Cedro prevê obter licença do Porto do Meio em agosto e iniciar contratação de obras em setembro
Sediada em Minas Gerais, a Cedro Participações prevê obter, em agosto, as licenças prévia e de instalação do Porto do Meio, terminal dedicado para minério de ferro que será implantado no Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro, entre as instalações da Vale e da CSN.
Em paralelo, a holding planeja concluir o projeto executivo do empreendimento, que receberá investimentos da ordem de US$ 800 milhões, pouco mais de R$ 4 bilhões na cotação de quinta-feira (30).
Com esses avanços, a intenção é iniciar em setembro o processo de contratação de obras e serviços do porto, que abrangem quatro frentes principais: civil, dragagem, equipamentos e montagem eletromecânica. Estima-se a geração de 3.000 empregos diretos e indiretos no pico das intervenções, que devem durar três anos.
A entrada em operação do Porto do Meio é esperada para o primeiro trimestre de 2030. Já em funcionamento, a previsão é que 256 pessoas sejam empregadas diretamente.
Inicialmente, o terminal será capaz de movimentar até 15 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. No futuro, a capacidade poderá atingir até 24 milhões de toneladas anuais.
As informações foram compartilhadas com o Diário do Comércio pelo diretor da Cedro Participações e responsável pelo empreendimento, Marcus Santarém.
A holding arrematou a concessão do terminal em leilão do governo federal realizado em dezembro de 2024. O contrato de arrendamento foi assinado em fevereiro de 2025 e tem prazo de validade de 35 anos, prorrogável por igual período.
Instalação traz independência e reduz riscos
Conforme Santarém, o Porto do Meio trará independência na exportação para o braço da Cedro Participações no setor mineral, concentrado em Minas Gerais, e reduzirá riscos associados ao plano de crescimento da holding no segmento.
Atualmente, a Cedro Mineração produz cerca de 7,5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. O produto da empresa é o sinter feed. Aproximadamente 20% da produção vai para usinas do mercado interno, enquanto os outros 80% são repassados à Vale, à CSN ou ao Porto Sudeste e, posteriormente, destinados ao mercado externo.
A empresa pretende alcançar, em 2032, capacidade de produção de até 20 milhões de toneladas por ano e, antes disso, chegar a 15 milhões de toneladas anuais, em 2030. Também planeja migrar o portfólio de produtos para o pellet feed. Além disso, projeta exportar a maior parte do volume produzido por meio do próprio terminal.
O diretor afirma que, assim como outras mineradoras do Quadrilátero Ferrífero que estão em crescimento, a Cedro Mineração não consegue, neste momento, vender diretamente para clientes do exterior por não ter porto para escoar.
Ele ressalta que são poucos os terminais exportadores de minério de ferro no Brasil e, normalmente, ligados a grandes mineradoras. De acordo com Santarém, as empresas menores não têm alternativas e ficam reféns dessas instalações.
Terminal prioriza demanda da Cedro, embora possa atender outras empresas
Ainda segundo o diretor, o Porto do Meio será construído com foco na produção própria da Cedro Mineração, embora também possa, eventualmente, movimentar minério de ferro de outras mineradoras. Segundo Santarém, a empresa mantém contratos de longo prazo com a Vale para algumas entregas, mas a carteira de projetos de crescimento deverá gerar volume suficiente para ocupar a capacidade instalada do terminal.
“É possível [movimentar minério de ferro de outras empresas no Porto do Meio]. Isso já vem ocorrendo com os demais terminais. É uma questão de mercado. Mas o porto será feito, principalmente, para atender à necessidade da Cedro”, afirma.
“Caso contrário, são investimentos bilionários, e a gente não quer ficar refém de terminais portuários que estão na região [de Itaguaí], com preços de mercado que não temos como medir ou garantir. É importante termos um porto próprio para suportar nossa movimentação, nosso crescimento e mitigar riscos”, reitera.
Obras da ferrovia Serra Azul devem começar apenas em 2029
Outro projeto estratégico da Cedro Participações é a ferrovia Serra Azul, ramal de curta distância (short line), com 26 quilômetros (km) de extensão, que passará pelos municípios mineiros de Mário Campos, Mateus Leme, Igarapé e São Joaquim de Bicas, conectando a produção regional de minério de ferro à malha ferroviária da MRS Logística.
O cronograma de implantação é mais lento que o do Porto do Meio devido às etapas que precisam ser cumpridas junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Neste momento, segundo o diretor,a holding trabalha no projeto executivo e no processo de licenciamento ambiental do empreendimento, que receberá investimentos da ordem de US$ 400 milhões. Segundo ele, a previsão é de iniciar as obras em 2029 e a operação em 2032.
A ferrovia terá capacidade de transportar aproximadamente 25 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Como não ficará próximo de minas da Cedro Mineração, o ramal será construído para atender outras mineradoras do Quadrilátero Ferrífero.
Santarém ressalta que o empreendimento reduzirá um gargalo logístico para as mineradoras que precisam utilizar modal rodoviário para escoar a produção até a MRS, além de reduzir acidentes ao retirar caminhões de minério das rodovias da região e reduzir as emissões de CO2. De acordo com o diretor, o empreendimento será uma alavanca para o crescimento das empresas ao gerar uma oportunidade econômica de transporte em larga escala.
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