Crédito: Will Araújo/Diário do Comércio
Crédito: Will Araújo/Diário do Comércio

Capital dos bares e da gastronomia, Belo Horizonte abriga, também, a diversidade das expressões artísticas, a variedade das iniciativas tecnológicas e a força da vontade criativa dos facilitadores. Da união desses agentes proponentes da cultura, surge a 5ª edição do Circuito Urbano de Arte (Cura), agendada para acontecer entre 22 de setembro e 04 de outubro, quando mais quatro edifícios do hipercentro se transformarão em obras de arte.

O Circuito Urbano de Arte

O Cura é um festival de pintura em empenas, o qual teve duas edições em 2017 – uma delas especial em homenagem aos 120 anos de Belo Horizonte -, uma em 2018 e outra em setembro de 2019. Ao todo foram 22 intervenções artísticas, sendo 10 prédios e um mural com vista da Rua Sapucaí e 11 obras na região da Lagoinha (quatro empenas).

O festival volta com o aporte de aproximadamente R$ 800 mil provenientes de leis de incentivo à cultura — uma na esfera municipal, outra na estadual e mais uma no âmbito federal. As primeiras edições do Cura deixaram como legado a Belo Horizonte o mirante da Rua Sapucaí, onde é possível avistar os painéis pintados nas laterais dos prédios.

De acordo com Juliana Flores, coordenadora do Cura, Marcos A. Mandacaru, assessor de Paulo Brant – Vice-governador de Minas Gerais -, apresentou, em 2019, a proposta da sede do “P7 – Criativo” situada na Praça Sete de Setembro — um importante ponto turístico da capital e que reúne o maior fluxo de circulação de pessoas da cidade.

Conforme a coordenadora, o sonho de Mandacaru era impulsionar o projeto, idealizando que a sede do “P7 – Criativo” servisse como novo mirante para apreciação dos painéis do Cura. O prédio possui um rooftop com vista panorâmica para o hipercentro a partir da Praça Sete de Setembro.

“Devido a pandemia, neste ano difícil para a cultura, decidimos nos unir e pintar prédios com vista para a Praça Sete de Setembro e Rua Sapucaí. Já temos quatro edifícios garantidos e estamos tentando captar recurso para mais um. Entre eles estará o maior painel de todas edições do Cura, com dois mil metros quadrados, com vista também para o rooftop do P7”, diz Flores.

Juliana Flores aponta o Edifício Itamaraty | Crédito: Will Araújo/Diário do Comércio
Juliana Flores aponta o Edifício Itamaraty | Crédito: Will Araújo/Diário do Comércio

O prédio que receberá o maior painel entre as edições do Cura se chama Edifício Itamaraty e está localizado na Rua dos Tupis, 38. A arte a ser eternizada ainda não pôde ser revelada.

Segundo Flores, os patrocínios via leis de incentivo à cultura virão na esfera municipal pelo Instituto Unimed, na estadual pela Ambev e na federal pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e Uber.

Ainda, de maneira inédita, para além das pinturas, existirão duas grandes instalações de arte contemporânea instaladas na cidade, as quais Flores não pôde revelar a localização e nem a temática das obras.

“O P7 – Criativo vem com o objetivo de ressignificar o centro de Belo Horizonte, e a partir da conjugação da arte, da cultura, da tecnologia e da inovação transformar a economia, não somente na capital, mas transbordando para Minas Gerais. A cidade e o entorno já inspiram pela história, a vista do prédio é inspiradora… e a Praça Sete merecia um Cura. O objetivo com o Circuito Urbano de Arte é inspirar, inclusive, os profissionais que irão trabalhar no P7”, afirma Mandacaru.

Marcos A. Mandacaru | Crédito: Will Araújo/Diário do Comércio
Marcos A. Mandacaru | Crédito: Will Araújo/Diário do Comércio

Associação P7 – Criativo

A Associação “P7 – Criativo” foi fundada por cinco entidades, sendo a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-MG), a Companhia de Desenvolvimento de Minas (Codemge), o Serviço de Encomenda Expressa Nacional (Sedex) e a Fundação João Pinheiro. Hoje, é mantida com recursos financeiros do Codemge, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes) – a fundo perdido – e da própria Fiemg.

O prédio sede da “P7 – Criativo” pertence à Fundação João Pinheiro e foi cedido à associação por 25 anos. A estimativa de inauguração é para o segundo semestre de 2021.

Segundo Márcia Andrade Carmo Azevedo, gerente de economia criativa da Fiemg, a “P7 – Criativo” ocupará 23 dos 25 andares do edifício, disponibilizando 10 para empresas âncoras de pequeno, médio e grande porte, quatro para coworkings, um para abrigar um restaurante, um para auditórios e salas multimeios, um somente para sala multimeios para eventos, um para o Memorial Praça Sete de Setembro, uma para a biblioteca digital, um para recursos audiovisuais e outro para os laboratórios abertos de inovação, “Indústria 4.0” e afins.

Hoje, fazem parte do conselho todas as entidades fundadoras, exceto o Sebrae-MG. Elas participam, cada uma, investindo com base em seu próprio “nohall” (know how).