Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo DC

Apesar de a pandemia do Covid-19 ainda estar impactando a indústria mineira, os reflexos da disseminação da doença foram menos intensos no mês de junho.

No sexto mês do ano, o índice de evolução da produção chegou a 53,4 pontos, o que representa um aumento de 6,6 pontos em relação a maio (46,8 pontos).  Não se via um número tão alto desde outubro do ano passado (54,5 pontos).

O dado faz parte da Sondagem Industrial, divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e mostra que, ao ultrapassar a linha dos 50 pontos, a produção industrial voltou a crescer no Estado.

Também houve incremento utilizando outra base de comparação. Em relação a junho do ano passado (44,2 pontos), o avanço foi de 9,2 pontos.

“Ainda existe o impacto da pandemia. Porém, ele está mais ameno do que em abril, que registrou a atividade mais baixa da história recente da indústria, por causa dos desdobramentos das medidas de contenção do Covid-19”, destaca a gerente de Economia da Fiemg, Daniela Brito, que lembra, ainda, que o avanço da produção em junho foi o segundo consecutivo.

Quando o assunto é a evolução do número de empregados, também foi registrada alta em junho (47,6 pontos) frente a maio (42,3 pontos), de 5,3 pontos. No entanto, por permanecer abaixo da linha dos 50 pontos, o indicador ainda mostra queda no emprego, embora menos intensa. Em relação a junho de 2019 (47,1 pontos), o aumento foi de 0,5 ponto.

Outro indicador que ficou abaixo da linha dos 50 pontos foi o da utilização da capacidade instalada efetiva em relação à usual, apesar de ter avançado pela segunda vez consecutiva. Junho registrou 39,7 pontos.

Em relação a maio (32,1 pontos), o incremento foi de 7,6 pontos e de 1,2 ponto na comparação com junho do ano passado (38,5 pontos). “A capacidade produtiva ainda foi abaixo da habitual para o mês”, pontua Daniela Brito.

Por outro lado, os estoques de produtos finais recuaram e registraram 45,6 pontos em junho. “As empresas terminaram o mês com os estoques abaixo do planejado: o indicador de estoque efetivo em relação ao planejado registrou 46,5 pontos, sinalizando que a demanda foi além da esperada”, destaca a Fiemg.

Daniela Brito frisa que, apesar de ter havido uma surpresa positiva, as empresas podem ter esperado realmente uma demanda baixa, o que ajuda a explicar o dado.

Condições financeiras – A Sondagem Industrial também mostra que os empresários ainda estão insatisfeitos em relação ao lucro operacional e à situação financeira. Apesar de alguns avanços, os números ainda estão abaixo da linha dos 50 pontos.

O indicador de satisfação com o lucro operacional atingiu 40,9 pontos no segundo trimestre deste ano. Em relação ao trimestre anterior (40,5 pontos), houve um pequeno crescimento de 0,4 ponto. Já em comparação ao mesmo período do ano passado (40,6 pontos), a alta foi de 0,3 ponto.

A satisfação com a situação financeira, por sua vez, chegou aos 46 pontos no segundo trimestre, um aumento de 1,3 ponto em relação ao trimestre anterior (44,7 pontos).

“Os empresários ainda estão insatisfeitos, mas um pouco menos”, salienta Daniela Brito. Já em relação ao mesmo período de 2019 (47,2 pontos), houve recuo de 1,2 ponto nesse mesmo indicador.

A pesquisa da Fiemg mostra ainda que os empresários estão com mais dificuldade de obter crédito, uma vez que o índice de satisfação com as condições de acesso ao crédito apresentou queda de 1,2 ponto no segundo trimestre (36,4 pontos) em relação ao primeiro (37,6 pontos). Na comparação com o mesmo período do ano passado (42 pontos), o recuo foi de 5,6 pontos.

Problemas – No segundo trimestre deste ano, a demanda interna insuficiente continuou sendo apontada como o principal problema enfrentado pelo setor industrial, com 39,7% das assinalações contra 37,5% no trimestre anterior.

O segundo lugar continuou sendo da elevada carga tributária, com 35,6% das marcações contra 32,2% no trimestre anterior. Posteriormente vêm falta ou alto custo da matéria-prima (24,7%), taxa de câmbio (22,7%), falta de capital de giro (20,1%), inadimplência dos clientes (17%), demanda externa insuficiente (14,4%), burocracia excessiva (13,9%), competição desleal – informalidade, contrabando, dumping etc. (12,4%), falta de financiamento de longo prazo (10,8%), outros (9,8%), insegurança jurídica (9,3%), taxas de juros elevadas (7,2%), falta ou alto custo de energia (6,2%), falta ou alto custo de trabalhador qualificado (6,2%), dificuldades na logística de transporte – estradas, infraestrutura portuária, etc. (3,1%) e competição com importados (2,6%).

Setor está mais otimista para os próximos meses

Sobre o que vem pela frente, os dados da Fiemg mostram que o indicador de expectativa da demanda aumentou 7,4 pontos em julho (56,6 pontos) em relação a junho (49,2 pontos). Houve recuo, entretanto, em comparação com o mesmo período do ano passado (57,7 pontos), de 1,1 ponto.

Por estar acima da divisória dos 50 pontos, o dado revela que os empresários industriais voltaram a ter perspectiva de aumento da demanda para os próximos seis meses. Vale lembrar que o indicador ficou três meses abaixo dos 50 pontos.

Os empresários industriais também esperam crescimento em relação às compras de matérias-primas, uma vez que o indicador chegou a 54,1 pontos em julho, um aumento de 7,9 pontos em relação a junho (46,2 pontos). Trata-se da terceira alta consecutiva. Já na comparação com o mesmo período do ano passado (55,2 pontos), houve queda de 1,1 ponto.

Em relação à expectativa do número de empregados, houve aumento de 4,6 pontos em julho (52,2 pontos) em comparação a junho (47,6 pontos). O índice ficou abaixo dos 50 pontos por um período de três meses. Houve incremento também na comparação com julho do ano passado (51,4 pontos), de 0,8 ponto.

Por fim, pelo terceiro mês seguido, o índice de intenção de investimento aumentou. Em julho (50,3 pontos), a alta foi de 6,1 pontos na comparação com junho (44,2 pontos). Houve recuo de 0,7 ponto em relação ao mesmo período do ano passado (51 pontos).

Recuperação – Diante de todo esse cenário, a gerente de Economia da Fiemg, Daniela Brito, pontua que a indústria está se recuperando, mas os impactos da pandemia do Covid-19 ainda se fazem presentes no dia a dia dos empresários.

“A flexibilização das medidas de afastamento e a retomada da atividade econômica deverão ser aos poucos, inclusive porque podem haver outras rodadas da pandemia”, salienta ela.

Para Daniela Brito, ainda existem muitas incertezas em relação à retomada da economia nesta segunda metade do ano. “O crescimento deverá ser mais moderado, até porque as pessoas vão ter mais cautela. Houve perdas significativas das famílias e das empresas, com uma grande redução da receita. Algumas empresas já fecharam e outras deverão fechar ainda”, diz ela.

A gerente de economia da Fiemg afirma que, apesar dos programas de apoio a empresas e famílias, que mitigaram partes dos efeitos da pandemia, as incertezas e reflexos devem permanecer enquanto não houver uma vacina eficaz contra o Covid-19.