Crédito: Paulo Whitaker/Reuters

O agronegócio mineiro, embora não escape dos medos surgidos a partir da pandemia de Covid-19, mantém-se firme e em busca de bons resultados na safra. Um indicador disso é a demanda por crédito rural. De acordo com os dados da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) – que se referem ao período de julho a setembro de 2020 comparado a igual intervalo do ano passado –, já foram desembolsados para o setor no Estado R$ 8,81 bilhões, um aumento de 16% em relação ao período anterior. Já em número de contratos, o avanço foi de 11%, passando de 59.462 para 65.852 documentos assinados.

Do total de recursos, 68,7% foram dedicados à agricultura (R$ 6,05 bilhões), revelando um crescimento de 15% em relação ao ano passado, quando foram disponibilizados R$ 5,26 bilhões. Já a pecuária registrou um crescimento de 19% no valor aplicado.

De acordo com o superintendente de Inovação e Economia Agropecuária da Seapa, Carlos Eduardo Oliveira Bovo, os números são positivos na medida em que mantêm o desempenho do Estado em um nível histórico importante, mesmo no cenário da pandemia.

“Minas segue uma tendência já estabelecida nos últimos anos. Mantivemos a participação do Estado entre 12% e 13% em valores aplicados. A agricultura é o carro-chefe, tendo, normalmente, o café como um dos produtos que mais puxa o resultado junto com a soja. E na pecuária, o gado de leite e corte. O que a gente percebe é o cuidado do produtor com a situação de pandemia, em um primeiro momento, retardando a aquisição do crédito. A percepção de um cenário muito positivo – com recorde de safra, produção e produtividade no Estado em alta, consumo interno e externo crescendo – estimulou o produtor a investir”, explica Bovo.

Linhas – Dentre as linhas, os desembolsos para investimentos – que são recursos aplicados em bens ou serviços duráveis, cujos benefícios repercutem durante muitos anos – estão 51% maiores, passando de R$ 1,51 bilhão para R$ 2,28 bilhões. Na linha de custeio – para cobrir as despesas normais dos ciclos produtivos -, que concentra a maior parte dos recursos, a elevação foi de 7%, com um volume de R$ 4,61 bilhões.

Na linha de comercialização – que assegura ao produtor rural e a suas cooperativas os recursos necessários à adoção de mecanismos que garantam o abastecimento e levem o armazenamento da colheita nos períodos de queda de preços –, o desempenho foi um pouco mais tímido. Houve crescimento de 6% no volume de recursos e recuo no número de contratos assinados de 46%, saindo de 1.016 para 549 documentos.

Por fim, na linha industrialização – que apoia a industrialização de produtos agropecuários, quando efetuada por cooperativas ou pelo produtor rural em sua propriedade rural –, a variação foi positiva em 24%, saltando de R$ 210 milhões para R$ 260 milhões na safra 2020/2021 em relação à imediatamente anterior.

Atividades – Na agricultura, a participação de Minas Gerais no cenário nacional se manteve estável entre os períodos comparados. O número de contratos foi de 10% do total nacional – subindo de 25.229 para 26.430 contratos (5%). O valor dos mesmos caiu um pouco acima de um ponto percentual, passando de 13,08% para 11,78%.

Na pecuária, o fenômeno não se alterou. Em valores, houve decréscimo de pouco mais de um ponto percentual, passando de 13,45% de participação nacional para 12,36% no período analisado, caracterizando estabilidade.

“Um fator muito importante é a exportação. A demanda criada na Europa e China animou o produtor. Desde o começo, sabendo o que estava acontecendo na China, articulamos com os setores produtivos e agentes financeiros para discutirmos a situação do crédito e das dívidas. Os bancos estavam sensíveis a isso e flexibilizaram muitas situações. Além disso, o lançamento e uso de muitos aplicativos facilitaram a vida dos produtores, que não podiam mais se deslocar até as agências físicas para o atendimento nessas instituições”, pontua.

Entre os produtos mais bem ranqueados na conquista dos contratos de custeio, não houve alteração na lista dos cinco primeiros. A maior diferença foi a ligeira queda do café, que passou de 63% para 60% (de R$ 741,64 milhões para R$ 647,18 milhões). As culturas seguintes foram a soja, que se manteve estável em 15%; o milho, que subiu de 9% para 10%; a cana-de-açúcar, que passou de 4% para 5%; e o algodão, de 2% para 3%. Outras culturas cresceram de 7% para 8%. O total de recursos recuou de R$ 1,184 bilhão na safra 2019/20 para R$ 1,077 bilhão na atual.

“O crédito rural é muito importante, porque é através dele que o produtor tem acesso à inovação, insumos, implementos, novo maquinário, por exemplo. O setor não parou durante a pandemia, a maioria funcionou muito bem. Mesmo a panha do café, que é uma situação de risco, graças ao protocolo, a coisa fluiu bem. Essa resiliência dos produtores explica porque o agronegócio mineiro e brasileiro passou com louvor por esse período mais crítico da pandemia e deve ser um propulsor da retomada da economia em 2021”, completa o superintendente de Inovação e Economia Agropecuária da Seapa.