Agronegócio

Plano Safra 2026/27 enfrenta críticas por cortes em linhas estratégicas do agro

Apesar de acréscimo no valor total, agronegócio aponta redução real de recursos e impacto em linhas essenciais para custeio e investimentos
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Plano Safra 2026/27 enfrenta críticas por cortes em linhas estratégicas do agro
Crédito para custeio e comercialização passou de R$ 414,7 bilhões para R$ 384,9 bi, justamente na modalidade que garante plantio e compra de insumos | Foto: Wenderson Araujo / Trilux / CNA

Representantes do agronegócio analisaram como ineficiente o Plano Safra 2026/2027, lançado na terça-feira (30 de junho) pelo governo federal. O Plano Safra anunciado para a agricultura empresarial prevê a disponibilização de R$ 525,1 bilhões, um acréscimo de R$ 9 bilhões em relação ao valor da safra anterior. Porém, conforme a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), os números mostram que o plano representa uma redução de R$ 29,6 bilhões (5,73%) em relação ao ciclo anterior, sem os fundos inseridos artificialmente. Além disso, foram feitos cortes em linhas e programas considerados fundamentais para a manutenção das atividades e da competitividade, como a linha de custeio e os programas Moderfrota e para a construção de armazéns.

Assim como a FPA, em nota, o Sistema Faemg Senar ressaltou que, apesar de atender parte das demandas, o Plano Safra 2026/27 permanece distante das necessidades de financiamento do setor.

“Dentre as medidas anunciadas até o momento, o Plano Safra 2026/2027 apresentou reduções importantes nas taxas de juros de algumas linhas de crédito, mas permanece distante das necessidades de financiamento do setor. A expressiva redução dos recursos destinados às linhas de investimento, a inclusão de programas que não integram o crédito rural tradicional no montante total anunciado, bem como o volume insuficiente de recursos equalizados, podem restringir o acesso dos produtores ao crédito e comprometer a capacidade de investimento e modernização do setor agropecuário”, aponta trecho da nota oficial.

Um dos pontos criticados é o valor destinado ao crédito para custeio da safra, linha considerada essencial, uma vez que permite ao produtor a compra de insumos para a manutenção da atividade agropecuária. Conforme as informações do governo, a linha, juntamente com a de comercialização, terá R$ 384,9 milhões para contratação, queda de 7,2% frente ao plano anterior.

Em nota, a FPA, ressalta que “o governo reduziu o crédito de custeio e comercialização, de R$ 414,7 bilhões para R$ 384,9 bilhões, justamente a modalidade que garante o plantio, a compra de insumos, a manutenção da atividade produtiva e o abastecimento”.

Outro ponto questionado é a ampliação dos recursos para investimentos, que, segundo o governo federal, subiram 38%, passando de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões. Para a FPA, o valor é “irreal” e não garante a oferta de crédito.

“O valor foi inflado pela inclusão de R$ 38,5 bilhões de fundos que não fazem parte do escopo tradicional do crédito rural. Uma engenharia financeira que não resolve o problema do produtor que precisa de crédito rural efetivo, acessível e contratado na ponta, em momento crítico de endividamento”, explica o bloco parlamentar em nota.

A FPA também critica a redução de 54% nos recursos voltados para o Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota). Mesmo enfrentando desafios para a armazenagem das safras, houve redução também nos valores voltados para o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA).

“A redução afeta a renovação de máquinas e equipamentos. Além disso, o PCA teve queda de 28%, apesar do reconhecido déficit de armazenagem no País”.

As medidas para o seguro rural também desagradaram. A modalidade, nos últimos anos, se tornou uma das principais demandas do setor agropecuário frente às mudanças climáticas que ampliam os riscos na produção agrícola e pecuária. “O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural vem sendo contingenciado ano após ano e sofreu novos cortes. Com orçamento reduzido, a cobertura estimada deve ser a menor em 10 anos, alcançando apenas 2,69 milhões de hectares, justamente em um cenário de maior risco climático e confirmação do fenômeno El Niño”, completa a FPA.

Outra demanda do setor era a redução das taxas de juros, que, segundo o governo, foi um dos principais avanços do Plano Safra 2026/27. O plano apresentou taxas que variam entre 8% e 12,5%, dependendo da linha contratada. A redução é resultado da queda da taxa Selic, o que abriu a “janela” para a redução do custo financeiro do produtor e para a ampliação da capacidade de contratação do crédito rural.

Porém, para a FPA, a redução foi considerada insuficiente: “A FPA reconhece o esforço do governo para reduzir juros. No entanto, a medida é insuficiente diante da situação de endividamento do setor, da restrição de crédito enfrentada por produtores e da queda de 14,7% em recursos equalizados”.

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