Festival do Queijo abre mercado para novas regiões produtoras de Minas
Considerado uma importante vitrine das regiões produtoras de Minas Gerais, o Festival do Queijo Artesanal de Minas (FQAM), que aconteceu em Belo Horizonte, é uma ferramenta que ajuda produtores a abrirem mercados e a agregar valor aos queijos. Neste ano, durante a 8ª edição, dois queijos artesanais passaram a integrar o Festival: o queijo do Vale do Suaçuí e o requeijão moreno do Vale do Mucuri. Além disso, o queijo Cabacinha, do Vale do Jequitinhonha, ganhou um estande próprio, o que é importante para valorizar a iguaria. Outra novidade foi a inclusão de quatro municípios na microrregião produtora do Queijo Minas Artesanal (QMA) do Serro.
Conforme a analista de Assistência Técnica e Gerencial do Sistema Faemg Senar, Paula Lobato, o queijo do Vale do Suaçuí e o requeijão do Vale do Mucuri foram regulamentados recentemente e a participação no Festival é importante para divulgar as regiões e valorizar os produtos.
“Esse ano a gente teve a inclusão do queijo do Vale do Suaçuí e do requeijão moreno do Vale do Mucuri no Festival. As duas regiões tiveram a publicação do regulamento técnico esse ano. Então, em tempo recorde, a gente conseguiu fazer uma força-tarefa para regularizar dois produtores e trazê-los para o Festival.”
Nesta edição, os produtores das novas regiões estão participando individualmente do Festival, em estandes de outras regiões. A expectativa para o próximo ano é que eles, através da criação de associações, tenham estandes específicos por região e haja a participação de múltiplos produtores.

A primeira produtora do requeijão moreno do Vale do Mucuri a participar do Festival do Queijo Artesanal é Maria Neusa Lopes Barreiros, de Malacacheta. Maria Neusa produz o requeijão moreno no Sítio Bom Jesus da Lapa, há quase 29 anos. A dedicação à produção surgiu da necessidade de complementar a renda para sustentar os estudos dos filhos.
Inicialmente, Maria Neusa produzia requeijão e outras iguarias como doces e geleias, mas, com o retorno satisfatório gerado, concentrou o trabalho no requeijão, cujo volume produzido é baseado nas encomendas recebidas. A regulamentação do requeijão e a participação no Festival são vistas como importantes ferramentas para abrir mercado, garantir segurança para os consumidores de que o produto é de qualidade e gerar agregação de valor.
“A conquista da regulamentação foi muito importante e abriu mais uma porta de oportunidades. Eu me sinto muito grata por isso, porque a gente vai trabalhar com mais segurança e o nosso cliente vai consumir um produto com mais segurança também. Estou muito feliz, assim como os outros produtores da região”.
Para o Festival, Maria Neusa levou 90 peças do requeijão moreno do Mucuri, sendo todas comercializadas rapidamente. O preço, R$ 50 por peça, é considerado remunerador. “Eu trouxe poucas peças porque a regulamentação é muito recente e tivemos pouco tempo para produzir. Eu não imaginava a grandiosidade do evento. Da próxima vez, se Deus quiser, vou trazer uma quantidade maior porque o evento é grande, é muito bom”, explicou.
Queijo Cabacinha conquista estande próprio e fortalece a região
Regulamentado em meados de 2025, o queijo Cabacinha participou pela segunda vez do Festival do Queijo Artesanal. Mas, nesta edição, em função dos avanços na Associação dos Produtores do Queijo Artesanal Cabacinha do Vale do Jequitinhonha (Aprocaje) e da regulamentação dos produtores, a região conquistou um estande próprio, o que é essencial para a valorização e divulgação do queijo.
Pelo segundo ano, a produção do casal José Alves dos Santos e Rita de Cássia Trindade Alves, que produzem o Queijo Cabacinha na Fazenda Terra Estranha, em Joaíma, no Vale do Jequitinhonha, está presente no Festival do Queijo Artesanal. Conforme Alves, a produção na Fazenda está estabilizada em 200 litros/leite por dia e, desde a regulamentação e participação no festival em 2025, a demanda cresceu.

