Indústria de autopeças em Minas ganha impulso com investimentos de montadoras
A indústria de autopeças, embora tenha desafios pelo caminho, têm boas perspectivas para 2026 em Minas Gerais relacionadas aos planos das montadoras. É que a Stellantis deve ampliar os volumes de fabricação e lançar produto em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), enquanto o Iveco Group está investindo R$ 1 bilhão no Estado, com foco maior no complexo de Sete Lagoas, na região Central.
Conforme o diretor do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) em Minas Gerais, Fábio Sacioto, tanto as expectativas referentes à companhia ítalo-franco-americana quanto os investimentos da empresa italiana refletem positivamente para as autopeças. Ele pontua que as montadoras mineiras estão se destacando e o cenário para o Estado em 2026 é mais otimista que o nacional.
Principal cliente do setor de autopeças em Minas Gerais, a Stellantis tem apresentado volumes de produção cada vez maiores em Betim, impulsionada, principalmente, pela preferência dos brasileiros pela picape Fiat Strada, o veículo mais vendido do País por cinco anos consecutivos. Além disso, está previsto para o segundo semestre a estreia do novo Fiat Argo, hatch que será produzido pela montadora no município. Cabe lembrar que o grupo está investindo, desde 2025, R$ 14 bilhões no polo, em um ciclo que vai até 2030.
O Iveco Group, por sua vez, anunciou, no mês passado, o investimento já mencionado, a ser concluído em 2028. Os aportes serão voltados para diversas frentes, incluindo o desenvolvimento de uma nova geração de caminhões, ônibus e motores e a modernização de processos industriais da montadora em Sete Lagoas.
Forte alta nos emplacamentos não gera euforia no setor
As vendas de veículos novos subiram fortemente neste começo de 2026, de acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Em Minas Gerais, os volumes cresceram 65,8% em março, em relação ao mesmo período de 2025, e 39,6% no primeiro trimestre, também na comparação interanual. No Brasil, aumentaram 35,3% e 16,1%, respectivamente.
Entretanto, a indústria mineira de autopeças não vê com tanta euforia os números, que não devem ser mantidos. Sacioto ressalta que o calendário beneficiou os emplacamentos, visto que o número de dias úteis em março deste ano foi maior, já que o Carnaval caiu em fevereiro. Além disso, ele salienta que é um ano de Copa do Mundo, eleições e vários feriados no segundo semestre, fatores que podem frear as comercializações.
Juros e alta nos custos impactam
Algo que também faz o setor de autopeças olhar com cautela os números de emplacamentos é a Selic, segundo o diretor regional do Sindipeças. A taxa de juros está em 14,75% ao ano, sem previsão de cortes significativos, o que afeta o financiamento e, consequentemente, as vendas de veículos. Além disso, desestimula investimentos da indústria.
Outro fator que impacta as autopeças de Minas Gerais trata-se da alta nos custos. Conforme Sacioto, a guerra no Oriente Médio tem feito, por exemplo, matérias-primas encarecerem, como as resinas. “Em média, já temos casos de aumento de 10% a 15%”, afirma. “O diesel também está subindo muito, afetando o transporte de produtos e funcionários”, acrescenta.
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