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Comércio de usados cresce em todo o Brasil e Minas tem aumento de brechós

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Cuidado do brechó com as roupas e ambiente aconchegante são marcas do Espacim, de Governador Valadares - Crédito: Ana Paula Assis
Nathália, Mia e a funcionária Victoria Santos | Crédito: Ana Paula Assis
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O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) divulgou, na última semana, levantamento em que aponta a elevação no número de empresas que vendem produtos usados. Com base em dados da Receita Federal, o comércio de itens de “segunda mão” cresceu 48,58% no comparativo dos primeiros semestres de 2020 e 2021

Em números absolutos, somente no primeiro semestre deste ano foram abertas 2.104 novas empresas no segmento em todo o país. Do total, 1.875 negócios abertos estão classificados na figura jurídica dos microempreendedores individuais (MEI) e 229 como empresas de pequeno porte. 

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No mesmo período do ano anterior, foram abertas 1.298 MEI e 118 negócios de pequeno porte que representam o segmento dos usados. De acordo com a metodologia utilizada pelo levantamento do Sebrae, vale ressaltar que as atividades podem compreender comércio varejista de móveis, utensílios domésticos, eletrodomésticos, roupas, calçados, livros, revistas, além de material de demolição e coleções de moedas e selos. 

Brechós em Minas Gerais 

Em Minas Gerais o destaque está relacionado, principalmente, ao crescimento de brechós. O Estado iniciou janeiro de 2020 com o total de 1.920 brechós e concluiu aquele ano com 2.151. Até julho de 2021, o número de brechós mineiros chegou a 2.305, conforme balanço que considerou o número de empresas MEI, realizado pelo Sebrae Minas Gerais (Sebrae Minas). 

Segundo o analista técnico do Sebrae Minas, Ramon Gonçalves, a presença de empresas do segmento já demonstrava uma trajetória de aumento antes da pandemia da Covid-19 e foi intensificada no período. 

“Nós trabalhamos com duas principais hipóteses diante do atual contexto brasileiro: a necessidade de abrir empresas para aquelas pessoas que perderam emprego durante a pandemia e precisam se manter ativas economicamente e o aumento da consciência dos consumidores que veem a questão sustentável como valor”, afirma o analista. 

Além desses fatores, Gonçalves afirma que, para o consumidor, a questão do preço dos produtos que estão em bom estado de conservação também é um atrativo: “esse movimento torna a moda mais acessível, porque existem produtos que você compra com investimento mais baixos e ainda assim recebe alta qualidade”, avalia Gonçalves.

Para os empreendedores, apesar de não ser regra, o analista do Sebrae Minas lembra que os brechós costumam ser negócios em que não há a necessidade de se investir muito para a abertura. 

Entre os diferentes tipos de modelos de negócios, os brechós  podem atuar com a compra de coleções passadas de roupas e calçados, trabalhar por consignado, em que as pessoas deixam a roupa para ser vendida e, caso o negócio seja efetuado, as partes são divididas entre o brechó e o antigo dono do item, e até mesmo empreendedores que tinham muitas roupas e perceberam na quantidade de peças a oportunidade de gerar renda e abrir o próprio negócio. 

Espacim em Governador Valadares 

O brechó aberto por Nathália Schubert, no bairro Esplanada, próximo ao centro de Governador Valadares, é o retrato da necessidade empreender após a demissão e também do sonho de fazer com que a moda ganhe, cada vez mais, o conceito de circularidade, que tem como objetivo de ressignificar roupas que não fazem mais sentido para uma pessoa, mas que podem ser reutilizadas, tornando o processo mais sustentável e durável no mercado. 

“Eu já tinha feito um perfil no instagram para vender peças minhas, porque eu já consumia roupa usada de outros perfis há anos e achei uma ótima maneira de dar novos destinos àquelas coisas que estavam paradas. No entanto, a ideia só se tornou o que é hoje depois que eu voltei de férias do trabalho e fui demitida. Foi um baita susto e ao mesmo tempo um super empurrão para eu realizar um sonho antigo de ter meu próprio negócio”, conta Nathália. 

Antes de chegar ao local onde o brechó funciona atualmente, o “Espacim” acontecia dentro de um quarto na casa da fundadora Nathália. A aposta para o crescimento do brechó, que superou e ainda supera os períodos mais críticos da pandemia, é o cuidado com as roupas, além da criação de um ambiente aconchegante para as clientes, rodeado de plantas e onde se pode ouvir música popular brasileira.  

Nathália Schubert e a sócia Mia Portes preparam entrega – Crédito: Ana Paula Assis

Hoje, de acordo com Nathália Schubert, o público atendido no brechó é formado, principalmente, por mulheres de 30 a 40 anos. As peças vendidas no Espacim são formadas por roupas, calçados, acessórios e livros e o preço varia entre R$ 18,00 e R$ 170,00. No entanto, a maior parte das peças tem valor médio de R$ 35,00 a R$ 50,00

Em relação ao faturamento do brechó, Schubert lembra que no primeiro mês foram vendidas 40 peças pelo Instagram, quando houve a arrecadação de R$ 1.228,50. Após a abertura do negócio no bairro Esplanada, o Espacim vende, mensalmente, uma média de 250 peças, sendo que o faturamento chega a R$ 8.000,00 por mês. Para diminuir os gastos com o espaço atual, que é alugado, a empresa conta com o coworking do Espacim. 

Ainda segundo Schubert, está na hora da indústria da moda repensar as formas de produção. “Os brechós vêm como uma alternativa, um novo destino, pois o que já não faz sentido para alguém pode ser uma peça nova para outra sem precisar utilizar novos recursos de produção. Por isso existe o termo ‘a roupa mais sustentável é aquela que já existe’, porque ela já está pronta, é só encontrar seu novo caminho. Quando você começa a pensar sobre isso, uma coisa vai puxando outra e logo vamos descobrindo novas formas de impactar negativamente menos (o meio ambiente e o mundo), fazer trocas inteligentes e funcionar menos no piloto automático”, reflete Nathália.

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