Produtor rural precisa ver banco além do crédito, diz head do Agro da XP
O produtor rural está mudando a forma como se relaciona com o mercado financeiro. A avaliação é da head comercial da XP Agro, Fátima Martins, feita durante a Expert XP na capital paulista. Segundo a executiva, o agronegócio começa a enxergar as instituições financeiras para além da oferta de crédito, buscando soluções como planejamento patrimonial, gestão de riscos e investimentos. Apesar desse avanço, ela ressalta que essa mudança de mentalidade ainda não alcançou todo o setor, o que continua sendo um dos principais desafios na relação entre o sistema financeiro e o agronegócio.
Para a executiva, mais do que buscar crédito para custear a safra ou investir na produção, o produtor está aprendendo a buscar planejamento financeiro, gestão de patrimônio, proteção contra oscilações de mercado e estratégias de sucessão familiar. Apesar disso, romper a visão de papel de credor ainda é um obstáculo. “O grande erro do produtor rural é pensar que o mercado financeiro é só crédito. Hoje o mercado financeiro vai muito além disso”, afirmou.
De acordo com Fátima Martins, o produtor precisa analisar toda a realidade financeira da propriedade. Ela explica que ele precisa avaliar desde o endividamento e a exposição ao câmbio até estratégias de proteção de preços das commodities, investimentos de curto prazo e planejamento patrimonial. “A melhor estratégia hoje é procurar um assessor ou banqueiro que tenha uma área específica para o agro e consiga olhar esse produtor de forma integrada, no chamado Agro 360”, disse.

Ela ressalta que muitos produtores ainda deixam recursos parados em conta corrente por poucos dias antes de pagar fornecedores, sem perceber que existem aplicações de curtíssimo prazo capazes de gerar rentabilidade. “Tem produtor que consegue pagar dois ou três funcionários apenas com a rentabilidade daquele dinheiro que ficaria parado por alguns dias”, exemplificou.
Nova geração acelera transformação e busca por informações
Na avaliação da executiva, a principal responsável por essa mudança de comportamento está sendo a nova geração que está assumindo os negócios familiares.
Embora a XP não tenha um levantamento estatístico sobre o tema, a head do agro da XP afirma que o movimento é percebido em praticamente todas as regiões produtoras do País.
“Há, sim, um aumento de sucessores mais informados, buscando o mercado financeiro e procurando conhecimento. Eu diria que há uma sucessão com mais sucesso”, afirmou.
Segundo ela, o interesse dos jovens vai além do crédito. Nas principais feiras do agronegócio realizadas neste ano, o foco passou a ser temas como sucessão familiar, holdings, investimentos, câmbio, derivativos e gestão. “Em todas as feiras que visitei neste ano, o interesse não era comprar máquinas ou insumos. Era buscar informação”, destacou.
A executiva observa ainda que muitas famílias passaram a preparar os herdeiros não apenas para assumir a fazenda, mas para administrar o negócio como uma empresa, incorporando tecnologia, inteligência artificial, liderança e gestão de pessoas.
“O produtor deixou de olhar apenas quantas sacas produz. Hoje o importante é saber o quanto o seu ecossistema é eficiente. O desafio agora é eficiência”, afirmou.
Aproximação entre campo e mercado financeiro
A executiva também destacou a presença inédita de uma Arena Agro dentro da Expert XP, evento realizado na última semana em São Paulo, conduzido pela instituição, como um símbolo dessa aproximação entre o agronegócio e o mercado financeiro.
Segundo ela, a iniciativa representa um esforço para aproximar o produtor das ferramentas financeiras e, ao mesmo tempo, levar a realidade do campo para investidores e executivos da Faria Lima. Integração que ela considera essencial para a mudança de paradigma. “A gente aproximou a Faria Lima do campo. Hoje o campo está na Faria Lima”, resumiu.
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