoques de produtos finais voltaram a recuar em agosto, após dois meses consecutivos de aumento. O índice passou para 47,9 pontos, indicando redução dos estoques, e o indicador de estoque efetivo em relação ao que foi planejado pelos empresários também ficou em 47,9 pontos. Isso mostra que os estoques permaneceram abaixo do nível planejado pelos industriais pelo 13º mês consecutivo.
Vê-se, então, que os três índices de expectativa que se apuram estão com expectativa negativa, ou seja, de queda para os próximos seis meses. A intenção de investimento também perdeu força: o indicador caiu de 53,8 pontos em agosto para 51,4 pontos em setembro, ficando abaixo da média histórica, que é de 52,9 pontos”, afirmou Daniela Muniz.
“Então, o que a gente pode ver disso? Os resultados mostraram uma perda de ritmo da indústria mineira em agosto, acompanhada por uma piora das expectativas para os próximos meses”, avaliou a economista.
Desaceleração
De acordo com Daniela Muniz, o segundo semestre é mais aquecido para a indústria, porque datas como Black Friday e as festas de fim de ano incrementam o consumo. Todavia, com a perspectiva de essa desaceleração continuar, o resultado pode não ser de “alívio temporário”, como é habitual.
“Se considerarmos que os próximos três meses fazem parte justamente de um período que normalmente é aquecido para a economia. A indústria costuma ter um pico de produção e vendas até outubro, mais ou menos, porque a partir daí ela passa para o comércio, com a Black Friday e as vendas de fim de ano”, disse Daniela Muniz.
“Então, realmente precisamos dedicar atenção a isso agora. Nos próximos meses, teremos uma noção melhor se foi um movimento pontual ou se realmente é uma tendência de desaceleração”, concluiu a economista.
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