Pesquisa é considerada essencial por atender demanda de produtores, principalmente, de orgânicos | Crédito: Liliane Bello

A Satis, com sede em Araxá, região do Alto Paranaíba, em Minas Gerais, firmou parceria com a Universidade de Uberaba (Uniube), por meio do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química, e com a Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu), através do curso de Agronomia, para o desenvolvimento de um biofertilizante à base de extrato de cavalinha, planta nativa do cerrado nacional.

A expectativa é concluir os estudos em dois anos. A princípio, serão investidos cerca de R$ 20 mil no projeto de pesquisa, mas, até a conclusão, os aportes ficarão entre R$ 40 mil e R$ 50 mil.

De acordo com o coordenador de desenvolvimento de produtos da Satis, engenheiro químico e mestre em Inovação Tecnológica em Processos Industriais, Fabrício Porto, as expectativas em relação à pesquisa são positivas. A parceria com as universidades é considerada fundamental pelas estruturas presentes, como laboratórios, e equipe técnica especializada.

O projeto, que será iniciado este mês, tem o objetivo de formular um biofertilizante à base de cavalinha. A planta, que é tradicional da região, tem compostos inorgânicos e orgânicos que podem promover atividades ativadoras nas plantas, ajudando as culturas a se desenvolverem com maior vigor e resistência.

Porto explica que o projeto será dividido em três etapas. A primeira fase definirá os parâmetros iniciais de processamento da planta e logo após serão feitos os primeiros experimentos agronômicos, em laboratório. Os resultados obtidos serão analisados e serão definidos os segundos parâmetros de processamento, a serem novamente testados. Na terceira fase, os resultados gerados na segunda etapa serão avaliados e definidos novos parâmetros para chegar ao extrato.

“Com a obtenção do extrato, será iniciado o processo de caracterização, onde serão identificados os compostos presentes e quais propriedades irão influenciar no crescimento mais vigoroso das plantas. Logo após a caracterização, iniciaremos os trabalhos efetivos no campo com diversas culturas, como a soja, o feijão, milho e algumas hortaliças. Nesse primeiro momento, os estudos serão em culturas de ciclos mais curtos. Posteriormente, pretendemos passar para as culturas perenes, atendendo o café. Nós já conhecemos um pouco do extrato e sabemos que ele pode ser benéfico para várias plantas”, destaca.

Ainda conforme Porto, a empresa já desenvolveu um protótipo do extrato no laboratório da Satis, mas o laboratório não é adequado, o que tornou necessária a busca por parceria. A Uniube possui laboratório e profissionais especializados em processamento de plantas, onde será desenvolvido o extrato. Já os ensaios microbiológicos e agronômicos serão de competência da Fazu.

Os estudos já elaborados mostram que o extrato da cavalinha quando aplicado nas plantas acelera o crescimento vegetativo e torna a planta mais saudável, contribuindo para que ela se torne mais resistente a algumas doenças, como a podridão radicular, por exemplo, que atinge todas as culturas comerciais, como a soja, o milho, o feijão e os hortifrútis.

Orgânicos – A pesquisa para o desenvolvimento de um novo biofertilizante é considerada importante para atender a demanda dos produtores rurais, principalmente do setor de orgânicos.

Além disso, por ser um produto à base de vegetais ele é menos agressivo e sustentável, o que é importante para a melhor qualidade dos alimentos e preservação do meio ambiente. Outro ponto importante é que as pesquisas de novos bioinsumos podem contribuir para reduzir a dependência do setor agropecuário em relação à importação de insumos.

“Hoje, cerca de 70% dos fertilizantes utilizados na produção nacional são importados, e a gente sabe que esses produtos são essenciais para a produção. Quando a gente realiza pesquisas e busca por produtos à base de recursos naturais renováveis, a gente amplia as opções para o setor e também vamos em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), que é a busca pelo desenvolvimento de produtos mais sustentáveis e que contribuam para combater a fome mundial”, explica.

De acordo com Porto, o lançamento do Programa Nacional de Bioinsumos, que pretende estimular o desenvolvimento de bioinsumos, será interessante para a empresa. O programa é do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

“O programa é interessante e tem intenções de promover o financiamento de pesquisa para desenvolvimento de produtos através da utilização de recursos naturais e renováveis. Outra importante ação do Mapa é uma normativa nova para registro, que já está pronta para ser lançada. Esta normativa tem uma estrutura melhor e facilita o registro de biofertilizantes no Brasil. Isso, com certeza, também auxiliará muito a Satis e outras empresas do setor”, avalia.