Crédito: Paulo Whitaker/Reuters

São Paulo – A carga de energia do sistema elétrico interligado do Brasil recuou 11,6% em abril quando na comparação com mesmo período do ano passado, informou ontem o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

No primeiro mês inteiramente sob efeito de quarentenas adotadas pelo País para reduzir a propagação do coronavírus, a carga teve variação negativa de 11,7% na comparação com março.

“A interrupção das atividades dos mais variados setores da economia do país, provocadas pelas medidas restritivas contra a propagação do Covid-19, tem impactado negativamente o comportamento da ao longo do período observado”, apontou o ONS em comunicado.

No acumulado dos últimos 12 meses, a carga do sistema apresenta variação negativa de 0,5% em relação ao mesmo período anterior.

Fusões – Os impactos financeiros da pandemia de coronavírus sobre empresas devem favorecer movimentos de fusões e aquisições no setor elétrico do Brasil uma vez passadas as maiores turbulências, projetou o vice-presidente da elétrica chinesa CTG no País, Evandro Vasconcelos.

“A gente acha que vai haver consolidação”, disse o executivo, que citou o economista austríaco Joseph Schumpeter, pai do conceito de destruição criadora, que descreve como novas empresas desafiam antigos modelos de negócios em uma economia capitalista.

Ao participar de transmissão ao vivo da Delta Energia, ele afirmou ainda que a CTG Brasil pretende ampliar investimentos em energia eólica e solar e sinalizou que a empresa poderá aproveitar eventuais oportunidades.

“Temos desenvolvido parques eólicos em parceria com a EDP. Estamos estudando a entrada mais forte no setor de energias alternativas, solar e eólica, e a gente acha que pode ser um aspecto saudável para o setor uma consolidação”, acrescentou.

O executivo apontou que, com esse movimento, grupos “mais sólidos” e resilientes poderiam assumir projetos no lugar de empresas que perderem capacidade em meio à crise causada pelo vírus.

A vice-presidente de Operações de Mercado da CPFL Energia, Karin Luchesi, concordou que o cenário deve favorecer aquisições.

“Realmente, M&As (fusões e aquisições) devem surgir aí no meio do caminho, por conta de algumas empresas não terem capacidade de levar esse cenário…até a retomada”, afirmou ela. A CPFL é controlada pela elétrica chinesa State Grid. (Reuters)