Café pressiona e exportações de Minas aos EUA recuam 23,7% no 1º semestre

Envios de Minas aos Estados Unidos somaram US$ 1,87 bilhão no 1º semestre; café recuou 34% e siderurgia teve perdas de até quase 50% em alguns itens
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Café pressiona e exportações de Minas aos EUA recuam 23,7% no 1º semestre
Crédito: Reuters

Pressionada pela demanda e por restrições tarifárias, as exportações de Minas Gerais para os Estados Unidos registraram queda de 23,7% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado foi puxado principalmente pelo café, principal produto da pauta mineira ao mercado americano, que recuou 34%, correspondendo por US$ 642,3 milhões.

Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Ao todo, os embarques totalizaram US$ 1,87 bilhão frente aos US$ 2,45 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.

A siderurgia, segundo maior peso na pauta exportadora mineira ao país norte-americano, também sentiu o impacto, mas de forma desigual. Itens como ferro fundido bruto, tubos e perfis ocos de ferro ou aço e o grupo de metais especiais, que inclui berílio, crômio e vanádio, tiveram quedas expressivas que chegaram a quase 50%.

Carnes bovinas congeladas e hidrogênio e gases raros completam a lista dos produtos que mais perderam espaço no período. Por outro lado, o mercado de ferro-ligas apresentou crescimento, mostrando que a retração não foi generalizada dentro do setor.

O analista de Negócios Internacionais no Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Cristian Gonçalves, destaca que, apesar dos entraves internacionais envolvendo mercados sobretaxados, o café puxou balança para baixo.

Segundo ele, a queda nas exportações brasileiras da commodity foi provocada principalmente pelo atraso da safra, decorrente de questões climáticas, e não por efeitos tarifários. “Com a normalização da oferta no segundo semestre, expectativa do setor é de retomada do crescimento dos volumes exportados”, salienta.

Já outros setores tiveram tarifa setorial específica por parte dos Estados Unidos que reduziram bastante as exportações. “Estão nesse grupo o aço, o alumínio e o cobre, sujeitos a tarifas de 50%; o setor automotivo, incluindo caminhões, e os semicondutores, com alíquota de 25%; além dos produtos à base de madeira, que enfrentam tarifas entre 10% e 25%”, afirma Gonçalves.

Além de restringirem as exportações de Minas Gerais aos Estados Unidos, a alta nas tarifas resultou ainda em uma antecipação de envios no semestre anterior, o que impulsionou temporariamente a demanda antes da entrada em vigor das medidas. “As tarifas impactaram o fluxo das exportações mineiras. Diante da ameaça do tarifaço de 25%, acrescido de mais 12% para alguns produtos, empresas anteciparam a demanda e os embarques”, acrescenta o economista.

Com nova rodada de taxas, expectativas para o segundo semestre são menos favoráveis

Para o segundo semestre, a expectativa é menos favorável. O cenário de tarifas mais elevadas tende a reduzir a demanda dos Estados Unidos por produtos mineiros.

Entre os segmentos mais preocupantes estão aqueles sujeitos à tarifa de 37,5%, como sebo bovino, pedras preciosas e disjuntores de baixa tensão, dos quais Minas Gerais é um dos principais exportadores.

O economista Guilherme Almeida projeta que a indústria mineira deve enfrentar uma dificuldade adicional no segundo semestre com uma nova rodada de tarifas. Segundo ele, produtos com forte dependência do mercado americano, como pedras e ligas metálicas, tendem a ser os mais afetados. Almeida pondera, no entanto, que o principal item da pauta mineira, o café, deve permanecer isento, o que ajuda a reduzir o impacto total sobre o Estado.

Almeida também chama atenção para um fator climático que pode se somar às pressões comerciais: a expectativa de um El Niño de forte intensidade, com probabilidade estimada entre 70% e 80% pelas agências meteorológicas. “O fenômeno tende a provocar irregularidade nas chuvas, excesso em algumas regiões e seca em outras, o que pode afetar diferentes culturas e safras mineiras, agravando o cenário geral”, avalia.

Apesar do cenário mais desafiador com os Estados Unidos, a avaliação é que Minas Gerais está relativamente protegido pela diversificação de mercados. A China já responde por mais de 40% das exportações mineiras, tendo assumido o espaço antes ocupado pelos americanos na relação comercial do estado.

“Esse fortalecimento do vínculo com o país asiático, parte de um movimento mais amplo de países buscando alternativas à dependência do mercado dos EUA, ajuda a mitigar os efeitos esperados das novas tarifas”, avalia Almeida.

Sobre o autor

Leonardo Morais

Repórter de economia e negócios do Diário do Comércio, com experiência em jornalismo digital e produção multimídia. Graduado pela PUC Minas, foi premiado com o 2º lugar no Prêmio Sebrae de Jornalismo, Fotojornalismo (2024). LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/leomoraisj/

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