Chuvas atingem mais de 400 produtores na Zona da Mata e provocam perdas em hortaliças e leite
Os prejuízos causados pelas fortes chuvas que atingiram Minas Gerais na última semana também chegaram ao campo. Na Zona da Mata mineira, uma das regiões mais atingidas, pelo menos 402 produtores foram afetados e relataram perdas, principalmente nas áreas ocupadas com hortaliças e na produção de leite. De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), fevereiro foi um dos meses mais chuvosos dos últimos anos em Minas Gerais.
Atuando junto aos produtores na Zona da Mata, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) levantou dados sobre os impactos das chuvas no setor agropecuário. Ao todo, 402 produtores rurais foram prejudicados pelas fortes chuvas na região. Desse total, 205 produtores são do município de Ubá. Os demais estão em Juiz de Fora (109) e em Matias Barbosa (88).
Os prejuízos foram registrados principalmente nas áreas ocupadas com hortaliças, em sua maioria com plantio de couve, alface e cebolinha. Ao todo, foram 45,2 hectares de lavouras com perda total por causa do encharcamento do solo. A maior parte das lavouras é de Juiz de Fora, onde 24,4 hectares de hortaliças foram perdidos. Em Ubá, as perdas ocorreram em 18,8 hectares e, em Matias Barbosa, dois hectares de folhosas foram perdidos.
Além das perdas na produção de hortaliças, as fortes chuvas também prejudicaram as estradas vicinais que dão acesso a unidades produtoras, causando problemas no transporte da produção de leite. Os pecuaristas da região também tiveram perdas nas áreas de pastagem e na produção de silagem. O presidente do Sindicato Rural de Juiz de Fora, que representa os produtores rurais também de Matias Barbosa, Osni Pessamilio, explica que as perdas foram muitas.
“A produção de hortaliças foi muito afetada, as perdas chegam a praticamente 100%. No caso do leite, os produtores com gado confinado tiveram perdas menores, mas a situação do produtor com gado a pasto é mais complicada. Houve uma perda grande da silagem também, quem plantou mais cedo conseguiu colher. Mas, como teve atraso no plantio, a grande maioria não colheu. Então, estamos perdendo o milho que já estava em ponto de colheita. Com o terreno molhado, nas partes mais altas as máquinas escorregam e nas partes baixas, com muita água e barro, não conseguem colher. Com isso, o milho está secando e passando do ponto. Se a gente conseguir colher, vamos perder muito em quantidade e qualidade da silagem”.
Pessamilio explica ainda que os prejuízos causados pelas chuvas agravaram ainda mais a situação do produtor de leite, que vinha há cerca de nove meses registrando queda nos preços do leite.
“A previsão era a gente colher uma supersafra de silagem, mas agora, infelizmente, vamos perder. Os produtores estão perdendo na venda do leite, com os preços baixos, e agora com a alimentação do gado. Vamos perder muito”.
Outro problema causado pelo excesso de chuvas é o atraso do plantio da safrinha. Conforme Pessamilio, a soma de atrasos – implantação da primeira safra e colheita – já chega a cerca de 60 dias, o que pode inviabilizar a implantação. “A janela de plantio ficou muito curta e não sabemos se os produtores vão conseguir implantar a safrinha”.
Em busca de ajudar os produtores, o Sindicato e o Sistema Faemg Senar distribuíram um questionário para os produtores filiados com o objetivo de identificar as perdas e demandas mais urgentes. A ideia é levantar os gargalos e buscar soluções.
Diante das perdas, os técnicos da Emater-MG estão orientando os produtores rurais sobre como solicitar a prorrogação de dívidas de crédito rural e as maneiras de restabelecer as áreas de produção, com alternativas de cultivo. Há ainda equipes da Emater-MG trabalhando em parceria com a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) na identificação e no mapeamento de famílias rurais que residem em áreas de risco.
Impacto nas atividades agrícolas
Conforme dados do Inmet, o excesso de chuvas tem impactado de forma significativa o ritmo das atividades agrícolas em Minas Gerais.
O levantamento feito pelo instituto mostra que o plantio do milho da segunda safra, realizado após a colheita da soja, avança lentamente, uma vez que os elevados volumes acumulados e a frequência das precipitações mantêm o solo excessivamente úmido, restringindo a entrada de máquinas nas lavouras e atrasando operações essenciais, como a adubação de cobertura e o controle de pragas e plantas daninhas.
O Inmet alerta que a ocorrência de dias consecutivos com chuva tende a intensificar a condição de solo encharcado, podendo comprometer o estabelecimento das áreas recém-semeadas de milho e afetar diretamente o número de plantas por área. Além disso, a alta umidade no solo durante a fase de maturação e colheita do feijão da primeira safra tem comprometido a qualidade dos grãos.
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