Economia

Monitoramento do BNDES evita R$ 96,4 milhões de crédito ao agro de MG com indícios de desmatamento ilegal

Monitoramento do banco de fomento visa proteger o meio ambiente de práticas predatórias nas propriedades rurais de Minas Gerais
Monitoramento do BNDES evita R$ 96,4 milhões de crédito ao agro de MG com indícios de desmatamento ilegal
Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Um dado relacionado a produtores rurais em Minas Gerais chamou atenção após um levantamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A instituição financeira, que tem como propósito fomentar empresas e negócios, recusou R$ 96,4 milhões em pedidos de financiamento de agricultores com propriedades que apresentavam indícios de desmatamento ilegal em Minas Gerais nos últimos três anos. O valor equivale a 0,7% do total de solicitações de crédito registradas entre fevereiro de 2023 e abril de 2026.

Os dados foram divulgados no balanço publicado neste Dia do Meio Ambiente (5). No estado, foram identificados 217 alertas ativos de indícios de desmatamento ilegal, o que corresponde a 0,5% do número de solicitações de crédito feitas no período.

Em contato com a assesoria do BNDES, o banco reforçou que a iniciativa visa monitorar, em parceria com o MapBiomas, as propriedades rurais com o objetivo de evitar a concessão de financiamentos a quem pratica o desmatamento ilegal. Como regra geral, é proibido o financiamento em propriedades com indícios dessa prática.

Valor alto no país

No âmbito nacional, o volume de crédito recusado pelo banco a produtores rurais chegou a R$ 1,1 bilhão. Os 5.592 alertas ativos registrados desde fevereiro de 2023 representam cerca de 1% das 551,7 mil solicitações de crédito rural encaminhadas ao banco no período.

Os créditos disponibilizados para o agro são para as operações dos programas agropecuários da linha BNDES Crédito Rural e aquelas com marcação de crédito agrícola pelo Banco Central.

Desde 2023, os financiamentos bloqueados somam quase R$ 1 milhão por dia em crédito não contratado com produtores que apresentam indícios de desmatamento irregular.

“O BNDES é um grande parceiro do agronegócio e valoriza a produção sustentável e ética no campo brasileiro, mas não é complacente com o agronegócio que destrói o meio ambiente. O Banco apoia os produtores que são sustentáveis e inovadores. A tecnologia e uma governança rígida nos permitem atuar com agilidade e precisão na análise do crédito e atender a urgente agenda de enfrentamento das mudanças climáticas. O tempo do crédito para o agro que desmata já passou”, afirmou o presidente do BNDES. Aloizio Mercadante,

Sudeste melhor

As regiões Norte e Nordeste registraram os maiores percentuais de financiamentos bloqueados, com 1,7% dos R$ 6,2 bilhões e dos R$ 7,8 bilhões solicitados, respectivamente. O Nordeste também liderou a taxa de alertas ativos, com 3% das mais de 13,6 mil solicitações.

Os melhores indicadores foram registrados no Sudeste, onde o bloqueio correspondeu a 0,5% do total de R$ 23 bilhões solicitados, e os alertas de desmatamento ilegal atingiram 0,4% das 75,1 mil solicitações de crédito rural.

No Centro-Oeste, foram bloqueados 0,7% dos R$ 29,7 bilhões solicitados, com alertas em cerca de 1% das 33,1 mil solicitações. Na região Sul, os bloqueios representaram 0,8% dos R$ 73,2 bilhões pedidos, com 1% das 419 mil solicitações apresentando alertas de desmatamento.

No histórico completo da parceria entre o BNDES e o MapBiomas, o Rio Grande do Norte registrou os maiores percentuais, com 5,1% de alertas em 117 solicitações. O Amazonas, por sua vez, apresentou a maior alta percentual no volume de financiamentos bloqueados: 5,4% dos quase R$ 29,4 milhões solicitados.

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