Inadimplência no agro cresce e atinge 6,9% da população rural mineira em 2025
Os juros altos atrelados à volatilidade dos preços e aos custos de produção elevados contribuem para que a inadimplência no agronegócio siga em crescimento. Em 2025, conforme pesquisa do Serasa Experian, a inadimplência no agronegócio atingiu 6,9% da população rural em Minas Gerais, uma alta de 0,9 ponto percentual. No Brasil, o índice foi ainda maior e chegou a 8,2% das 11,3 milhões de pessoas da população rural, 1 ponto percentual de crescimento.
O índice da datatech considera dívidas de pessoas físicas da população rural brasileira que estejam vencidas há mais de 180 dias e tenham sido contraídas com empresas de setores relacionados ao agronegócio. Conforme o gerente de soluções agro da Serasa Experian, Frederico Poleto, o aumento da inadimplência já era esperado.
“O crescimento da inadimplência não surpreende, em virtude de margens cada vez mais apertadas geradas pelas oscilações de preços, aumentos expressivos de custos de insumos, desvalorização cambial e forte crescimento de juros dos últimos anos, além de crises climáticas e conflitos macroeconômicos”, explicou.
Ainda segundo Poleto, no País, Minas Gerais registrou a quinta menor taxa de inadimplência, fechando em 6,9% depois de um aumento de 0,9 ponto percentual em relação ao ano anterior. Contudo, a taxa média de inadimplência em relação ao tamanho da população rural no Estado – que concentra o segundo contingente populacional rural no Brasil – acaba aparecendo também como estado com a segunda maior quantidade de pessoas inadimplentes na população rural.
Produtores sem registro rural lideram indicadores
Os dados mostram que, em Minas Gerais, os produtores rurais sem informação de registro rural – possíveis arrendatários ou participantes de grupos familiares ou econômicos – são os mais afetados, com 10,2% da população inadimplente, uma alta de 1,5 ponto percentual.
No encerramento de 2025, isso aconteceu de uma forma muito mais severa no Estado do que no País. Conforme Poleto, no Brasil, as pessoas sem registro possuem inadimplência de 9,9%, ou seja, 1,7 ponto percentual acima da média nacional, enquanto, em Minas, o índice é de 10,2%, resultando em 3,3 pontos percentuais acima da média de inadimplência do Estado.
“As pessoas que não possuem registro de propriedade rural possuem historicamente as maiores taxas de inadimplência, em virtude do custo do arrendamento, que pressiona ainda mais as margens”, disse.
Os grandes proprietários do agronegócio vêm logo em seguida, com 8,3% da população comprometida. O índice representa um avanço de 2,4 pontos percentuais quando comparado aos resultados do último trimestre de 2024.
A inadimplência dos produtores rurais também cresceu entre os médios proprietários, já que o índice, no fechamento do quarto trimestre de 2025, atingiu 6,7%, alta de 1,3 ponto percentual. Junto aos pequenos produtores, o aumento foi de 0,7 ponto percentual, com 6,2% da população inadimplente.
Dívidas com bancos concentram a inadimplência rural
Em nível nacional, a inadimplência rural está concentrada, principalmente, em dívidas contraídas com instituições financeiras (7,2%). Já os débitos diretamente relacionados a credores do próprio agronegócio representaram 0,3%, enquanto, em outros setores, a taxa foi de 0,2%.
Apesar disso, no mesmo período, a dívida média dos inadimplentes com instituições financeiras atingiu R$ 115,5 mil, enquanto no setor agro chegou a R$ 138,2 mil. Em outros setores relacionados ao agronegócio, como transporte, armazenagem e seguros, o valor médio foi de R$ 32,6 mil. Ou seja, mesmo com menor incidência, os valores mais elevados estão nas operações ligadas ao agro.
“O perfil do crédito rural, marcado por tickets mais altos, prazos mais longos e maior exposição financeira, faz com que poucos inadimplentes concentrem montantes expressivos de dívida, ampliando o risco mesmo em um cenário de taxa relativamente controlada”, explicou o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta.
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