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Uma vida que deu samba. A trajetória da jornalista e ativista social Diva Moreira é tão rica em histórias de luta que foi homenageada na avenida, como tema do samba-enredo da Escola Raio de Sol no Carnaval de Belo Horizonte em 2019. “Sessenta anos de luta desaguarem na avenida é tudo de bom. Valeu a pena”, emociona-se Diva, entrevistada do programa Memória & Poder, que estreia amanhã, às 20 horas, na TV Assembleia.

A mineira de Bocaiúva, no Norte do Estado, costuma brincar que os seus 74 anos lhe conferem certas primazias. “Eu fui pré um tanto de coisas: pré-luta antimanicomial, pré-SUS, pré-movimento negro, pré-feministas”, ressalta.

Neta de escravo, filha de uma empregada doméstica e de um pai “inexistente”, como ela mesmo diz na entrevista, Diva explica que o envolvimento com as lutas sociais se deve a um sentimento de gratidão. “Eu estudei e me graduei em escola pública. Sou devedora da educação pública, sou devedora da saúde pública. Fui servidora pública e eu não vou devolver isso ao meu povo?”, reflete.

A participação na reforma sanitária e na luta antimanicomial nos anos 1970 foi decisiva. Como pesquisadora da Fundação João Pinheiro, testemunhou as condições em que eram tratados os pacientes dos hospitais psiquiátricos em Barbacena. “Eu fui uma das primeiras a falar em defesa dos direitos humanos das pessoas internadas em hospitais psiquiátricos”, lembra. “Eles merecem ter seus direitos defendidos”.

Em seguida, Diva se enveredou no movimento de mulheres pela anistia política e pela redemocratização. A defesa dos direitos das mulheres segue sendo uma de suas bandeiras. “Hoje nossa mobilização é contra o feminicídio. É uma luta vital, humanitária, civilizatória. Mas não acredito no punitivismo, simplesmente. Temos que mudar a cultura. O mundo que eu penso é sem cadeias, sem manicômios”, sintetiza.

No fim dos anos 1980, fundou a Casa Dandara, um centro de educação e cultura para a população negra em Belo Horizonte. A motivação veio das experiências de racismo, com o qual conviveu desde a infância, e do desejo de fazer algo para o seu povo. O trabalho levou ao convite do ex-prefeito de Belo Horizonte, Célio de Castro, para que fizesse parte do governo.

Diva chefiou a primeira secretaria instituída por lei na Capital para tratar de assuntos referentes aos negros. “Sabíamos do racismo, sentíamos, mas não se politizava isso, não coletivizávamos. O cabelo crespo não era aceito. Alisar o cabelo era motivo de chacota. Ver hoje a moçada do hip-hop, do teatro negro, os cabelos crespos. Isso me dá esperança”, salienta.

Esta edição do programa Memória & Poder será reapresentada no próximo domingo (13), às 15h30; na segunda-feira (14), à meia-noite; e na terça-feira (15), às 21 horas. (As informações são da ALMG)