Agronegócio

Minas Gerais conquista primeira certificação do Brasil para piscicultura ornamental

Reconhecimento representa um marco histórico para toda a cadeia produtiva de peixes ornamentais do País
Minas Gerais conquista primeira certificação do Brasil para piscicultura ornamental
Produtora familiar Rosângela Aparecida Martins com o certificado | Foto: Diego Vargas / Seapa

Minas Gerais entra para a história da piscicultura ornamental brasileira com uma ação inédita. A produtora familiar Rosângela Aparecida Martins, do município de Vieiras, na Zona da Mata, recebeu a primeira certificação oficial do País para a atividade. O reconhecimento, emitido pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), simboliza não apenas uma conquista individual da produtora, mas também um marco histórico para toda a cadeia produtiva de peixes ornamentais do Brasil.

A entrega ocorreu durante agenda do governador Mateus Simões em Viçosa, na mesma região, município que se destaca como o maior polo de produção de peixes ornamentais de Minas, Estado líder nacional na atividade. A certificação para piscicultura ornamental foi instituída e regulamentada por portaria do IMA publicada em setembro de 2025. A norma estabelece critérios relacionados à rastreabilidade, biosseguridade, sustentabilidade ambiental, bem-estar animal e boas práticas de produção.

A ação integra o Programa Certifica Minas, coordenado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e executado pela Emater-MG, pela Epamig e pelo IMA. A iniciativa busca agregar valor aos produtos mineiros, ampliar mercados e fortalecer a competitividade da cadeia produtiva. “Além disso, abre novas oportunidades comerciais para os produtores do setor e facilita o acesso a políticas públicas.”, destacou o secretário de Agricultura e Pecuária, Thales Fernandes.

A piscicultora Rosângela Aparecida Martins é a primeira a receber o selo por ter apresentado um sistema de produção estruturado e, totalmente, em conformidade com as normas estabelecidas pelo instituto. Com mais de 20 anos de atuação no setor, ela está à frente do empreendimento rural “Criando Vidas”, ao lado do filho e da mãe, em uma pequena propriedade em Vieiras. A estrutura conta com 11 estufas e 122 viveiros destinados à criação de espécies ornamentais como Betta, Colisa Lalia, Colisa Chuna, Colisa Sunset e Paraíso Albino.

Ela conta ter começado a atividade com muitas dificuldades, criando peixes em estufas improvisadas em buracos no chão cobertos por lona e, posteriormente, em estruturas feitas com bambu. Com o tempo, fez cursos e construiu tanques de cimento. “Creio que, na região, sou a produtora que produz em menor área. Então, receber esta certificação é muito gratificante. É o reconhecimento por um trabalho realizado de forma sustentável e com muito carinho. Costumo dizer que não crio peixes e nem os considero produtos; crio vidas que vão enfeitar e alegrar as casas das pessoas”, disse Rosângela Martins, que antes de se dedicar à criação dos peixes produzia café.

Hoje, a piscicultura é a principal atividade da família, garantindo renda média mensal de cerca de R$ 6 mil. A produção é comercializada em Vieiras e municípios vizinhos, de onde os peixes são levados por compradores para diversas regiões do Brasil. Agora, a produtora espera alcançar novos mercados dentro e, futuramente, fora do Brasil.

Entre os benefícios da certificação estão a valorização do produto junto ao consumidor, o acesso a mercados diferenciados, maior transparência nos processos produtivos, consultoria para aprimoramento da gestão do negócio, ampliação das boas práticas de produção e otimização do uso dos recursos naturais.

“Com a nova certificação, acreditamos que a piscicultura mineira, especialmente a da Zona da Mata, vai crescer ainda mais”, afirma a coordenadora regional do IMA em Viçosa, Maria José Firmo.

Produção abundante

A Zona da Mata responde por cerca de 70% da produção brasileira de peixes ornamentais. Segundo estudo do Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais (IF Sudeste MG), campus Muriaé, a atividade garante o sustento de mais de 400 famílias nos municípios de Patrocínio do Muriaé, Vieiras, Eugenópolis, Miradouro, Barão do Monte Alto, Muriaé, Rosário da Limeira e São Francisco do Glória. Os agricultores familiares são os principais produtores. (Seapa-MG)

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