Além dos R$ 8 bilhões em investimentos já previstos até 2022, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) precisa aportar outros R$ 8 bilhões até 2026, em um total de R$ 16 bilhões, para recuperar o déficit tecnológico do sistema. Os recursos devem ser destinados principalmente à digitalização da empresa e geração e expansão da rede de distribuição.

“O viés da Cemig agora é de grandes investimentos”, anunciou o presidente da companhia, Cledorvino Belini, durante o Prêmio Melhores Fornecedores Cemig 2019, ontem.

“Estamos investindo forte com o olhar no futuro e na perenidade do negócio. Seja uma empresa estatal ou privada. Estamos desenvolvendo uma gestão eficiente, focada nos resultados, na meritocracia, segurança e fortemente em compliance. Investindo nas pessoas através de treinamento e capacitação”, completou.

Privatização – Tantos investimentos fazem parte da estratégia da estatal para se tornar cada vez mais competitiva e eficiente, principalmente diante da possibilidade de privatização. Uma das principais bandeiras do governador Romeu Zema (Novo) durante a campanha, a concessão da energética ao setor privado, ganhou, inclusive, apoio do presidente da empresa, que apareceu nas redes sociais, ao lado do governador, defendendo o processo. Zema chegou a afirmar que os investimentos necessários à companhia chegam aos R$ 21 bilhões.

Em seu discurso durante o evento de premiação dos fornecedores, Belini confirmou que a companhia está se tornando mais eficiente, profissional e adotando uma gestão moderna. O executivo falou também sobre os desafios do setor energético para o futuro que, segundo ele, apresentam-se em uma estratégia 3D: digitalização (entre as áreas e com os clientes), descarbonização (visando a uma geração mais limpa) e descentralização (tanto na geração quanto no consumo).

Suprimentos – Dentre as estratégias de redução de custos e ganhos operacionais e de gestão como forma de aumentar a eficiência da empresa, a companhia anunciou mudanças na área de suprimentos, com a adoção de novo modelo de relacionamento com os fornecedores e o desenvolvimento de uma plataforma digital para a logística de materiais, que vai permitir uma economia de R$ 100 milhões de capital de giro por ano.

De acordo com o diretor-adjunto de Serviços Corporativos e Suprimentos da Cemig, João Polati Filho, basicamente, o sistema vai permitir descentralizar o sistema logístico de suprimentos da estatal. Segundo ele, atualmente, os materiais são concentrados no Centro de Distribuição (CD) no Distrito Industrial Vale do Jatobá, em Belo Horizonte, o que gera um custo elevado na hora de disseminar entre as unidades.

“Na verdade, esse era um desenho logístico antigo. Agora vamos ter uma entrega em 50 diferentes pontos no Estado, de maneira que haja economia de tempo, custo, objetividade e capital de giro. Não chegaremos a ter um sistema just in time porque precisaremos manter uma reserva técnica para atendimentos emergenciais. Mas eliminaremos o estoque de itens como transformadores, chaves, disjuntores, postes, entre outros”, explicou.

Ainda conforme o diretor, a intenção é de que o sistema seja implantado até maio do ano que vem. Antes disso, a companhia pretende zerar o estoque de suprimentos, hoje avaliado em cerca de R$ 240 milhões. Em um primeiro momento, o foco será a exaustão do material, e somente o que sobrar será alienado. De acordo com Polati Filho, o ideal é que sejam vendidos, no máximo, R$ 40 milhões desses equipamentos.

“Por meio dessas e outras estratégias, queremos transformar o custo em investimento. Fazer da Cemig uma empresa enxuta, produtiva, de baixo custo e alto investimento e satisfação do cliente e da sociedade”, resumiu.

Vale destacar que a estatal mineira tem hoje contratos que somam R$ 9,5 bilhões em compras de materiais e serviços. Além disso, os aportes previstos para os próximos exercícios deverão demandar novos contratos.

Seleção de fornecedores fica mais rigorosa

A nova ferramenta tecnológica para gestão de fornecedores e integração da cadeia produtiva do setor elétrico é fruto de uma pesquisa pioneira, desenvolvida pela Cemig em conjunto com o European Institute of Purchasing Management e a Universidade Mackenzie. Agora os fornecedores passam a ser selecionados de acordo com quatro áreas de risco: responsabilidade social, integridade, ambiental e segurança e saúde.

Segundo o executivo, antes não havia este acompanhamento dos fornecedores. Agora, o processo produtivo será monitorado com frequência determinada e vinculará cada fornecedor aos indicadores de satisfação do cliente pelos quais a Cemig é avaliada. “O novo modelo é mais rigoroso e exclusivamente técnico”, garantiu.

Análise de desempenho – Outra novidade é que também haverá acompanhamento do desempenho dos materiais em campo. Medidores, religadores e transformadores com defeito, fora do período de garantia, implicarão no indicador de desempenho do fornecedor.

O novo modelo de gestão de fornecedores foi apresentado ontem, durante o Prêmio Melhores Fornecedores Cemig 2019. A cada ano, a companhia avalia seus fornecedores com base em critérios técnicos, de compliance e financeiros, a partir do cumprimento de prazos, qualidade dos produtos e serviços, integridade e documentação, dentre outros. Este ano, foram premiados 12 fornecedores, divididos em seis categorias de fornecimento de materiais e seis categorias de prestação de serviços.