Crédito: José Gomercindo / AENotícias

Com investimentos de R$ 13 milhões, está em construção, em Varginha, no Sul de Minas Gerais, o primeiro Centro de Excelência em Cafeicultura do País. Com previsão de inauguração para dezembro deste ano e início dos cursos no primeiro trimestre de 2021, o espaço será utilizado para a formação de profissionais para atuarem na cadeia da cafeicultura estadual e nacional. A estimativa é capacitar cerca de 500 pessoas por ano.

De acordo com o vice-presidente do Sistema da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e presidente das comissões técnicas de Café da Faemg e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita, o centro de excelência será fundamental para a capacitação dos profissionais demandados pela cadeia do café. Com a formação de mão de obra especializada para toda a cadeia do café, haverá agregação de qualidade e valor ao café.

“O Centro de Excelência em Cafeicultura será um formador de profissionais de alto gabarito para atender à cafeicultura de Minas Gerais e do Brasil. A escolha de Varginha aconteceu pela grandeza da cafeicultura no Sul de Minas, que concentra mais da metade da produção de café. Além disso, a estrutura da cidade – com porto-seco e empresas diversas voltadas para a cafeicultura – tornou o município estratégico para os interesses da cafeicultura”, disse Mesquita.

A expectativa é de que as obras e a inauguração aconteçam até dezembro deste ano. A partir do primeiro trimestre de 2021, devem ser iniciados os cursos, que serão de nível técnico e superior.

Conforme Mesquita explicou, a ideia é formar cursos conforme a demanda da cadeia do café. “Nossa ideia é formar o profissional que o mercado precisa. Inicialmente os cursos terão ênfase na produção de café, mas nada impede que as demandas por outros tipos de cursos sejam feitas. A visão do Sistema Faemg é acompanhar o avanço da produção do café e, principalmente, disponibilizar profissionais que estejam na vanguarda da cafeicultura brasileira”, destacou.

O Centro de Excelência em Cafeicultura contará com espaço para exposições, centro de convenções, quatro laboratórios, sendo um exclusivo para cafés especiais, salas de aulas e áreas para pesquisas e experimentos.

Potencial econômico O prefeito de Varginha, Vérdi Lúcio Melo, ressalta que a construção do centro da cafeicultura é importante para o município, que tem a atividade do café como uma das principais geradoras de arrecadação.

Além disso, o espaço irá gerar empregos diretos, indiretos e contribuir para a capacitação das pessoas, o que pode elevar a renda das famílias e melhorar toda a economia da região.

“É uma obra fantástica, feita com muito planejamento em um local próximo à fazenda experimental da Fundação Procafé. O café é um dos principais produtos que representam nosso Valor Adicionado Fiscal (VAF) e, consequentemente, no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Nós temos muitas empresas exportadoras de café, cerca de 80 a 100. Esse centro, além de gerar empregos diretos, cerca de 50, vai formar 500 pessoas do ramo da cafeicultura a cada dois anos”, afirmou.

Ainda segundo Melo, a capacitação dos profissionais deve agregar valor ao café, estimulando o aumento da qualidade, da produtividade e da produção de cafés especiais.

“O Sul de Minas e o Estado irão ganhar muito com esse investimento. O município participou doando a área porque acreditamos que o projeto será extremamente importante para a população mineira. Então, estamos muito felizes e reconhecemos a importância do projeto, que irá contribuir para a capacitação dos profissionais e para a melhoria da qualidade dos cafés produzidos no Estado”, explicou Melo.

Liberações de fundo superam R$ 1,5 bilhão

São Paulo – A liberação de recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) a agentes financeiros na safra 2020 atingia, até quinta-feira, R$ 1,523 bilhão, informou, na sexta-feira (7), o Conselho Nacional do Café (CNC), citando dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Segundo a entidade, o valor liberado representa 37,2% do total contratado até o momento por bancos e cooperativas de crédito na temporada, de R$ 4,095 bilhões.

A maior parte do volume repassado foi destinada para créditos à comercialização, que somaram R$ 706,4 milhões – ou 30,7% do total, de acordo com o CNC. Além disso, 29,4% foram destinados para capital de giro e 23,9% ao custeio.

Até agora, 24 instituições financeiras aparecem na lista divulgada pelo CNC sobre o volume contratado, embora oito delas ainda não registrem montantes liberados.

O Rabobank encabeça a lista em termos de volume contratado, com R$ 624,7 milhões, mas com R$ 206,4 milhões liberados, enquanto o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) possui o maior volume já liberado, com R$ 303 milhões.

O valor total autorizado para o Funcafé em 2020 é de R$ 5,71 bilhões. (Reuters)