Dia da Cachaça destaca força de Minas e nova geração de produtores em Salinas
No Dia Nacional da Cachaça, celebrado neste domingo (13), Minas Gerais lidera o setor no País, com 564 estabelecimentos elaboradores registrados, o que corresponde a 36,7% do total brasileiro. Os dados são do Anuário da Cachaça 2026, desenvolvido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Em Salinas, no Norte de Minas, essa tradição também passa pela sucessão familiar: as irmãs Daniele Sarmento e Leila Dayse Sarmento assumiram a produção criada pelo pai, Antônio Sarmento, o “Seu Tonico”, e transformaram uma homenagem aos 30 anos da Cachaça Salineira em um novo capítulo do negócio da família.
Da homenagem à sucessão
São iniciativas como a das irmãs que ajudam a manter a tradição da cachaça forte em Minas Gerais. No caso de Daniele e Leila, a sucessão à frente da cachaçaria ganhou novo rumo em 2021, quando elas levaram à Expocachaça um lote comemorativo de mil garrafas pelos 30 anos da Salineira. A bebida recebeu Duplo Ouro no concurso, e o resultado pesou na decisão de dar continuidade à produção.
“Foi a partir do prêmio que reativamos a fazenda, recuperamos tudo o que tinha lá e recomeçamos. Fizemos um novo canavial para recomeçar a produção, sabendo dessa qualidade e também do terroir de Salinas, que já tem esse ponto positivo a nosso favor”, relembra Leila.
O processo de sucessão, porém, havia começado antes. Em 2019, depois que Seu Tonico se afastou para cuidar da saúde, Daniele passou a assumir gradualmente a gestão e as decisões comerciais. Leila, que trabalhava no setor bancário, entrou de forma definitiva na administração depois da premiação de 2021.
A primeira produção conduzida integralmente pela nova geração saiu em 2023, mantendo a colheita manual da cana e a fermentação natural. O primeiro lote chegou ao mercado em 2024. “A nossa produção continua sendo colheita manual, porque nós só produzimos anualmente 15 mil litros de cachaça. O nosso foco é a qualidade, e não a quantidade. Então, para um canavial de dois hectares, a colheita deve ser manual”, explica Leila.
Melhoria técnicas
A produção também passou por uma mudança no processo de fermentação. Segundo ela, a família mantém a fermentação natural, mas passou a utilizar leveduras selecionadas. “Mudamos um pouco e implantamos as leveduras selecionadas. Foi um projeto feito pela UFMG, que capturou as próprias leveduras de Salinas, e a gente investiu nesse projeto para que obtivesse maior produtividade ao final, menor acidez e mais qualidade na cana”, afirma.
Segundo Leila, a mudança é uma das principais adaptações feitas pela nova geração em relação ao processo herdado do pai. “Todo o processo foi herdado pelo nosso pai, porém fomos modificando com o uso das leveduras selecionadas, evitando maior acidez. O tempo de produção fica bastante inferior ao tradicionalmente realizado”, esclarece.
Salinas no topo
A trajetória da família ocorre em um município que ocupa posição de destaque no setor. Salinas recuperou, em 2025, a liderança nacional em número de estabelecimentos elaboradores registrados, com 27 unidades. O município também concentra 319 produtos de cachaça registrados, o maior número entre as cidades brasileiras e o equivalente a 10,9% das cachaças registradas em Minas Gerais. A média é de 11,8 produtos por estabelecimento.
No Estado, são 2.922 cachaças registradas, 34,9% do total nacional, com aumento de 430 produtos em relação ao ano anterior. Minas também chegou a 4.043 marcas registradas, ante 3.478 em 2024.
A família também produz a Valiosa, em versões branca, blend com passagem por duas madeiras e uma edição envelhecida em carvalho. As diferentes marcas da família somam sete medalhas em concursos nacionais, segundo o material da empresa.
Para Leila, a continuidade do trabalho está ligada à manutenção do padrão construído pelo pai. “A qualidade não está apenas nas cachaças novas. Está em todas as edições. É um produto que carrega um legado”, pondera.
Mercado externo
O avanço dos registros ocorre em um mercado que também ampliou a presença no exterior. Segundo o Anuário da Cachaça 2026, o Brasil exportou 7,96 milhões de litros de cachaça em 2025, alta de 19,4% sobre 2024. O valor das exportações chegou a US$ 17,07 milhões, crescimento de 17,4%, com a bebida enviada para 76 países.
Os Estados Unidos lideraram em valor, com US$ 4,12 milhões, enquanto o Paraguai ficou na primeira posição em volume, com 1,34 milhão de litros. Alemanha e Estados Unidos aparecem na sequência entre os principais destinos por quantidade.
Apesar do crescimento das vendas externas, o preço médio da cachaça exportada recuou de US$ 2,18 para US$ 2,15 por litro em 2025. Para o diretor-presidente da Associação Nacional dos Produtores e Integrantes da Cadeia Produtiva e de Valor da Cachaça de Alambique (Anpaq), Sérgio Maciel, o dado mostra o potencial de valorização das bebidas de maior valor agregado.
“Imaginem o potencial que temos quando as nossas cachaças de alambique, especialmente as cachaças premium, conquistarem o mercado brasileiro e, principalmente, o internacional. Os valores para Minas e para o Brasil serão muito além, bem mais significantes. Minas Gerais tem tudo para liderar esse movimento”, afirma.
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