Economia

Gasmig lança chamada pública para projetos de biometano em Minas com aporte de R$ 1 bilhão

Iniciativa prevê cerca de 400 quilômetros de infraestrutura e atendimento a quase 1 milhão de pessoas
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Gasmig lança chamada pública para projetos de biometano em Minas com aporte de R$ 1 bilhão
Foto: Divulgação/ Gasmig

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e a subsidiária Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) abriram uma chamada pública para projetos de biometano em Minas Gerais, avançando mais um passo na transição energética. Com investimentos previstos em R$ 1 bilhão, a iniciativa pretende beneficiar quatro municípios do Triângulo Mineiro: Araxá, Uberaba, Uberlândia e Indianópolis.

O presidente da Gasmig, Gustavo de Marchi, explica que a iniciativa, lançada na última semana, busca atrair investimentos e posicionar o Estado como referência nacional no aproveitamento de fontes renováveis de gás. Durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça-feira (26), o executivo destacou que o projeto vem sendo estruturado desde 2023 e representa um avanço estratégico da companhia.

Coletiva Gasmig
Da esquerda para a direira: Alexandre Ramos, presidente da Cemig; Mila Corrêa, secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico; Gustavo de Marchi, presidente da Gasmig | Foto: Diário do Comércio/ Juliana Sodré

Segundo ele, o objetivo é tornar a Gasmig mais moderna, integrada e alinhada às diretrizes de sustentabilidade, com foco no desenvolvimento regional e na segurança energética. “O mundo vive uma transformação energética, e Minas Gerais tem condições únicas de liderar esse processo”, afirma.

A proposta prevê a implementação inicial no Triângulo Mineiro, região escolhida por reunir características favoráveis ao desenvolvimento do biometano. Entre os fatores estão a forte presença do agronegócio, a elevada geração de resíduos com potencial energético e a relevância econômica da região. Conforme apresentado na coletiva, o Triângulo Mineiro responde por cerca de 8,55% do PIB estadual. “Além disso, é uma área que ainda não possui acesso ao gás canalizado, o que amplia o impacto e representa justamente o diferencial desse projeto”, diz.

Outro diferencial apresentado é o modelo de operação por meio de redes isoladas, sem dependência inicial de gasodutos tradicionais. Segundo o presidente, a estratégia permite maior agilidade na implementação e uma entrega mais rápida de resultados. “É uma solução moderna, flexível e, principalmente, adaptada às características econômicas e logísticas”, aponta.

Projeto prevê 400 km de infraestrutura

Os números previstos reforçam a dimensão do projeto. A expectativa é de cerca de 400 quilômetros de infraestrutura, incluindo redes isoladas e futuras interligações, com investimentos estimados em aproximadamente R$ 1 bilhão.

“O potencial de distribuição é de cerca de 256 mil metros cúbicos por dia, com capacidade de atendimento a quase 1 milhão de pessoas em cidades-polo como Uberaba, Araxá, Indianópolis e Uberlândia”, completa Marchi.

O presidente da subsidiária também ressalta a integração com a Cemig como um dos pontos estratégicos da iniciativa. Segundo ele, o projeto reforça a sinergia dentro do grupo e contribui para transformar passivos ambientais em ativos energéticos. “Estamos falando da geração de energia limpa a partir de resíduos, criando valor, emprego e renda para o Estado”, conclui.

Expectativa é atrair novos investidores para o Estado

A chamada pública funciona como um edital ou convite ao mercado para que empresas que produzem biometano possam apresentar propostas para fornecer o combustível à Gasmig. O chamado atual é o terceiro feito pela empresa. Os dois anteriores, um em 2023 e outro em 2025, não tiveram adesão.

A justificativa, conforme a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa, é que o momento atual é diferente já que o marco normativo passou por um processo de maturação. “As chamadas anteriores, estavam em outro contexto. Esse decreto permite um compartilhamento de estrutura que não existia antes e também da maturação desse mapeamento do mercado consumidor. Ao mesmo tempo, em paralelo, o amadurecimento também do projeto do Gasoduto do Triângulo”, comenta.

Em Minas, atualmente, há duas usinas produtoras de biometano, mas o grande objetivo do projeto, segundo ressaltaram as autoridades, é atrair investimentos. “Queremos atrair investimentos para o consumidor e para o produtor”, afirma a secretária.

Nesse sentido, o presidente da Gasmig, Gustavo de Marchi, ressalta que o grande propósito da iniciativa é atrair produtores de fora para o Estado. “Esse é o nosso propósito. O chamado atual é um ponto de partida. Então, a gente acredita fortemente no crescimento orgânico. Outros produtores vão surgir, a gente tem certeza disso. É um projeto de longa maturação. Inicia agora e a última onda prevista é o projeto de 2034. Temos muito tempo, e certamente surgirão outros interessados em aderir ao projeto”.

Com relação a potenciais consumidores segundo Marchi, empresas como CBMM, Mosaic e LD Celulose já manifestaram interesse em ser consumidoras âncoras. “O interesse das empresas foi fruto de um estudo bastante extenso e criterioso, de modo a permitir que a gente possa contar com esses consumidores âncoras. Elas serão fundamentais para permitir o espraiamento do projeto, principalmente nas redes isoladas”, conclui.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.

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