Agronegócio

Clima favorável impulsiona expectativa positiva para a safra mineira de café

Clima favorável e bienalidade positiva elevam expectativa para a safra de café em Minas Gerais.
Clima favorável impulsiona expectativa positiva para a safra mineira de café
Segundo a Emater-MG, os tratos culturais e o manejo aplicados pelos produtores também contribuem para uma safra maior no Estado, com projeção de alta de 25,9% | Foto: Erasmo Pereira / Epamig

Maior produtor de café do Brasil, Minas Gerais já iniciou a colheita da safra 2026/27 do grão. Ao longo do ciclo, os eventos climáticos aconteceram de formas mais favoráveis que na safra anterior, o que traz boas expectativas em relação à qualidade e ao rendimento da safra. A previsão é colher cerca de 32,4 milhões de sacas de 60 quilos, volume 25,9% maior em comparação com ao produzido na safra anterior. No Estado, a colheita foi iniciada nas Matas de Minas, parte da região Sul e no Cerrado, e deve ganhar maior ritmo entre junho e julho.

Conforme o levantamento feito junto aos produtores pelo Sistema Faemg Senar, a expectativa é de recuperação na produção, mas o volume a ser colhido ainda ficará longe de uma super safra.

“Nós temos uma perspectiva mais positiva para a safra atual, primeiramente, em função da bienalidade positiva, que é de uma carga alta, e as lavouras se recuperaram bem para esse ano. Então, a gente tem essa perspectiva melhor e, principalmente, de uma peneira maior”, explicou a analista de agronegócios do Sistema Faemg Senar, Ana Carolina Gomes.

A recuperação da safra de café é atribuída aos eventos climáticos que ocorreram na época adequada, como as chuvas que favoreceram o enchimento dos grãos e também a recuperação na peneira.

“Nas últimas safras, a gente registrou sequências de peneiras baixas por conta de chuvas fora da época ou até mesmo uma escassez maior que acabou culminando em peneiras menores. Na safra de 2025, por exemplo, tivemos um baixo rendimento, justamente por conta do tamanho do grão. Até o momento, nas regiões onde a colheita foi iniciada, os cafeicultores têm registrado uma peneira mais graúda, o que sinaliza para uma safra mais favorável”, analisou Ana Carolina Gomes.

O coordenador técnico Estadual de Cafeicultura da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), Bernardino Cangussu Guimarães, explica que o ritmo da colheita ainda é lento, mas deve ganhar maior velocidade em julho. Entre os receios, está o risco de frentes frias e chuvas, o que pode prejudicar o processo de colheita e a qualidade do café.

“A colheita da safra 2026 de café ainda está lenta, com cerca de 7% a 8% das áreas começando o processo. Os cafés estarão com grau de maturação ideal para a colheita a partir de junho, com o ápice da colheita em Minas em julho. Há uma certa preocupação com a possibilidade de frente fria no Sul de Minas, já que foram registradas chuvas no final de semana e estão previstas novas precipitações. Caso isso ocorra, pode atrasar e prejudicar um pouco, comprometendo a qualidade. Mas, é preciso acompanhar e avaliar”, explicou.

Ainda conforme Cangussu, até o momento, as condições seguem favoráveis para que a produção de café em Minas Gerais atinja o volume previsto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que é de 32,4 milhões de sacas de 60 quilos. Ele reforçou que as chuvas do início do ano foram importantes para o enchimento dos grãos e para a recuperação dos cafezais. Nesta safra, houve menos abortamentos e menos quedas de grãos, fatores que favorecem a qualidade.

“Os tratos culturais e o manejo aplicados pelos produtores também contribuem para um safra maior. Com os preços remuneradores praticados nas últimas safras, o cafeicultor teve condições de investir nas lavouras, apesar do preço dos insumos ter subido bastante em função das guerras”, completou.

De acordo com o coordenador da Emater-MG, até o momento, a colheita foi iniciada em áreas mais baixas e com temperaturas mais elevadas, o que favorece a maturação.

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