Editorial

Fim da guerra

Perspectiva de um cessar-fogo permanente entre os EUA e Irã reacende a esperança de estabilidade no Oriente Médio
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Fim da guerra
Foto: Reprodução Adobe Stock

Enfim, uma real possibilidade de solução para a guerra no Oriente Médio surgiu nos últimos dias. Estados Unidos e Irã anunciaram a assinatura de um memorando para um acordo de cessar-fogo permanente na região. O teor do documento está previsto para ser divulgado na sexta-feira (19).

A saída negociada foi a solução encontrada pelo governo Donald Trump após iniciar o conflito há cerca de quatro meses, ao lado de Israel, com o pretexto de acabar com as pretensões do país persa de fabricar armas nucleares.

O objetivo dos norte-americanos e dos israelenses era claramente abrir caminho para uma troca de regime, uma vez que, na primeira onda de ataques, mataram o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aproveitaram a onda de protestos contra o governo iraniano para provocar uma ruptura no regime.

Porém, ao que tudo indica, Israel e Estados Unidos confiaram demais na superioridade bélica para subjugar os persas. Mesmo com ataques massivos e a eliminação de boa parte da cadeia de comando das Forças Armadas do Irã, o regime se manteve firme e usou o fechamento do Estreito de Ormuz, principal rota do petróleo produzido no planeta, como estratégia.

O fechamento da rota do petróleo provocou uma das maiores crises energéticas da história recente e afetou economias ao redor do globo, incluindo a norte-americana, altamente dependente de combustíveis fósseis.

A interrupção do fluxo de navios no Estreito de Ormuz pressionou a inflação nos principais mercados do mundo. No Brasil, já convivemos com impactos significativos provocados pela guerra no Oriente Médio.

O aumento no custo do petróleo resultou no encarecimento do diesel e da gasolina no mercado brasileiro. O cenário obrigou o governo federal a reagir com medidas de desoneração e subvenção dos derivados de petróleo. São bilhões em dinheiro público direcionados a essas ações.

Mais do que uma questão geopolítica, o fim do conflito é uma necessidade econômica global. A expectativa agora é que o acordo seja capaz de garantir uma paz duradoura na região e restabelecer a normalidade nos mercados internacionais. Para o Brasil, isso significa a chance de reduzir as pressões sobre os combustíveis, conter os impactos inflacionários e dar à economia o tempo necessário para se recuperar dos efeitos provocados pela guerra.

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