Setor de proteínas animais projeta crescimento da produção e das exportações
O consumo crescente de proteínas, tanto no mercado interno quanto externo, segue estimulando a produção de carnes suínas, de frango e de ovos no País. Conforme os dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em 2026, a expectativa é que haja um aumento de 5% na produção brasileira de carne suína, de 4,1% no volume de ovos e de 5,6% na produção de carne de frango. No mercado externo, mesmo com conflitos e possíveis barreiras, como a imposta pela União Europeia (sobre antimicrobianos), a tendência também é de alta nos embarques, estimulados, principalmente, pela sanidade do produto nacional e pelos focos de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (H5N1) em vários países, o que favorece o comércio com o Brasil.
Para o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o cenário das proteínas animais no Brasil, com destaque para a carne suína e de frango, é de crescimento na produção e consolidação no mercado internacional. Além disso, há uma expectativa de custos e dólar estabilizados, o que também é favorável para o setor produtivo do Brasil, que é o maior exportador de carne de frango do mundo e o terceiro maior de carne suína.
“Nós estamos confiantes de que vamos fechar um ano bastante positivo frente aos desafios globais. O dólar tem encontrado um patamar de estabilidade na casa de R$ 5,1, com previsões do relatório Focus de R$ 5,2 para 2027. Essa estabilidade cambial empresta competitividade e traz um panorama positivo para o Brasil. Os custos do milho e da soja estão estáveis, enquanto o custo de produção de suínos apresenta uma leve queda, o que favorece a rentabilidade das empresas”.
Santin frisou ainda a importância da previsão de uma safra de grãos muito positiva, o que será essencial para minimizar os possíveis impactos do El Niño. “Além disso, o estoque de passagem de milho projetado é de 14 milhões de toneladas (o maior dos últimos tempos), acompanhado de um estoque positivo de farelo de soja”, confirmou.
Quanto à cadeia de proteínas em Minas Gerais, o presidente da ABPA destacou que a produção deve seguir o ritmo projetado para o Brasil e que as exportações de carne suína e de frango seguem em alta. Já os embarques de ovos recuaram em função das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
“No segmento de carne de frango, Minas registrou uma alta de 8,6% em suas exportações (de janeiro a junho), enquanto as vendas externas de carne suína apresentaram uma expansão de 25%. Em contrapartida, as exportações de ovos registraram uma queda de 22%, comportamento associado ao perfil intenso de exportações direcionadas aos Estados Unidos no período anterior”, analisou.

Em relação à produção, o Estado acompanha o ritmo de crescimento nacional, com as empresas realizando leituras individualizadas de acordo com cada mercado.
ABPA projeta alta na produção e nas exportações de carne de frango
Dados da ABPA para a carne de frango mostram uma estimativa de produção que pode chegar a 16,15 milhões de toneladas em 2026, com crescimento de até 5,6% em relação a 2025. Para 2027, a entidade projeta novo avanço, com volume produzido podendo alcançar até 16,6 milhões de toneladas, uma alta de 2,8%. O movimento reflete tanto a alta do consumo doméstico, que tende a atingir 48,1 quilos per capita em 2026, quanto a manutenção do Brasil como importante fornecedor no comércio internacional.
Conforme Santin, a maior produção desta proteína animal tem o objetivo de atender tanto à demanda interna como à externa. No mercado nacional, o endividamento das famílias e a limitação de renda fazem com que os consumidores migrem naturalmente para proteínas mais acessíveis, o que insere a avicultura com mais intensidade na cesta de consumo.
“As edições do Programa Desenrola, criado para renegociar dívidas em atraso e limpar o nome com descontos e prazos facilitados, ajudam as famílias a retomar a capacidade de consumo com mais força, por isso, a gente vê que a avicultura terá altos e baixos pontuais, mas é um ano, no geral, positivo”.
A tendência também é de alta das exportações. Enquanto em 2025, os embarques somaram cerca de 5,324 milhões de toneladas de carne de frango, agora, em 2026, a expectativa é atingir 5,87 milhões de toneladas e, em 2027, chegar a 6,05 milhões de toneladas. Caso os resultados sejam alcançados este ano, haverá alta de 10,3% quando comparada a 2025. A projeção para 2027 prevê um incremento de até 3%.
