O limite da longevidade
A longevidade humana tem subido fortemente nos últimos 200 anos, e agora novas possibilidades tecnológicas começam a despontar no horizonte. Fica a pergunta de até onde será possível estender a longevidade humana e se a imortalidade é realmente possível ou apenas uma ilusão pseudocientífica.
Na metade do século XVIII, a estimativa de expectativa de vida ao nascer era de 25 anos. Porém, esse número era distorcido pelo fato de que cerca de 40% da população humana morria antes dos 5 anos (mortalidade infantil), e os sobreviventes iam morrer por volta dos 40 anos, o que dava uma média de 25 numa curva bimodal.
Ao longo dos séculos XIX e XX houve muitos avanços, não somente da medicina, mas também de sanitarismo, vacinação em massa, melhores hábitos de alimentação, refrigeração de comida e medicina diagnóstica não invasiva. Isso elevou a expectativa de vida até quase 75 anos, sendo que em alguns países ela passa de 85 anos.
Diversos avanços na medicina, tais como terapia de telômeros, terapia genética e impressão 3D de órgãos prometem estender esse limite ainda mais. Os mais conservadores falam em 120 anos de expectativa de vida, o que seria quase que uma extrapolação linear do avanço dos últimos 200 anos.
Para além desse limite, há indícios de que, embora se possa rejuvenescer o corpo, a mente iria envelhecer e morrer, a menos que se consiga criar neurônios através da neurogênese, algo que se está provavelmente longe ainda de ser obtido.
Mesmo que este limite seja eliminado, ainda existiria o problema de acúmulo de radiação no corpo ao longo do tempo. Todos os dias tomamos um pouco de radiação ao andar no sol, ou quando fazemos um raio X, e mesmo atividades simples como comer. Tal acúmulo de radiação não é fatal pois a dosagem é baixa, e morremos muito antes de chegar a uma dosagem acumulada fatal.
Porém, se a vida for estendida o suficiente, estimo que dentro de 300 anos se iria acumular uma dosagem fatal.
O argumento final é de que a mente humana poderia ser transferida para um corpo novo de uma vez só ou as partes. Tal hipótese se baseia na ideia de que a mente humana poderá um dia ser completamente decodificada em bits e bytes.
Tal ideia é, no mínimo, controversa, e assume que a mente humana pode existir fora de um corpo biológico, mesmo que para isso as partes tenham de ser trocadas aos poucos usando a conjectura do Navio de Teseu, onde um navio que troca suas partes ainda continua sendo o mesmo navio.
Pessoalmente, eu não acredito que seja o mesmo indivíduo, mas apenas um simulacro dele, uma versão copiada, ou réplica. Mas aqui entramos em conjecturas filosóficas e saímos da ciência e da medicina propriamente ditas.
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