Alta do querosene tem impacto severo sobre abertura de rotas e oferta de voos, diz associação
A Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) afirma que o aumento de 54,6% no preço do Querosene de Aviação (QAV), anunciado pela Petrobras nesta quarta-feira (1º), terá grandes impactos para o setor. Segundo a entidade, somado ao aumento de 9,5% em março, o combustível agora representa 45% dos custos operacionais das companhias aéreas. Antes, esse percentual era de 33%.
“A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo”, disse em nota a entidade que representa Azul, Boeing, Gol, Gollog, Latam, Latam Cargo, Rima, Sideral e Total Express.
Na mesma nota, a entidade defendeu a implementação de mecanismos que permitam diminuir os impactos do aumento do QAV, mas não comentou o programa de parcelamento do reajuste anunciado pela Petrobras nesta quarta.
As empresas interessadas podem ter reajuste de 18% em abril e parcelar o restante em seis meses, com a primeira parcela a partir de julho de 2026.
“Essa medida visa preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do mercado”, disse a Petrobras, em nota.
O instrumento, prossegue o texto, “contribui com a saúde financeira dos clientes da companhia ao mesmo tempo em que preserva neutralidade financeira para a Petrobras”.
Diferentemente de combustíveis automotivos como gasolina e o diesel, o querosene de aviação é reajustado uma vez por mês, seguindo fórmula que acompanha a variação das cotações internacionais do petróleo. É mais difícil, portanto, que a diretoria da estatal justifique represamento de preços.
Como mostrou a Folha de S. Paulo, o governo Lula (PT) prepara o anúncio de um conjunto de medidas para tentar conter os efeitos da alta do querosene de aviação, em meio à escalada do preço internacional do petróleo provocada pelos conflitos no Oriente Médio.
Está prevista a oferta de uma linha de crédito emergencial com recursos do Fnac (Fundo Nacional de Aviação Civil), voltada à aquisição de combustível pelas companhias aéreas, numa tentativa de aliviar a pressão imediata sobre os custos do setor.
Segundo o MME (Ministério de Minas e Energia), o corte de PIS e Cofins envolveria a redução de tributos federais que hoje somam até R$ 71,20 por metro cúbico de QAV, impostos cobrados tanto na importação quanto na comercialização do produto.
Na prática, a intenção é baratear o custo do combustível para as companhias aéreas, reduzindo a pressão sobre as tarifas e evitando repasses ao consumidor final devido à escalada de conflitos no Oriente Médio.
Conteúdo distribuído por Folhapress
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