“É importante lembrar que, no ano passado, tivemos um caso de Influenza Aviária, o que impactou os volumes embarcados e, agora, estamos crescendo sobre uma base de comparação menor. Mas, os casos de gripe aviária em vários países do mundo, as queimadas e as altas temperaturas na Europa estão contribuindo para que haja uma maior demanda pela carne brasileira”, reiterou Santin.
Ao longo do primeiro semestre, os embarques de carne de frango tiveram como principal destino a China, com alta de 24,83% em volume, seguida pelo Japão, com 22%, e pela Arábia Saudita, com 5,84%. Com problemas climáticos, sanitários e o acordo com o Mercosul, a Europa também demandou mais. Ao todo, foram 189,6 mil toneladas exportadas, 51,25% a mais. O Brasil forneceu as 20 mil toneladas permitidas pelo acordo da UE com o Mercosul, sendo o único País do bloco apto a exportar.
Um dos desafios enfrentados pelo setor é a exclusão do Brasil da lista de países que cumprem as regras do bloco contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária. Com isso, o Brasil ficará proibido de exportar carne para a UE a partir de 3 de setembro. Para Santin, mesmo que a União Europeia deixe de comprar carne de frango, enquanto as negociações entre os governos acontecem, a situação poderá ser contornada com o redirecionamento da produção para outros países e ajustes no sistema produtivo.
“Caso as exportações sejam suspensas, o Brasil tem como redirecionar o volume para os mais de 150 países para os quais exportamos. O volume destinado à UE representa 7% das exportações atuais. Diante do cenário de possível suspensão, empresas do setor também já realizam adequações voluntárias para evitar excedentes no mercado interno”, confirmou.

Produção de ovos e carne suína deve crescer no Brasil até 2027
Em 2026, o Brasil deve produzir 64,8 bilhões de unidades de ovos, mantendo-se entre os maiores produtores globais. Conforme o relatório da ABPA, caso o volume seja alcançado, haverá uma alta de até 4,1% em relação ao volume de 2025. Para 2027, a tendência é de nova alta, com a produção chegando a 66,5 bilhões de unidades e um crescimento de até 2,6% frente a 2026. A tendência também é de alta no consumo, que deve chegar a 300 unidades por habitante ao ano, elevação de 4,5% na comparação de 2026 com 2025.
As exportações do setor devem alcançar 30 mil toneladas em 2026, o que representa uma queda de 26,6% em relação às quase 40,9 mil toneladas embarcadas em 2025. Para 2027, a expectativa é de retomada do crescimento, com até 34,5 mil toneladas exportadas, 15% a mais do que o volume previsto para 2026. No primeiro semestre de 2026, os embarques caíram 39,9% em volume e 42,7% em receita.
“O ovo não é mais o vilão, passou a ser um herói, um remédio e, com isso, a produção cresce. As exportações tinham crescido muito, mas caíram, exatamente por conta do tarifaço dos Estados Unidos e da recuperação da produção de ovos de postura nos EUA, após os episódios de Influenza Aviária severos do ano passado”, explicou.
Carne suína
No segmento de carne suína, a entidade estima que o País produza até 5,87 milhões de toneladas em 2026, alta de 5% em relação a 2025. Em 2027, o volume pode chegar a 6,05 milhões de toneladas, com crescimento de até 3,1%. A disponibilidade interna também deve subir, alcançando 4,2 milhões de toneladas em 2026 e 4,3 milhões em 2027. O consumo per capita pode avançar para até 20 quilos em 2026 e, no próximo ano, chegar a 20,4 quilos.
Já as exportações podem chegar a 1,6 milhão de toneladas em 2026, um aumento de 5,9%. Até junho, os embarques cresceram 10% em volume e 7,9% em receita, mantendo o País como o terceiro maior exportador mundial.
Os embarques para a China seguem em queda, uma vez que a produção no país vem se recuperando dos impactos causados pela Peste Suína Africana (PSA). O presidente da ABPA destacou que o mercado chinês continua promissor devido ao recente reconhecimento do Brasil como território livre de febre aftosa sem vacinação, o que abriu o processo de habilitação para que outros estados, além de Santa Catarina, possam exportar carne com osso e, futuramente, miúdos para a China.
Para compensar os menores volumes destinados à China, países como Filipinas, Japão e Chile estão ampliando as compras.
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