Juros nocivos
A manutenção da taxa de juros em patamares elevados, como já é de conhecimento de todos, tem efeitos nocivos ao setor produtivo e vem se tornando um problema estrutural no Brasil. Em um momento em que o País precisa ampliar investimentos, gerar empregos e aumentar a produtividade, o custo do dinheiro continua funcionando como um freio para empresas de todos os portes.
O uso da política monetária como instrumento para conter a inflação é de extrema importância para o desenvolvimento sustentável da economia. Porém, o remédio que o Comitê de Política Monetária (Copom) vem utilizando, ao que parece, está um pouco mais amargo que o necessário.
Reportagem publicada na segunda-feira (18) pelo Diário do Comércio mostra que grandes empresas, que no passado investiram na ampliação do portfólio, estão fazendo o caminho contrário e se retirando de alguns segmentos para investir no negócio principal. O chamado core business passou a ser questão de sobrevivência, e não apenas estratégia.
Especialistas explicam que essas decisões são tomadas em função da necessidade de capital para manter outros segmentos ativos dentro da empresa. Isso demanda crédito, que, por sua vez, está muito caro no mercado brasileiro.
Os setores mais afetados são justamente aqueles que mais necessitam de financiamento, como infraestrutura, construção civil, agronegócio e transportes. São áreas fundamentais para o desenvolvimento do País e para a geração de empregos. Estudos recentes mostram que empresas altamente alavancadas sofrem quedas expressivas de rentabilidade em cenários de juros elevados.
É evidente que o controle da inflação é necessário e que a política monetária tem papel importante na estabilidade econômica. No entanto, juros excessivamente altos por períodos prolongados produzem efeitos colaterais severos. A economia desacelera, o crédito encolhe e o ambiente de negócios perde dinamismo.
O resultado é um círculo vicioso. Empresas investem menos, a produtividade cresce pouco, o consumo enfraquece e o Brasil perde competitividade. Em vez de estimular o crescimento sustentável, o País acaba premiando aplicações financeiras e penalizando quem produz, emprega e empreende.
O Brasil precisa construir condições para operar com juros mais compatíveis com sua realidade produtiva. Segurança fiscal, previsibilidade econômica e responsabilidade na condução das contas públicas são fundamentais para isso. Sem um ambiente de crédito mais saudável, o País continuará limitando o potencial de expansão de suas empresas e, consequentemente, do próprio desenvolvimento nacional.
Ouça a rádio de Minas