Os preços de materiais de construção, como aço e cimento, já subiram 30% neste ano | CRÉDITO: ALISSON J. SILVA/Arquivo DC

Apesar do mercado aquecido, os custos com materiais de construção em alta podem elevar os preços dos imóveis e frear os lançamentos das incorporadoras em Minas Gerais. De acordo com o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), em média, os materiais de construção subiram cerca de 30% em 2020.

A insegurança é grande no setor em relação ao comportamento dos custos, o que precisa ser bem calculado, uma vez que os lançamentos levam cerca de dois a três anos para ser construídos e entregues.

De acordo com o vice-presidente da Área Imobiliária do Sinduscon-MG, Renato Michel, a elevação verificada nos preços de materiais de construção, principalmente, do cimento, aços e PVC, é injustificada e foi muito acima da inflação ou de outro índice de correção de mercado. Com esse aumento, as incorporadoras estão inseguras, o que pode impactar de forma negativa nos lançamentos previstos.

“A estimativa era que os lançamentos represados, a princípio, pela pandemia, retomassem com maior força no segundo semestre. Porém, veio o aumento dos custos em níveis muito elevados, com alguns materiais subindo mais de 50%. Desta forma, as construtoras ficam receosas em relação à alta dos custos, já que o empreendimento leva de dois a três anos para ficar pronto. É difícil investir porque a elevação foi muito grande e sem justificativa. Não existe um índice capaz de pegar essa valorização. O INCC, que é utilizado para os reajustes de contratos, dificilmente refletirá essa alta”, explicou.

Somente em agosto, segundo os dados do Sinduscon, o Custo Unitário Básico de Construção (CUB/m²) aumentou 1,69%, a maior elevação desde dezembro de 2018. Este resultado é justificado pela alta de 4,13% no custo com materiais de construção, a maior desde novembro de 2002 (4,93%), ou seja, dos últimos 18 anos. Aço, concreto e cimento, que juntos representam 30% do custo com materiais de construção, apresentaram os seguintes aumentos em agosto: 12,24%, 4,75% e 21,23%, respectivamente.

 Importação – Uma das possíveis saídas para conter o avanço dos preços dos materiais de construção é a isenção de impostos para importação. Caso os preços continuem elevados, o setor deve buscar, no mercado externo, alternativas para manter os projetos.

Com a alta dos custos, a tendência é que os preços dos imóveis também aumentem. Além disso, a demanda está elevada resultado dos juros baixos e da maior busca por imóveis mais confortáveis em função do isolamento social. Além da maior procura, a menor oferta está fazendo com que os preços subam. Em relação a julho do ano passado a alta observada no preço de apartamentos novos foi de 5,27%, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicador oficial da inflação do País, foi de 2,31%.

Oferta de imóveis novos está baixa

A oferta de imóveis novos está em níveis abaixo do ideal para o mercado. Conforme o Censo do Mercado Imobiliário, realizado pela Brain Consultoria para o Sinduscon-MG, em julho, foram vendidos, em Belo Horizonte e Nova Lima, 370 apartamentos novos, o que representou uma alta de 16,7% em relação a igual mês do ano anterior, quando as vendas somaram 317 imóveis. Nos primeiros sete meses deste ano, em relação a igual período de 2019, as vendas registraram incremento de 11,56%.

Os dados do Sinduscon-MG mostram que as vendas continuaram superando o volume de lançamentos, o que têm levado o estoque disponível para comercialização aos menores patamares históricos. Em julho, foram lançados dois empreendimentos na Capital e Nova Lima, totalizando 63 unidades, o que representou um recuo de 14,86% em relação a julho do ano passado.

“Nos últimos dois anos, o setor vendeu bem, superando os lançamentos. Desta forma, não foi possível repor o estoque da cidade e a oferta de imóveis disponíveis vem caindo mês a mês. Há dois anos, em Belo Horizonte, a oferta era de cerca de 5 mil imóveis, hoje está abaixo de 3 mil, redução de 40% no período”, explicou o vice-presidente da Área Imobiliária do Sinduscon-MG, Renato Michel.

Segundo ele, em cidades do porte de Belo Horizonte, a média de imóveis para comercialização gira em torno de 6 mil a 7 mil. O que a capital mineira tem disponível hoje é 19% da oferta inicial, sendo que o saudável seria um volume de 25%.