Agronegócio

Excesso de chuvas atrasam colheita do café no Sul de Minas

Precipitação acima da média para junho foi a principal responsável pelas intercorrências nas operações
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Excesso de chuvas atrasam colheita do café no Sul de Minas
Cafés mofaram em terreiro de propriedade de Santo Antônio do Amparo, no Sul de Minas | Foto: Divulgação Faemg Senar

O Sul de Minas Gerais chega à metade do calendário da safra do café com apenas 30% da colheita concluída, além de registros de paralisações, atrasos, floração antecipada e queda na qualidade. Os dados foram coletados por meio de entrevistas com 32 técnicos de campo do Programa ATeG, do Sistema Faemg Senar, que é responsáveis por cerca de 900 propriedades de café no Sul e parte do Centro-Oeste do Estado.

A chuva acima da média para junho foi a principal responsável pelas intercorrências. Segundo a Fundação Procafé, entidade de pesquisa que faz a medição do índice pluviométrico, choveu 64 milímetros em Varginha, em junho, o que representa o dobro da média histórica de 32,4 milímetros, computada desde 1974.

Durante a colheita do café, a incidência de precipitações recorrentes causou dificuldades para os trabalhadores e prejuízos para os produtores. Segundo os técnicos de campo, as chuvas exigiram a paralisação dos trabalhos em todas as fazendas atendidas, sendo que, para 47% dos casos, a interrupção durou até dez dias; para 43%, durou até 5 dias; e para 9% deles, mais de dez dias.

Para o supervisor do ATeG, Guilherme Ferreira Marques,em caso de chuva, a colheita precisa ser interrompida tanto em áreas mecanizadas quanto em áreas de colheita manual. “ Ela causa queda dos frutos no chão, o que dá mais trabalho para serem retirados. Já os grãos que estão no terreiro vão molhar e atrasar a secagem nas propriedades que não têm secadores. Esse excesso de umidade nas duas situações pode provocar ataque de fungos, o que leva a queda da qualidade da bebida”, analisa.

A colheita do café está atrasada em 97% das fazendas atendidas pelos técnicos de campo consultados. Eles também apontaram que esse atraso pode ser de até 20 dias para 37% deles; até 15 dias para outros 37%; e de até dez dias para 15% dos profissionais.
A evolução da colheita nessas propriedades atingiu 30% no início deste mês. O dado reforça o atraso frente à safra do ano anterior, quando 52% da colheita já estava concluída.

Floração antecipada

Os dados apontam também que houve floração antecipada em, pelo menos, 213 propriedades em consequência das chuvas atípicas. Uma delas ocorreu na Fazenda Lagoinha, em Lagoa da Prata, no Centro-Oeste do Estado.

“Quase toda a lavoura de 4 mil pés de cafés floriu em junho. A nossa sorte é que a colheita estava adiantada”, contou o cafeicultor Wandilson Castro Lacerda. Por lá, as chuvas também paralisaram os trabalhos por uma semana inteira.

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