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Crédito: REUTERS/Ueslei Marcelino

São Paulo – Comercializadoras de eletricidade, que operam no mercado livre de energia, no qual grandes empresas como indústrias e shoppings negociam diretamente seu suprimento, devem sofrer impactos de cerca de R$ 5 bilhões neste ano devido ao coronavírus, disse à Reuters ontem um representante do setor.

Entre as principais comercializadoras do Brasil estão unidades da elétrica francesa Engie, da portuguesa EDP e da CPFL (da chinesa State Grid), além de subsidiárias da Copel, Votorantim e Cemig.

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O setor também tem empresas ligadas a bancos, como o BTG Pactual, e independentes, sem ligação com grandes grupos de energia.

As perdas previstas no segmento devem-se à forte redução do consumo de energia associada a quarentenas adotadas pelo Brasil para reduzir a propagação do Covid-19, que obrigaram o fechamento de estabelecimentos comerciais, e aos efeitos econômicos da pandemia, que reduziram o nível de atividade em diversas áreas da indústria.

“Os comercializadores estão estimando uma redução de 20% no consumo (no mercado livre). Estamos perdendo R$ 5 bilhões neste ano, é um prejuízo que o setor está tomando porque a gente nunca viu uma situação como essa”, disse à Reuters o presidente da Associação Brasileira de Comercializadores de Energia (Abraceel), Reginaldo Medeiros.

Ele explicou que, nas negociações com clientes, as comercializadoras geralmente permitem certo nível de flexibilidade nos contratos, para cima ou para baixo. Mas, com a pandemia, houve uma corrida de consumidores livres em geral para exercer a opção de redução de volumes.

“A cada mês, o comercializador faz a gestão de risco de seus clientes, na hipótese de que uns vão consumir mais, outros menos. Mas, com o Covid, todos consumidores exerceram todas suas flexibilidades e no mesmo sentido, para menor”, apontou.

Desde o agravamento da epidemia no Brasil, em meados de março, o consumo de energia no Brasil apresenta retração de 11% na comparação com 2019, ou de 15% ante o período imediatamente anterior às quarentenas, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Mas, no mercado livre, que responde por cerca de 30% da demanda total, a queda tem sido maior, de 12% ano a ano e de 19% frente aos dias prévios às medidas de isolamento, ainda de acordo com números da CCEE.

Além disso, os impactos do coronavírus sobre o mercado de energia reduziram fortemente os preços spot da eletricidade, pelos quais excedentes de energia contratada e não utilizada podem ser liquidados.

O preço spot, ou Preço de Liquidação das Diferenças, está agora a cerca de R$ 87 por megawatt-hora no Sudeste, contra média de R$ 327 em janeiro e R$ 154 em fevereiro. (Reuters)

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