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A BH Airport, concessionária que administra o Aeroporto Internacional, em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), já fechou pelo menos dez acordos de confidencialidade com empresas que desejam se instalar no aeroporto industrial do terminal.

O início das operações ocorrerá nas próximas semanas, com a chegada da Clamper Indústria e Comércio S/A, a primeira empresa a operar no entreposto aduaneiro – o primeiro do tipo em toda a América Latina.

De acordo com o diretor-presidente da BH Airport, Marcos Brandão, o empreendimento poderá atrair R$ 3,5 bilhões de investimentos e gerar 40 mil empregos entre diretos e indiretos nos próximos anos, resgatando a competitividade das empresas nacionais, por meio de processos de internacionalização, que incluem um regime especial de tributação.

Na prática, insumos importados para a produção de bens de alto valor agregado contam com isenção de impostos, o que também vale para a comercialização no exterior. A rapidez aduaneira é outro benefício do chamado aeroporto industrial, que sai do papel após quase duas décadas de planejado.

“O projeto faz parte de uma estratégia empresarial ampla, que visa transformar o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte em um importante hub. Dentro deste contexto, desenvolvemos sete linhas de negócios e uma delas é a de soluções logísticas, cuja principal objetivo é atrair investimentos de alto valor agregado que possam ser transportados via modal aéreo. Não há algo similar no Brasil nem na América Latina”, anunciou.

O primeiro aeroporto industrial do Brasil conta com uma área disponível de 750 mil metros quadrados e, conforme já publicado, o número de empresas que poderá abrigar depende da área que cada uma demandará. Porém, a expectativa é de atrair cerca de 250 negócios nos próximos anos. Segundo Brandão, as áreas demandas até agora vão desde 80 mil metros quadrados até 500 mil metros quadrados – em consonância com o perfil do empreendedor.

O entreposto aduaneiro foi inaugurado ontem em evento realizado a distância e contou com a participação de diversas autoridades, entre as quais o governador Romeu Zema (Novo), o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Agostinho Patrus (PV), o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, e outras.
Zema definiu o empreendimento como uma grande oportunidade para Minas Gerais e

destacou sua importância no contexto de diversificação econômica do Estado, por meio da atração de novos investimentos, abertura e conexão com o comércio exterior.

“Minas sempre dependeu de poucos produtos, ficando muito suscetível a crises. Além disso, o Estado se tornou notório pelas dificuldades e burocracias e queremos acabar com todas elas. Estamos simplificando toda a parte tributária e fiscal”, garantiu.

O governador também lembrou que o Estado tem pleiteado investimentos junto ao governo federal para melhorar a infraestrutura, com investimentos em rodovias federais no metrô, em vistas de diversificar a economia e melhorar a logística. “Nós estamos no pior momento, numa recessão econômica em meio a uma pandemia, mas estamos olhando para frente e, com certeza, isso nos prepara para sairmos muito mais fortalecidos”, argumentou.

Competitividade – O presidente da Fiemg, por sua vez, falou que o aeroporto industrial abre uma nova oportunidade para indústria mineira sob a perspectiva da retomada da competitividade, uma vez que oferece condições favoráveis de importação e exportação.
“Vai permitir também atrair para Minas Gerais outros investimentos cujo foco esteja em produtos de alto valor agregado com comercialização no exterior. Vai fortalecer o segmento de alta tecnologia e, com isso, aumentar diversificação econômica mineira”, avaliou.