“Antes eu não conseguia vender toda a minha produção. Mas, com a certificação, a situação mudou. Eu fui o primeiro produtor a ser certificado e isso abriu portas para a participação em feiras e eventos. O Festival do Queijo Artesanal é uma oportunidade muito importante que estamos tendo”.
A participação nas feiras e eventos também trouxe um impacto positivo para a vida familiar. “Eu estou amando, porque comecei a participar das feiras com meu esposo, tem sido uma experiência gratificante e também uma oportunidade de estarmos juntos, fazendo turismo de venda”, fez questão de ressaltar Rita de Cássia.
A região do Vale do Jequitinhonha, composta por nove municípios, celebra a crescente visibilidade do Queijo Cabacinha, produto artesanal que se destaca pela sua versatilidade e impacto social. O presidente da Associação dos Produtores do Queijo Cabacinha do Vale do Jequitinhonha (Aprocaje), José Valério de Sousa Filho, e produtor do Queijo Bonança, de Pedra Azul, ressalta a importância da participação da associação no festival.
“É extremamente importante para nós, produtores do Vale, termos um espaço próprio. A presença em eventos como este festival permite que o Cabacinha transponha os portais do Vale e alcance o mundo. Os produtores estão acessando um mercado que valoriza o produto e contribui para a sustentabilidade do negócio”, fonfirmou.
Hoje, a região conta com cerca de 300 produtores, sendo 30 associados à Aprocaje e cerca de 15 em processo de adequação das queijarias para certificação. A expectativa é que mais obtenham a certificação ao longo do ano, aumentando a presença no festival em 2027.
Pela primeira vez, o Queijo Cabacinha produzido por José Valério está no FQAM. A produção da Fazenda Bonança, atualmente, é de 50 quilos ao dia. Ele destaca que a mão de obra é um desafio, pois o Cabacinha exige habilidade específica. O preço de venda atual é de R$ 40 por um queijo de 400g, um valor que, segundo ele, traz remuneração.
Juntos, José Valério e José Alves dos Santos – únicos representantes da região – levaram cerca de 1,6 mil peças do Cabacinha para o evento e, somente no primeiro dia, venderam mais de 600 unidades.
Região do Queijo Minas Artesanal do Serro incorpora novos municípios
O Queijo Minas Artesanal ganha força com ampliação da região produtora do Serro. Durante a 8ª edição do Festival do Queijo Artesanal, foi oficializada a inclusão de quatro novos municípios – Carmésia, Guanhães, São João Evangelista e Senhora do Porto – na microrregião produtora do Queijo Minas Artesanal (QMA) do Serro.
Com a ampliação, a microrregião do Serro passa a contar com 16 cidades, incluindo Alvorada de Minas, Coluna, Conceição do Mato Dentro, Congonhas do Norte, Dom Joaquim, Materlândia, Paulistas, Rio Vermelho, Sabinópolis, Santo Antônio do Itambé, Serra Azul de Minas e o próprio Serro.
A analista de Assistência Técnica e Gerencial do Sistema Faemg Senar, Paula Lobato, explica que a inclusão de mais municípios na região do Serro é importante para a valorização dos produtos.
“A inclusão é muito positiva, porque agora os produtores desses quatro municípios terão a oportunidade de agregar valor ao seu produto, trazendo o nome do território, que é a Região do Serro. A agregação de valor acontece porque as pessoas conhecem mais a região, agrega terroir, agrega a identidade do produto e, consequentemente, o valor do produto também acaba alterando”, acrescentou.

O presidente da Associação dos Produtores de Queijo Minas Artesanal da região do Serro, José Ricardo Ozolio, também ressaltou a importância de ampliar o número de municípios e proporcionar que mais produtores integrem a Região do Serro.
“Para nós é muito importante a soma. Eu acredito muito que quando somamos ideias, pessoas diferentes, momentos de vida diferentes a algo que já existe, a gente agrega valor, traz novas realidades e a gente vai levar a nossa realidade para o mundo”, explicou Ozolio.
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