Linhas de crédito impulsionam produção sustentável e crescimento do café mineiro
Principal Estado produtor de café no Brasil, Minas Gerais deve colher 32,4 milhões de sacas neste ano, um salto de 25,9% frente às 25,7 milhões da safra anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume reforça o peso mineiro no cenário nacional: em 2025, o Estado respondeu por 45,5% da produção brasileira. Para 2026, a expectativa é que essa participação avance para 49%.
Nesse cenário de crescimento, cafeicultores de Minas vêm investindo, cada vez mais, em técnicas de produção sustentável, como uso intensivo de matéria orgânica e aplicações de produtos biológicos nas plantações. Com o novo modelo de produção, que agrega valor aos produtos, grãos mineiros têm conquistado certificações e os mercados europeu e norte americano.
Proprietário da Fazenda Congonhas Estate Coffee, em Patrocínio, no Alto Paranaíba, Lázaro Ribeiro começou a cultivar os primeiros pés de café há 40 anos. Desde 2021, ele passou a adotar práticas regenerativas e – para estar conectado às exigências do mercado que, segundo ele, vem priorizando a compra de produtores com práticas de cuidado com o solo e o meio ambiente – recorreu a uma linha de crédito do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).
“No ano passado fiz uma contratação de cerca de R$ 1,6 milhão. O valor é destinado a esse investimento em uma produção mais sustentável”, destaca. O empréstimo faz parte de uma linha ofertada pelo banco, a Funcafé, exclusiva para produtores de grãos.
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Ainda segundo Ribeiro, o investimento na cobertura e proteção do solo, na compra de mudas e sementes e na adoção de defensivos biológicos, representou avanços. “O solo melhorou e passou a reter mais umidade. A raiz da planta fica mais profunda. Os resíduos do processamento do café passaram a constituir um composto orgânico que é retornado para lavoura em forma de adubação. O café ganha em qualidade e é mais bem visto no mercado. Trabalhamos com variedades de arábica que traduzem diversas notas sensoriais. A mais procurada é o bourbon amarelo”, diz.

O empreendimento, que começou com 40 hectares, hoje conta com 300 hectares integralmente cultivados com práticas regenerativas. A produção para este ano é estimada em oito mil sacas e, de acordo com o cafeicultor, deve ser exportada para mais de 35 países por meio de uma cooperativa.
Também em Patrocínio, a Bom Jardim Estate Coffee, que integra a Rota do Café, é outra empresa que impulsionou suas práticas de produção sustentáveis por meio da linha de crédito. No ano passado, segundo o cafeicultor Mário Alves, foram contratados cerca de R$ 2 milhões via BDMG. “Com o crédito, investimos na compra de adubo organomineral, defensivos biológicos e plantas de cobertura. O manejo sustentável é um trabalho em progresso, em que os benefícios só se acumulam com o tempo”, afirma.
A propriedade recebe visitas de turistas brasileiros e estrangeiros e até de outros produtores que desejam conhecer o modelo de produção adotado. Os 300 hectares de café estão em uma área 100% irrigada e com colheita mecanizada. “Temos um produto com origem controlada e muito valorizado”, afirma Alves. Toda a colheita vai para o mercado externo. A expectativa de produção para este ano é de 50 sacas por hectare.
Queremos ampliar os financiamentos, diz presidente do BDMG
Além do Funcafé, o BDMG também financia produtores do grão por meio de outras linhas de crédito, especialmente as com foco na agricultura regenerativa, como parte do programa BDMG LabAgrominas. Usando como canal as cooperativas de crédito, a iniciativa visa apoiar a transição para práticas mais sustentáveis de produção. As mudanças contribuem para que o agro mineiro alcance mais e novos mercados
“Os cafeicultores mineiros são referência em produção e, cada vez mais, têm adotado técnicas sustentáveis de produção que elevam o padrão de qualidade dos grãos. O BDMG tem um longo histórico com quem produz café e queremos ampliar esses financiamentos cada vez mais”, afirma o presidente do Banco, Gabriel Viégas Neto.
Para a assessora técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Faemg Senar), Aline Veloso, as linhas de crédito na cadeia produtiva são muito importantes por se constituirem como mais um agente de crédito no mercado.
“Assim como em outras cadeias produtivas, o produtor rural de café já é bastante atento às boas práticas agropecuárias. O acesso a outras tecnologias, que possibilitem a regeneração ou consórcio com outras culturas, melhora ainda mais as condições de produção, corroborando para o desenvolvimento das atividades do campo. Esse cenário resulta ainda mais na qualidade do nosso café”, conclui.
O BDMG também disponibiliza financiamentos por meio de outras linhas de crédito, como a Bioinsumos e Solo Mais, voltadas para financiar projetos de cafeicultura regenerativa e que integram o projeto LabAgroMinas. Os empréstimos são operados pelas cooperativas de crédito parceiras do Banco. Todas as informações estão no site oficial do banco.
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