Economia

Australiana St. George planeja agregar valor à produção em Minas Gerais

Executive Chairman da mineradora revelou ao Diário do Comércio que a empresa pretende agregar valor ao nióbio e elementos de terras-raras do Projeto Araxá
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Australiana St. George planeja agregar valor à produção em Minas Gerais
Secretário de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Fernando Passalio, lidera comitiva mineira na Austrália e assinou Memorandos de Entendimento com três empresas; com a mineradora St. George Mining Limited serão inversões para Projeto Araxá, no Alto Paranaíba, em nióbio e terras-raras | Crédito: Divulgação Renee Nowytarger

Após assinar memorando de entendimento com o governo mineiro para investimentos de R$ 2 bilhões em Araxá, no Alto Paranaíba, a australiana St. George Mining Limited segue de olho nos potenciais do Estado para além da extração mineral. A começar pelas próprias operações de nióbio e terras-raras (ETR) para onde serão direcionadas as primeiras cifras anunciadas pela empresa.

Em entrevista exclusiva ao Diário do Comércio, o executive chairman da mineradora australiana, John Prineas, revelou a intenção da companhia de não se restringir apenas à extração mineral em solo mineiro, mas também de agregar valor aos insumos e somente depois enviá-los ao mercado internacional.

“Nossa estratégia não é só exportar o minério, mas também agregar valor. Com o nióbio, especialmente, isso é muito claro, por meio da fabricação de ferronióbio ou óxido de nióbio de alta pureza já prontos para aplicação no mercado de baterias ou similares. E no caso de terras-raras, já temos tratativas com o governo para o desenvolvimento de tecnologia em Minas Gerais e em breve assinaremos mais um memorando de entendimentos, desta vez, também trazendo e agregando o conhecimento que a empresa já tem”, disse em primeira mão à reportagem.

E não para por aí. Questionando sobre outros projetos e/ou outras áreas no Brasil e mais especificamente em Minas Gerais que os pudesse interessar, Prineas falou sobre a aposta da empresa no protagonismo do País na transição energética mundial.

John Prineas
Prineas explica que a empresa pretende produzir ferronióbio ou óxido de nióbio de alta pureza | Crédito: Renee Nowytarger / St George

“O Brasil está muito bem posicionado para ser um grande fornecedor de minerais críticos nesse cenário. A St. George já tem projetos de lítio, cobre e níquel na Austrália e tem todo o interesse de criar novas possibilidades e novos projetos do tipo no País e em Minas Gerais, para contribuir com esse protagonismo diante dessa necessidade que é mundial”, afirmou.

Especificamente sobre os investimentos pretendidos para o Projeto Araxá, os quais o Diário do Comércio antecipou, há uma semana, o executivo explicou que neste primeiro momento serão dedicados ao atendimento às normas Jorc – um padrão internacional exigido na Austrália para dar transparência e segurança a acordos e relatórios públicos, como este, de uma empresa listada na bolsa daquele país.

Conforme Prineas, na prática, isso significa que, mesmo tendo adquirido a área de Araxá de empresas que já haviam feito todo o trabalho de prospecção mineral e viabilidade econômica, a empresa precisa fazer sua própria mensuração desses potenciais e apresentar os resultados ao mercado e a possíveis investidores.

“Estamos no início desses estudos de viabilidade, que contam com uma ou outra metodologia diferente e vamos confirmar o que já havia nos passado a Itafos Inc. – americana produtora de fosfato e fertilizantes especiais -, quando da realização do negócio. Estudaremos as mesmas perfurações e também outras, e com essa ampliação da área, por exemplo, esperamos pelo menos dobrar a estimativa inicial de 20 anos de vida útil da mina”, explicou.

Depois disso, a estimava é que em 2026 a companhia inicie os trabalhos de engenharia e construção e será nesta fase onde ocorrerá a maior parte dos investimentos. Somente depois ocorrerá propriamente a produção e, como consequência, a grande geração de empregos diretos – que estão estimados em todo o projeto em 400. Já os indiretos podem chegar a mil. Daí a importância, segundo ele, de confirmar os potenciais econômicos do ativo, já que a maioria dos investidores se interessou pelo projeto a partir dessas informações preliminares. “Já fomos contatados por bancos que gostariam de financiar essa construção”, contou.

Práticas sustentáveis nortearão trabalhos da St. George em Minas Gerais

Tudo isso, conforme o executivo, ancorados por práticas sustentáveis, uma vez que, cada vez mais, até mesmo as instituições financeiras têm estabelecido critérios verdes para aprovação de crédito. Neste sentido, o diretor de ESG do Projeto Araxá, Thiago Amaral, chamou atenção para ações que a St George já adota em seus empreendimentos e prometeu replicá-los no Alto Paranaíba.

“Vamos ter aqui em Araxá um modelo de negócio alinhado com as demandas dos mercados e das sociedades para com as melhores práticas sustentáveis. Na governança, contamos com processo e fluxos de tomadas de decisões ágeis”, resumiu.

E na esfera ambiental, de acordo com ele, conjugar uma operação de nióbio e terras-raras já é uma forma de potencializar ao máximo o uso dos minérios da mina. “Focamos em um planejamento visando à redução de rejeitos e minimizando os impactos ambientais. E queremos buscar as melhores soluções em conjunto com a própria sociedade. Para isso, vamos nos inspirar em algumas práticas já adotadas na Austrália. Uma delas, por exemplo, é que os uniformes serão desenhados em conjunto com comunidade e artistas locais”.

Acordo de compra e venda do Projeto Araxá

Ontem a St. George emitiu comunicado aos acionistas, informando que a conclusão da aquisição do Projeto Araxá deverá ocorrer no primeiro trimestre de 2025. Isso porque a australiana e a Itafos concordaram em uma extensão do prazo para conclusão da transação.

Segundo o documento, a St George vai adquirir 100% do capital social da Itafos Araxá Mineração E Fertilizantes S.A (Itafos Araxá), subsidiária da Itafos que detém 100% do projeto e as empresas estão em processo de negociação de algumas alterações no contrato. A expectativa da St. George, no entanto, é que os principais termos do acordo permaneçam inalterados.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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