Economia

Busca por crédito cresce 10,8% entre empresas mineiras, diz Serasa

Alta no Estado no acumulado dos últimos 12 meses até março é a maior da região Sudeste e supera também a do País
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Busca por crédito cresce 10,8% entre empresas mineiras, diz Serasa
Foto: Reprodução Adobe Stock

A busca das empresas mineiras por crédito registrou crescimento de 10,8% no acumulado dos últimos 12 meses até março, a maior alta entre os estados da região Sudeste. Entre as quatro unidades da federação que compõem a região, São Paulo teve a segunda maior variação, (10,2%), seguida do Rio de Janeiro (7,7%) e do Espírito Santo (7,1%). Os dados são do Indicador de Demanda das Empresas por Crédito da Serasa Experian.

A alta em Minas, ficou acima, inclusive, das empresas brasileiras que registraram crescimento de 10,5% no mesmo período analisado. Na avaliação da economista-chefe do Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o avanço no acumulado em 12 meses sinaliza uma recomposição mais consistente da demanda empresarial por crédito.

A economista considera os 12 meses um recorte importante já que reduz o peso de oscilações pontuais e permite observar melhor a direção do mercado. “O que os dados mostram é uma procura mais disseminada e persistente, em um momento em que as empresas ainda convivem com custo financeiro elevado e maior rigor na concessão”, diz.

Camila Abdelmalack avalia ainda que os números indicam que o crédito segue cumprindo um papel relevante na gestão de caixa e no planejamento das empresas. “Ele também reforça a necessidade de uma avaliação criteriosa sobre capacidade de pagamento, qualidade da demanda e finalidade do recurso contratado”.

Na análise por porte, as micro e pequenas empresas (MPEs) registraram variação de 10,6% no âmbito nacional, a mais elevada entre os grupos analisados. Na sequência, aparecem as médias empresas (7,5%) e as grandes (6,2%). Nesses casos, a economista do Serasa explica que as micro e pequenas empresas possuem uma maior dependência em relação ao financiamento para sustentar o dia a dia da operação. “Para as MPEs, o crédito tende a ser mais determinante para preservar capital de giro, recompor estoques e manter o funcionamento do negócio”, diz.

No entanto, chama atenção que é exatamente este grupo que mais enfrenta barreiras de acesso. “Seja pela menor disponibilidade de garantias ou pela maior dificuldade de apresentar informações financeiras estruturadas”, avalia. Os credores também acabam exigindo uma análise mais rígida para um ambiente de inadimplência elevada.

Na análise por setores, todas as categorias apresentaram crescimento no período. O setor de “Serviços” registrou a maior variação do período, com avanço de 15,7%, seguido por “Agropecuária” (11,4%), “Indústria” (8,8%) e “Comércio” (6,5%).

Altino Júnior
Altino Júnior, especialista em investimentos: com taxa de juros altas do País, empresas reduzem margens de lucro | Foto: Arquivo pessoal / Altino Júnior

Para o economista e especialista em investimentos, Altino Júnior, a busca por demanda no crédito está mais alta nesse momento em função da taxa de juros do Brasil que se mantém alta há muitos meses. “Durante anos seguidos, a taxa está trabalhando acima de 14%. Isso gera um enfraquecimento da economia, porque quando os juros estão mais altos, o dinheiro fica mais escasso, tanto para as empresas quanto para os consumidores e eles acabam consumindo menos”, diz.

Com isso, as empresas reduzem margens de lucro e acabam faturando menos também. “Assim, para manter a operação, elas acabam precisando de crédito. Como em Minas Gerais, houve um aumento e um avanço em alguns setores específicos, muitas acabam necessitando aumentar a produção e em função do cenário, acabam tendo a necessidade de crédito”, finaliza.

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